27/11/2025
Mauricio Orth
Depois de uma primeira entrevista feita em janeiro deste ano, o Site da Granja foi até a Administração Regional da Granja Viana para conversar. Escutou sobre a intensificação neste ano das ações de zeladoria, limpeza urbana e atendimento direto à comunidade. Na avaliação do administrador Fernando Guedes, a transformação que a região precisa passa também — e sobretudo — pela mudança de atitude dos moradores. “A cidade melhora de verdade quando cada morador cumpre o que a legislação determina”, diz.
A entrevista aconteceu na sede da Regional, com a participação da arquiteta Angélica Galante, que tem atuado como braço técnico da equipe, que conta também agora com o engenheiro Manuel Fernandes.
Do encontro saem três mensagens claras: a subprefeitura está trabalhando, e muito; a lei atribui deveres ao proprietário; e a corresponsabilidade da população é essencial para melhorar a qualidade de vida na região.
Balanço do trabalho e limitações orçamentárias
Segundo Guedes, os primeiros meses da gestão foram de esforço intenso para recompor serviços deixados sem atenção após o período eleitoral. A equipe teve de priorizar limpeza, atendimento emergencial às áreas atingidas pelas chuvas e ações de zeladoria. O subprefeito reconhece limitações orçamentárias — o orçamento do ano vinha de gestões anteriores —, mas afirma que a autonomia prometida para o ano seguinte deve facilitar um planejamento mais organizado e intervenções mais rápidas.
“Trabalhamos sábado, domingo, às vezes as pessoas me encontram na rua — estou na rua todos os dias. A tendência é melhorar no próximo ano, com equipe e suporte técnico melhores”, afirmou Guedes.
Números que mostram ritmo de trabalho
A Regional apresentou o seguinte apanhado de atendimentos desde o começo do ano:
463 demandas oficiais com processos abertos; 408 dessas já atendidas.
57 demandas extraoficiais solicitadas diretamente na Regional — todas atendidas.
Angélica complementa que, somando iniciativas próprias e demandas diversas, são mais de 500 registros, “com mais de 400 atendimentos” efetivados.
Esses números incluem serviços como tapa-buraco, roçagem, limpeza, desassoreamento de córregos e sinalização de trânsito — além de ações realizadas por iniciativa da própria Regional.
Lei e deveres: calçadas, terrenos e descarte — o que mora na responsabilidade do proprietário
A equipe técnica da Regional tem orientado moradores com base nas normas municipais e no Código de Obras. Angélica lembra que muitos cidadãos desconhecem obrigações básicas — e que a primeira abordagem da Regional é sempre orientativa.
Entre os pontos citados na entrevista:
Manutenção das calçadas: é dever do proprietário construir e conservar a calçada na testada do lote, com materiais resistentes e sem desníveis que impeçam a circulação, conforme a legislação.
Limpeza e conservação de terrenos: lotes e imóveis abandonados que acumulam mato e detritos que representam risco à saúde pública (pragas, escorpiões, alagamentos).
Descarte correto: móveis, colchões e outros volumosos exigem destinação adequada; os serviços de desassoreamento indicam muita coisa jogada nos rios e nas ruas. A Regional dispõe de ecoponto e serviços quando há casos sociais que impeçam o transporte.
Guedes relata que a equipe sempre procura primeiro o diálogo: “Nós vamos lá, conversamos, mostramos como deve ser — e muitos aderem. Em alguns extremos, tivemos que notificar e aplicar a lei.”
Ecoponto e denúncias: como a população pode colaborar
A Regional reforça que a colaboração do morador é prática e direta: não deixar entulho na rua, levar o que for possível (e adequado) ao ecoponto e denunciar descarte irregular. O ecoponto da Granja mencionado na entrevista funciona na Rua Salma, 581 — e a administração planeja abrir outros pontos em Cotia
Guedes faz um apelo simples: “Respeito. E, quando precisar, procurar a Regional — muitas famílias têm dificuldades e a prefeitura ajuda, mas não pode virar um jeitinho para todos os casos.”
Temas sensíveis: árvores, fiação e plano diretor
A conversa também abordou temas mais complexos: Como símbolo, Guedes adoraria ver a rua José Félix e Avenida São Camilo com calçadas apropriadas, o que segundo ele, passaria por pequenas desapropriações. Outros assuntos, como a poda e remoção de árvores em situações que interfiram em segurança, o que fazer com a fiação aérea (cujo soterramento é muito caro), quais os limites do território da Granja (o chamado “abairramento” prometido pelo prefeito) e efeitos das (in)decisões do Plano Diretor que alteraram o marco regulatório nos últimos anos. Guedes ressaltou que decisões de maior impacto urbano exigem ações conjuntas com secretarias, órgãos ambientais e, quando necessário, até suporte jurídico, pela falta de infraestrutura evidente em locais que contam com aprovações de construções de múltiplos pavimentos (mais conhecidos como “prédios”.)
Conclusão — corresponsabilidade como caminho
A mensagem que fica é prática e pedagógica: a Subprefeitura garante atendimento e intervenção, mas a melhoria do espaço urbano depende também da ação cotidiana do morador. “Queremos que a Granja reflita o cuidado de quem vive nela. O poder público tem responsabilidades — mas o morador também”, resume Guedes.
Serviço
A Administração Regional da Granja Viana é responsável por serviços como fiscalização e zeladoria em áreas públicas nos trechos 21 ao 30 da Rodovia Raposo Tavares. Informações de contato e horário:
Endereço: Avenida Denne, 163, Parque São George.
Telefone: (11) 4702-3964.
E-mail: admregional.granjaviana@cotia.sp.gov.br.
Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
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