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26/10/2006

Arte e Política Não gostei da Bienal de São Paulo



Não gostei da Bienal de São Paulo. Por algum motivo não gostei. Muita elaboração nas explicações, um destaque exagerado para a Curadora e seus assistentes. Assim como a seu presidente.

Não se fala de nenhum artista. Muito conceito, muita conversa sobre conjunto, coisas do tipo: "É preciso entender a mostra como um todo". Ou ainda: "se prestarem atenção, têm inclusive obras conceituais de altíssimo valor e também manifestações coletivas de altíssima qualidade." E mais: "não conseguiríamos captar a essência do trabalho, mas que o todo, tirando um ou outro aspecto, estava atingindo na mosca o objetivo."

Escutei gente revoltada falando: "talvez, só talvez, devêssemos dar um pulinho até lá e, gesticulando grandes amplexos,a fagar a sra."Zizete" (este
é o verdadeiro nome de Lizete Lagnado, a curadora) por nos ter dado a maior e mais panfletária, maniqueísta e confusa Bienal de todos os tempos.

Tirando opiniões variadas, não me emocionou ou interessou. Do mesmo jeito que alguém compra arte (a não ser por investimento, quando só interessa se vai dar lucro monetário), gostando ou não.

Talvez tivesse que ser ainda mais intelectualizado, ou ainda entender o prazer de um belo e vazio discurso sobre o óbvio ululante (trocadilho sem querer).

Mas lembrando o estado em que as coisas estão reduzidas em nosso país e em nosso cotidiano; a estética de nossos aglomerados urbanos; a visão curta da população de um modo geral; a mentira gritada aos 7 ventos sem parar; a bovinice e a incivilidade de nossos caminhares. O roubo permanente praticado pelos prestadores de serviço e a avalizadora postura daqueles que nos governam - e digo todos, sem exceção - com inúmeras matizes camaleônicas. Sem esforço nenhum, nos prejudicam todo o tempo, atormentando nossas vidas e nosso bem estar. As periferias vivendo na idade da pedra, e avançando sem consciência por todo o resto que pudesse ter resistido a barbárie. Tudo devagar, e ainda põe radares, lombadas e buracos, sejam figurativos ou reais. O que importa é deixar as pessoas sempre esperando, inertes. Em filas, entorpecidas. E procriando com a benção e incentivo dos homens do senhor Jesus e do senhor Ganância. Super população é a mãe de todos os problemas.

Não se pode mais pensar, o caminho tem que ser aquele determinado pelos governantes. Pagar contas e mais contas injustas, desonestas e desesperadoras. E a força da lei, a quem não concordar em ser permanentemente abusado por um estado imcompetente, desonesto e ladrão. Esqueçam a justiça, aqui, além de cega e surda, é muda. Mas quem a pratica é rico e invisível.

Assim, é claro, que o resultado de uma Bienal de Arte dentro de um sistema hermético e autoritário, iria produzir algo exatamente para aqueles que produzem esse país. Para aqueles que são ufanistas de carteirinha, nacionalistas extremados, burros equivocados, incompetentes mal-intencionados, que defendem a estética da miséria e da pobreza, medíocres inocentes úteis dos produtores do fim do mundo.

No nosso mundo onde o Deus Midiático domina, as oscilações do gosto aceleram. Nada é definitivo, no caso desta Bienal é um alívio lembrar que ela passará. Espero que o resto também.


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Afonso de Luca

Afonso de Luca
Artista Plástico

Nasceu na Cidade de São Paulo - SP. - Brasil, em 12/02/1954.
Começou a pintar em 1964.
Em 1969, viajou para a Europa, onde passou alguns anos.

site: www.fonthor.com

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