| Shoko
Suzuki
Currículo
Obras
Fone: 4702-3505
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A cerâmica por razões diversas tais como sua técnica e
ancestralidade sempre foi incluída na categoria das "artes
decorativas". A finalidade de embelezar o útil é sem dúvida
um propósito importante e respeitável, porém de nível inferior ao
da "arte"própriamente dita.
A classificação da cerâmica como arte decorativa é apropriada se
pensarmos em um processo de execução artesanal, porém repetitivo,
regido por padrões fixos e com funções utilitárias. Shoko Suzuki
extravasa e encerra tal classificação com sua belíssima produção
utilitária, que não é objeto desta apresentação.
A intenção é de se falar de Shoko Suzuki ceramista e artista plástica.
As fronteiras da arte são complexas e delicadas. Não pretendo tergiversar.
Seria necessário, porém, mencionar o aspecto essencial da obra
de arte: o arranque inventivo.
Shoko Suzuki apresenta cerâmicas que revelam caligrafia artística,
estilo próprio, e que poderiam ser reconhecidas sem assinatura.
Desde 1968, por ocasião de sua primeira exposição individual no
Brasil, a cerâmica de Shoko assume enfoques escultóricos intencionais.
Seus trabalhos refletem preocupação maior com a forma e dimensão,
e embora considere o tratamento da superfície, trata-o como complementar
à estética da forma.
As esferas, os cilindros, as formas ovóides, são pensadas como volumes,
e como tais, vão sendo distorcidos e recriados, com um resultado
artístico absolutamente contemporâneo, traduzido através de uma
linguagem única e pessoal.
A superfície de suas cerâmicas, inicialmente tratada com grandes
pinturas florais (a ligação da artista com a natureza é característica
atávica e assumida) evolui para incisões depuradas e minimalistas.
Shoko
Suzuki pensa, pesquisa e arrisca a forma, a cor, textura, absolutamente desvinculada
de qualquer necessidade cotidiana.
Tal imaginação criadora, dotada de profunda reverência ao seu trabalho,
produz cerâmicas de tal harmonia, delicadeza e elegância formal,
que até esquecemos o esforço braçal, que também envolveu a criação
da obra. Mas este torna-se secundário.
Fica o sopro do espírito sobre o barro. Somente este é capaz de
transcendência.
Shoko Suzuki é, sem dúvida, uma grande ceramista, que concedeu ao
Brasil, o privilégio de incluí-la em sua história da arte.
Katia
Largman - Outubro 1991
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