por JanyZezinho Bruce e eu, no Crepúsculo!

Um morcego estava morando no meu quarto. Eu sabia pelos cocôs que encontrava no chão. Por eles dava para ver que ele comia frutas. Andei ignorando o bichinho, até que uma noite, sozinha no quarto, eu o vi! O morcego não era minúsculo, como preferia acreditar. Tinha o tamanho de uma palma aberta e estava lá no alto.

Racionalizei que ele não iria me morder porque eu não sou uma fruta, mas afinal qual era o plano dele? Ficarmos ali respirando o mesmo ar? Eu dormindo… e ele? Morcegos não são ativos à noite? O que ele faria naquelas oito horas? Me observaria? Me ouviria roncando? E se ele achasse meu formato meio de Jaca? Melancia? Pera?

Enfim, como dormir achando que ele poderia me dar um beijinho no pescoço para, quem sabe, experimentar uma dieta diferente?

Desabafei minha inquietação no facebook. Muitas pessoas plugadas naquele momento e o morcego virou assim uma Celebrity!

Escrevi que estava pedindo educadamente para o morceguinho sair do quarto. Disse que ele não parecia entender português, que estava tentando telepatia, mas estava chovendo. Não que haja comprovação de que a chuva interfira na telepatia, só que era óbvio que ele não iria querer se molhar.

Muitas curtidas e opiniões vieram.

Teve o povo que deu sugestões antropomórficas: dar coca cola pra ele, chocolate, sugeriram que estávamos de caso… Imagina! Jamais dormiria de ponta cabeça!

Teve o povo do conhecimento científico: Tipo, o morcego pode transmitir raiva e teve o argumento campeão que me fez agir: “Tem fungo no seu cocô e esse fungo detonou a saúde de uma pessoa conhecida”. Ixi!

Vieram também os conselhos práticos: acender a luz, abrir a janela, rede de pegar borboleta, vibrar bambu, jogar pano. Credo! Eu, hein!
Tenta castelhano, disseram, e até o Temer entrou na história.

Claro que os meninos vieram com a cultura pop: Batman! E por causa dele sugeriram que eu colocasse o nome de Bruce (Waine), a identidade secreta do herói! Como eu durmo no ponto - quando não tem morcego - achei que Bruce era só um nome em inglês, por isso escolhi Zezinho.

Claro que as meninas vieram com a cultura xamânica: “O que esse animal quer te dizer? Qual é a simbologia?”.

Não é que no dia seguinte fui a uma festa e a aniversariante ganhou um baralho de Tarô dos Animais? Todos foram pegando cartas do baralho. Deu Tatu Bola, Baleia, Anta. E eu? Com minha mãozinha esquerda, passando por cima das cartas procurando sentir algum chamado, tirei o Morcego!! Juro!

Fui ler a explicação: "O morcego pode trazer muitos poderes psíquicos, como o de ver o que está oculto em todas as coisas e ouvir as frequências que vem pelo ar. O morcego está te convidando a fazer a travessia pela noite escura da alma! Ele será o guia! A luz estará esperando por você!"

Então, tá! Negócio fechado! Vou prestar atenção no que está oculto, olhar embaixo da cama, dentro das calças, embaixo dos vestidos, no escuro da narina, no fechadinho do coração! Vou pegar a mochila e vou com Zezinho Bruce em direção à luz.

Levarei óculos escuros e umas frutinhas básicas para não correr o risco dele enxergar alguns melões na altura do meu peito. Vai quê!
Ah, faltou contar como tudo se resolveu: por causa dos tais perigosos fungos, bloqueamos uma entrada lá no alto do quarto, entre a parede e o teto. E também no final da tarde fechamos todas as portas da casa.

O doce morcego não voltou mais. Onde estará? Será que está com frio?
Com saudades? Se envolveu com a vizinha? Cancelou a viagem para a luz?

Tenho planos de psicografar uma carta aberta dele para mim, refletindo sobre propriedade privada e comunicação entre espécies. Mas já que ele se engraçou com a vizinha, estou negociando com Batman os royalties envolvidos nessa empreitada.

Mora?



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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.



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