28/11/2025
Há cinquenta anos, quando a pauta ambiental ainda engatinhava no Brasil, um grupo de moradores de Embu se mobilizou para barrar um projeto que poderia alterar definitivamente a paisagem e a vida da região: a construção de um aeroporto internacional em Caucaia do Alto. A articulação começou entre 1971 e 1972 e evitou impactos diretos sobre a Represa do Morro Grande. Dela nasceu, em 1975, a Sociedade Ecológica Amigos de Embu (SEAE).
Hoje, cinco décadas depois, a entidade celebra uma trajetória singular no cenário da sociedade civil brasileira: foi protagonista de grande parte das conquistas ambientais que moldaram Embu das Artes e seu entorno.
O primeiro decênio consolidou o movimento que já atuava informalmente desde o início dos anos 1970. Em 1975, além da formalização da SEAE, seus integrantes organizaram o 1º Simpósio Ecológico do Embu, reunindo nomes como Johan Dalgas Frisch, Paulo Nogueira Neto e Ethevaldo Siqueira.
O encontro projetou a cidade como um polo emergente de debates ambientais e ajudou a construir a imagem de “Capital da Ecologia”, que marcaria Embu pelos anos seguintes.
Nessa fase, a SEAE também enfrentou a extração irregular em portos de areia e denunciou crimes ambientais — como a “passarinhada” de 1984, que expôs nacionalmente a captura ilegal de aves. Foi um dos primeiros episódios que levou o nome da organização para além das fronteiras municipais.
A partir de meados dos anos 1980, a SEAE ampliou sua presença nos bairros, fortalecendo denúncias de desmatamento e participando com mais intensidade de debates públicos.
Com a redemocratização e a Constituição de 1988, a organização passou a integrar conselhos municipais e a atuar junto ao emergente movimento de educação ambiental.
Essa década marca a transformação da SEAE: de grupo de defesa ambiental para uma instituição com agenda mais abrangente — educação, fiscalização, participação cidadã e articulação política.
Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, a SEAE viveu um período de expansão. A organização estruturou programas de educação ambiental que se tornariam referência regional, como vivências em trilha, formação de educadores, hortas escolares e atividades de campo.
Em 2003, a Agenda 21 Escolar abriu caminho para a criação de materiais pedagógicos e novas metodologias. Já em 2006, o Centro de Educação Ambiental Fonte dos Jesuítas se tornou um marco para a prática da educação ambiental na região, com trilhas, viveiro, minhocário e oficinas de agroecologia.
Ao mesmo tempo, a SEAE intensificou a luta contra empreendimentos de alto impacto e ganhou espaço na mídia regional e estadual.
A década seguinte foi marcada por uma das maiores vitórias ambientais da história local. Em 2008, após intensa articulação — da qual a SEAE foi protagonista — foi criada a APA Embu Verde, que assegurou proteção à bacia do Rio Cotia e definiu diretrizes de uso e conservação.
Projetos como CID Ambiental, Colhendo Sustentabilidade, Teatro na Educação e PJ-MAIS ampliaram o alcance da organização para municípios vizinhos, como Cotia, Itapecerica da Serra e Embu-Guaçu.
A instituição também se consolidou em conselhos gestores, comitês de bacia e redes intermunicipais, fortalecendo sua capacidade de incidência e diálogo político.
Nos últimos dez anos, a SEAE se afirmou como uma entidade que integra educação, ciência, participação social e defesa do território.
Entre 2018 e 2019, projetos de saneamento ecológico — como jardins filtrantes — ampliaram a discussão sobre águas urbanas. Durante a pandemia, ações digitais aproximaram a população dos temas socioambientais.
A partir de 2022, iniciativas como o COMUNIDEC (prevenção de desastres naturais) e o Cursinho Popular KM23 reforçaram a articulação entre meio ambiente, proteção social e educação popular.
Outro destaque do período é a chegada de intercambistas internacionais. Jovens da Turquia, França e Peru viveram o dia a dia da organização, participaram de oficinas e ações comunitárias e ampliaram o diálogo entre práticas locais e desafios globais.
Em 2024, com apoio do FEHIDRO, teve início o Conecta Cotia–Guarapiranga, projeto que desenvolve bases de dados, mapas, diagnósticos e propostas de corredores ecológicos e novas unidades de conservação para a região sudoeste da metrópole.
A SEAE também passou a atuar em redes intermunicipais e em conferências regionais, como a 1ª Conferência Livre Intermunicipal “Guardiões das Matas dos 5 Ecoterritórios”, em 2025, no Parque CEMUCAM.
Todas essas conquistas só foram possíveis graças ao engajamento da sociedade, além do apoio de parceiros, associados, colaboradores e doadores ao longo de cinco décadas.
Ao completar meio século, a SEAE vive um ponto de virada. O presidente Ricardo Simi, que lidera a organização desde 2021 e segue no Conselho Diretor, destaca:
“A SEAE celebra 50 anos de lutas e conquistas em defesa do meio ambiente, da cidadania e do desenvolvimento sustentável. É uma honra fazer parte dessa história e testemunhar o empenho de tantas pessoas comprometidas com um futuro mais justo e equilibrado. A SEAE é feita de gente que sonha, trabalha e transforma. Que os próximos anos venham com ainda mais união, coragem e propósito.”
A fala reflete o espírito que acompanha a entidade desde sua origem: mobilização constante e participação social como caminhos para transformar o território.
Cinco décadas depois da mobilização que deu origem à SEAE, o Morro Grande — área que inspirou a criação da entidade — finalmente recebeu proteção integral. Em 2025, o Governo do Estado oficializou a criação do Parque Estadual do Morro Grande, garantindo a preservação de uma das áreas mais estratégicas para a biodiversidade e para os recursos hídricos da Região Metropolitana.
Se, nos anos 1970, a luta era impedir sua destruição, o desafio agora é outro: assegurar a implementação do parque, o funcionamento do conselho gestor, a participação da comunidade e uma gestão baseada em ciência, transparência e envolvimento social.
A SEAE entra em seu cinquentenário, portanto, não encerrando um ciclo, mas abrindo outro — um período que exigirá novamente vigilância, articulação e presença contínua.
Criada oficialmente em 1975, a Sociedade Ecológica Amigos de Embu surgiu da união de moradores preocupados com os desafios ambientais da cidade. Desde então, atua em defesa da conservação, recuperação e proteção do meio ambiente, integrando cuidado com a terra e com as pessoas.
A missão atual da SEAE é inspirar e capacitar comunidades para transformações socioambientais, culturais e econômicas, contribuindo para a construção de um futuro mais justo e sustentável.
Telefone: (11) 4781-6837
E-mail: contato@seaembu.org
Endereço: Rua João Batista Medina, 358 – Jardim Maranhão – Embu das Artes (SP)
Site: seae-embu.org
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