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Já Rolou - Xô Solidão reúne histórias de inclusão e autonomia de pessoas com deficiência em Cotia

24/09/2026



Encontro marcou o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência e teve lançamento de cartilha sobre atendimento e comunicação inclusiva

Histórias de desafios, conquistas, autonomia e busca por inclusão marcaram o encontro “Xô Solidão: Nossas Vozes, Nossas Histórias”, realizado pelo Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDDPcD) de Cotia em parceria com a Secretaria Municipal das Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade.

Realizado em referência ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, o evento reuniu pessoas com deficiência, familiares e representantes de entidades para compartilhar experiências e discutir barreiras de acessibilidade. A programação também teve o lançamento da Cartilha de Atendimento e Comunicação Inclusiva do Cioeste.

Comunicação e acessibilidade

Presidente do CMDDPcD de Cotia e integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Camila Indalécio Pereira compartilhou sua trajetória como pessoa surdocega e falou sobre as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos.

Camila tem síndrome de Usher, condição hereditária e degenerativa que provocou perda progressiva da audição e da visão. Para se comunicar, utiliza o método Tadoma, uma técnica de comunicação tátil que permite à pessoa com surdocegueira compreender a fala por meio do toque.

Segundo ela, as dificuldades de acessibilidade também estiveram presentes em espaços destinados à participação e à defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

“Tem muitas pessoas com deficiência na cidade de Cotia que estão isoladas. Ainda temos muito a trabalhar”, afirmou Camila, citando como desafios a ampliação da acessibilidade no transporte, no esporte, na cultura e em outros espaços do município.

Camila integra o Conselho Municipal desde 2018 e atualmente preside o colegiado. Ela também destacou a atuação das pessoas que participaram da construção do conselho.

“Se hoje esse Conselho está de pé, é graças às pessoas que estiveram envolvidas. Ainda temos muito para conquistar nessa cidade”, disse.

Histórias compartilhadas

Entre os relatos apresentados durante o encontro esteve o de Suzana Clini Silva, de 18 anos, que tem síndrome de Down. Acompanhada da mãe, Simone Clini, ela falou sobre seus interesses, estudos e atividades. Suzana estuda inglês, dança e tem interesse por música.

Simone destacou a necessidade de ampliar as oportunidades de convivência e de atividades para adolescentes e jovens com deficiência no município.

“A gente quer ter voz aqui na nossa cidade, com projetos”, afirmou.

Outra história apresentada foi a de Vinicius Henrique Ferreira de Melo, de seis anos, que tem acondroplasia, condição genética associada à forma mais comum de nanismo.

Acompanhado da mãe, Érica, Vinicius teve sua trajetória apresentada como exemplo dos desafios enfrentados por famílias que buscam atendimento e acompanhamento para pessoas com deficiência.

Segundo Érica, o filho nasceu prematuro, apresentou dificuldades relacionadas à fala e atualmente realiza acompanhamento fonoaudiológico no CEFOR. Ela também relatou a espera de mais de dois anos até ouvir o filho dizer “mãe”.

Arthur Henrique de Morais, de 19 anos, participou do encontro por videoconferência. Autista, estudante de Ciência de Dados na Fatec e interessado por informática e pelo idioma japonês, ele optou pela participação remota devido à dificuldade de comparecer presencialmente.

A mãe, Ana Moraes, falou sobre os desafios enfrentados pela família desde o diagnóstico e sobre a importância das redes de apoio.

“Desde o diagnóstico foi uma luta solitária. É muito bom estar junto com outras pessoas que ajudam a nos entender”, afirmou.

A participação remota também é utilizada pelo próprio CMDDPcD. As reuniões do conselho são realizadas de forma on-line para facilitar a participação de pessoas que enfrentam dificuldades de mobilidade.

Cartilha orienta sobre atendimento inclusivo

Durante o encontro, foi lançada a Cartilha de Atendimento e Comunicação Inclusiva do Cioeste. O material foi elaborado pelo grupo de trabalho voltado às políticas para pessoas com deficiência do consórcio, com participação de representantes de Cotia. A Secretaria Municipal das Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade também colaborou na etapa final da publicação.

A cartilha reúne orientações para tornar o atendimento e a comunicação mais acessíveis e inclusivos.

Solange Aroeira, vice-presidente da Câmara Técnica da Pessoa com Deficiência, destacou que a inclusão também envolve a forma de comunicação e de relacionamento com as pessoas.

“Todos temos nossas dores e dificuldades e, quando olhamos para o outro que também tem, damos as mãos e caminhamos juntos”, afirmou.

Representante do Cioeste, Letícia Queiroz Martins informou que a cartilha está sendo apresentada aos municípios integrantes do consórcio.

Vice-presidente do CMDDPcD e fonoaudióloga que atua na área de reabilitação, Luciana Raposo destacou a relação entre acessibilidade e dignidade.

“Incluir não é só permitir acesso, mas dar dignidade”, disse.

Solange Aroeira também falou sobre a necessidade de ampliar as redes de apoio às pessoas com deficiência e seus familiares.

“Ninguém deveria lutar sozinho. Uma pessoa pode ter muita força, mas não deveria precisar ser forte o tempo todo e sozinha”, afirmou.

A programação contou ainda com a participação de Nilda Aguiar, presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB, que abordou avanços e desafios relacionados à efetivação dos direitos previstos na legislação brasileira.

O encontro reuniu diferentes relatos sobre deficiência, acessibilidade e participação social e colocou em discussão a necessidade de ampliar o acesso aos serviços, espaços e políticas públicas para que pessoas com deficiência possam exercer seus direitos e participar da vida comunitária.


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