08/05/2026
A proposta da Prefeitura de São Paulo de instalar polos gastronômicos em parques municipais voltou a gerar debate durante Audiência Pública realizada nesta quarta-feira (6), na Câmara Municipal de São Paulo. Entre os parques incluídos no projeto está o Parque Cemucam, tema que o Site da Granja já vinha acompanhando em matérias anteriores e que mobiliza moradores de Cotia, Granja Viana e região.
Como já mostrado anteriormente pelo Site da Granja, a proposta prevê a instalação de restaurantes, quiosques, food trucks e carrinhos em 31 parques municipais. O modelo é defendido pela Prefeitura como forma de ampliar a infraestrutura e fomentar o empreendedorismo, mas vem despertando críticas de frequentadores, ambientalistas e conselhos gestores.
Renata Falzoni e Nabil Bonduki durante a audiência - Reprodução Redes Sociais
A audiência foi convocada pelo vereador Nabil Bonduki (PT), presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, com participação das vereadoras Marina Bragante (REDE) e Renata Falzoni (PSB).
Durante o encontro, moradores, pesquisadores, representantes de movimentos ambientais e integrantes de conselhos gestores manifestaram preocupação com os impactos ambientais, urbanísticos e sociais da proposta.
O Parque Cemucam esteve entre os espaços citados nas discussões. Frequentadores demonstraram receio de que a instalação de estruturas comerciais permanentes altere a vocação ambiental e pública do parque, considerado uma das áreas verdes mais importantes da região oeste metropolitana.
Na convocação da audiência, Nabil Bonduki questionou o modelo de ocupação proposto pela Prefeitura e alertou para o risco de transformar parques públicos em espaços de consumo semelhantes aos parques concedidos à iniciativa privada, marcados por ativações comerciais, eventos e exploração econômica intensiva.
Durante a audiência, o vereador defendeu que cada parque seja analisado individualmente, respeitando suas características ambientais e urbanísticas.
“Esse assunto deveria começar no conselho gestor, para então gerar um debate sobre se cada parque deve ou não ter um ponto de alimentação”, afirmou Bonduki.
O parlamentar também destacou que parques inseridos em regiões já abastecidas por bares e restaurantes talvez não necessitem de novas estruturas gastronômicas internas, reforçando a importância da participação popular e dos conselhos gestores nas decisões.
A vereadora Renata Falzoni criticou a condução do processo e afirmou que o edital prioriza arrecadação financeira sem diretrizes claras de proteção ambiental.
Já Marina Bragante reforçou a importância das audiências públicas como espaço efetivo de escuta da população.
Conselheiros de diversos parques incluídos na proposta — entre eles o Cemucam — afirmaram que não foram consultados previamente e manifestaram posicionamento contrário ao projeto nos moldes atuais.
Moradores e movimentos ambientais também demonstraram preocupação com aumento de resíduos, poluição sonora, descaracterização dos espaços públicos e possível “gourmetização” dos parques.
A Prefeitura de São Paulo afirma que o projeto não representa privatização dos parques, mas sim qualificação dos espaços públicos e incentivo à economia local.
O Site da Granja já abordou anteriormente o tema nas reportagens:
• “Cemucam poderá ter restaurante e reacende debate sobre o futuro do parque”
• “Abaixo-assinado questiona proposta de polo gastronômico em parques e inclui o Cemucam”
A petição pública contrária ao projeto segue recebendo assinaturas:
Carta-manifesto sobre o projeto de comércio de alimentos nos parques de São Paulo
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