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Prefeitura de Cotia
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Já Rolou - Palestra para servidores destaca o papel dos homens na promoção do respeito às mulheres

02/07/2026



Encontro reuniu lideranças da Prefeitura de Cotia e reforçou a importância da mudança de comportamento para a construção de ambientes mais respeitosos e igualitários

Servidores da Prefeitura de Cotia que ocupam cargos de liderança participaram da palestra "Por que não falar: um ato de coragem", ministrada pelo enfermeiro e especialista em saúde mental Danilo Silva. O encontro promoveu reflexões sobre machismo, misoginia, desigualdade de gênero e violência estrutural, destacando a importância da participação dos homens na construção de relações mais respeitosas e de ambientes de trabalho livres de discriminação.

Durante a abertura, o chefe de Gabinete do prefeito, Welington Formiga, representando o prefeito Edgar de Souza, ressaltou que o enfrentamento à violência contra a mulher depende do compromisso de toda a sociedade.

"O pacto pelo fim da violência tem que envolver todos nós."

Ele destacou ainda que administrar uma cidade também significa cuidar das relações humanas.

"Como é que eu posso falar que estou mudando a educação ou a saúde se não dou bom dia para quem passa ao meu lado? Se sou desrespeitoso com quem trabalha comigo? O cuidado com as pessoas também faz parte da missão de quem administra uma cidade."

Machismo vai além da violência física

Ao longo da palestra, Danilo Silva explicou que o machismo não se limita aos casos de agressão física ou violência explícita. Segundo ele, trata-se de uma construção histórica que coloca homens e mulheres em posições desiguais e que, muitas vezes, se manifesta em atitudes consideradas comuns no cotidiano.

Interromper mulheres durante reuniões, questionar sua capacidade profissional, fazer comentários depreciativos ou tratar ofensas como "brincadeiras" foram alguns dos exemplos apresentados pelo palestrante como comportamentos que contribuem para manter a desigualdade.

"Não é só o falar. São as ações que estão por trás das falas."

Danilo também destacou que pequenas atitudes podem reforçar uma cultura de desrespeito quando são naturalizadas ao longo do tempo.

Respeito se constrói nas atitudes diárias

Ao abordar o ambiente de trabalho, o palestrante afirmou que políticas institucionais são importantes, mas precisam ser acompanhadas de mudanças individuais.

Entre as práticas que contribuem para relações mais saudáveis, ele destacou a escuta ativa, a comunicação respeitosa, a valorização das competências, o combate a atitudes discriminatórias e a promoção de oportunidades igualitárias.

"Respeito não é apenas um valor institucional. É uma prática diária."

Segundo Danilo, a construção de um ambiente mais justo depende das escolhas feitas por cada pessoa.

"Construir um ambiente mais justo não depende apenas de políticas institucionais. Depende também das escolhas que cada um de nós fazemos todos os dias."

Responsabilidade compartilhada

Outro tema abordado foi o chamado machismo estrutural. O palestrante explicou que muitos comportamentos discriminatórios são reproduzidos porque fazem parte da cultura em que as pessoas foram educadas, mas ressaltou que isso não significa que devam ser mantidos.

Ele também propôs uma reflexão sobre o conceito de submissão, defendendo que homens e mulheres devem compartilhar responsabilidades e objetivos comuns.

"Submissão não é eu mandar e a mulher ter que obedecer. É estarmos sob a mesma missão."

Durante a palestra, Danilo reforçou que a igualdade de gênero não representa perda de espaço para os homens, mas um benefício para toda a sociedade.

"Igualdade não é disputa. É uma construção coletiva."

Segundo ele, homens têm papel fundamental na promoção do respeito às mulheres, adotando atitudes como ouvir, acolher, rever comportamentos e não normalizar piadas, comentários ou situações de constrangimento.

Cultura de respeito

Na parte final do encontro, o palestrante destacou a importância de garantir que as mulheres tenham voz e sejam ouvidas em todos os espaços.

"Quando uma mulher fala e não é ouvida, não é apenas uma voz que se perde. É uma história, uma capacidade e uma possibilidade que deixam de existir naquele espaço."

Ele concluiu afirmando que discutir machismo e misoginia não significa promover uma disputa entre homens e mulheres, mas fortalecer relações baseadas no respeito.

"Falar sobre machismo e misoginia não é uma guerra entre homem e mulher. É um convite para que todos nós possamos construir relações mais justas, respeitosas e humanas."

Encerrando o evento, o prefeito Edgar de Souza reforçou que a Prefeitura pretende ampliar ações de conscientização entre os servidores e destacou que transformar comportamentos exige aprendizado contínuo.

"Nós precisamos dos homens dentro dessa discussão. Não dá para achar que isso é uma questão das mulheres. Isso é uma questão nossa."

O prefeito também ressaltou que muitas atitudes discriminatórias foram naturalizadas ao longo dos anos, mas podem e devem ser transformadas.

"Tem coisas que são culturais. A gente tem que ir aprendendo para mudar um pouco, aprender a acolher mais, a ouvir mais, a ouvir melhor, mudando procedimentos que a gente herdou."

A palestra integrou as ações promovidas pela Prefeitura de Cotia para fortalecer uma cultura organizacional baseada no respeito, na inclusão e na valorização das pessoas, reforçando que a construção de uma sociedade mais justa depende tanto das políticas públicas quanto das atitudes adotadas diariamente por cada cidadão.


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