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Já Rolou - Mulheres que Marcaram Cotia vai além da homenagem e assume tom de manifesto

18/03/2026




Encontro na Câmara reúne trajetórias femininas, denúncias e cobranças por mais espaço das mulheres na política

A Câmara Municipal de Cotia ficou lotada na noite de sexta-feira (13) para a primeira edição do evento “Mulheres que Marcaram Cotia”, iniciativa do coletivo feminino da equipe do vereador Dr. Silvio Cabral. O que seria uma cerimônia de homenagens se transformou em algo mais amplo: um espaço de fala, denúncia e afirmação política das mulheres no município.

Mais do que celebrar trajetórias, o encontro assumiu um tom de manifesto — direto, emotivo e, em muitos momentos, contundente. 

Entre as homenageadas, nomes com atuação em diferentes frentes da cidade: Gilda Pompeia, professora e ex-vereadora, uma das últimas mulheres eleitas para a Câmara de Cotia e símbolo da presença feminina na política local; Ângela Maluf, ex-vice-prefeita; Lúcia Torrezani, também ex-vice-prefeita e ligada à fundação da Apae Cotia; Meire Sinoca, primeira mulher a presidir a tradicional Romaria de Cotia; Ana Alcântara, jornalista e ecofeminista; além de lideranças comunitárias como Eva Lima de Assis Lima, com longa atuação no Pequeno Cotolengo Paulista, e Geuza Franca, Raquel Nunes da Silva e Rita Almeida, com atuação social no município. 

Entre homenagens e posicionamento

O ponto alto da noite foi a entrega do título de Cidadã Cotiana à professora e ex-vereadora Gilda Pompeia. Em sua fala, mais do que agradecer, ela trouxe reflexões sobre a trajetória das mulheres na política e criticou a desigualdade de gênero, lembrando que o 8 de março não é uma data de celebração, mas de luta.

Outro momento de forte impacto foi a homenagem à mãe de Ariana Ferreira dos Santos, vítima de feminicídio. A leitura da moção de pesar — aprovada por unanimidade — e o depoimento emocionado da família transformaram o plenário em um espaço de luto coletivo e denúncia.

Expressões como “Ariana presente” e “Não é não” ecoaram ao longo da noite, reforçando que o evento não se limitava à celebração, mas assumia uma postura clara contra a violência de gênero.

Vozes que cobram mudança

A ecofeminista Ana Alcântara ampliou o debate ao apontar o patriarcado como um sistema que impacta não apenas as mulheres, mas toda a sociedade, enquanto lideranças locais reforçaram a necessidade de união e mobilização.

Na política, Cida Aires, presidente do PSOL Cotia, fez um chamado direto por mais presença feminina nos espaços de poder. Ao lembrar das mulheres que abriram caminho antes dela, destacou que a ampliação de cadeiras no Legislativo, prevista para 2028, não pode repetir o padrão atual: “não é possível que as novas vagas sejam ocupadas por mais homens”. 

Na mesma linha, outras falas trouxeram reivindicações concretas, como a ampliação de políticas públicas voltadas às mulheres, incluindo equipamentos de acolhimento e proteção, além do enfrentamento estrutural à violência.

Em sua fala, o vereador Dr. Silvio Cabral destacou o papel central das mulheres nas lutas cotidianas do município e vinculou o evento às pautas do seu mandato. “O nosso mandato é um instrumento de busca pela igualdade. As nossas principais bandeiras são a regularização fundiária, a moradia digna, o combate à fome e a assistência social. E, na maior parte dessas lutas, a maioria das pessoas presentes são mulheres, geralmente é a mulher que está brigando, no dia a dia, pela melhoria de sua casa”, afirmou.

Presenças e simbolismo

Além de autoridades municipais, o evento também reuniu familiares e apoiadores. Entre eles, a presença de Maria Cristina, mãe do vereador Silvio Cabral, acrescentou um componente simbólico à noite marcada pelo protagonismo feminino.

Da celebração ao ato político

Se a proposta inicial era reconhecer mulheres que marcaram Cotia, o resultado foi um evento que também marcou posição. A combinação entre homenagens, relatos pessoais, denúncias e reivindicações deu ao encontro um caráter de mobilização.

Ao final, ficou evidente que a iniciativa vai além de um calendário simbólico: trata-se de ocupar espaços institucionais com pautas historicamente silenciadas — e transformar cerimônias em instrumentos de pressão e visibilidade.

Porque, naquela noite, mais do que lembrar o passado, as mulheres deixaram claro que estão participando do presente e, principalmente, do futuro de Cotia.

(fontes: Revista Circuito - Monica Krausz/Instagram  - S. Cabral)


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