05/10/2026
Mauricio Orth
As eleições de 2026 produziram um novo mapa político no Brasil — e seus efeitos não ficam restritos a Brasília. A disputa pela Presidência terá segundo turno entre Flávio Bolsonaro com 47,04% dos votos válidos, contra 45,15% de Lula. A nova votação está marcada para 25 de outubro.
O que se tem de concreto por enquanto é a nova composição do Congresso, os governos estaduais e das Assembleias Legislativas que já demonstram mudanças importantes produzidas pelas urnas.
O Senado mostra a dimensão do avanço do PL
O resultado mais expressivo do PL aparece no Senado. O partido elegeu 19 novos senadores nas 54 vagas em disputa e chegará a 28 integrantes na próxima legislatura, tornando-se a maior bancada partidária da Casa desde 1988.
Na Câmara dos Deputados, o movimento também foi significativo: o PL elegeu 121 deputados, formando a maior bancada de uma única legenda desde a Constituição de 1988. Ela bate o recorde do PMDB em 1990, quando o partido elegeu 108 deputados federais para uma Câmara de 503 cadeiras.
A segunda maior bancada será a federação PT-PCdoB-PV, com 88 deputados, enquanto a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá 87.
PL e Centrão: força partidária não significa maioria
Apesar de ter a maior representação partidária na Câmara desde 1988, o PL não terá sozinho votos suficientes para aprovar todas as matérias que exigem maioria no Congresso.
Aqui volta a aparecer o chamado Centrão. O termo não designa um partido nem uma bancada única: é uma denominação usada para um conjunto variável de partidos e parlamentares de centro e centro-direita que, dependendo do tema e do governo, negociam apoio a projetos, participação na administração e espaço no orçamento.
O resultado de 2026, portanto, coloca o PL fortalecido como legenda individual. A formação de maiorias ainda continuará dependendo da capacidade de negociação com outras bancadas.
O mercado já precificou uma expectativa
A vantagem de Flávio no primeiro turno e o fortalecimento do PL no Congresso foram recebidos pelo mercado como sinal potencial de mudança na condução da política econômica, especialmente na área fiscal. O Ibovespa chegou a subir mais de 9% no pregão seguinte ao primeiro turno, enquanto o dólar caiu abaixo de R$ 5.
Aqui vale observar uma diferença entre expectativa e programa. A plataforma de Flávio traz diretrizes de ajuste fiscal e controle da dívida, mas ainda não detalha integralmente sua execução. O desenho das medidas fiscais ainda é uma das principais incógnitas.
O movimento pode ser lido, portanto, como um voto de confiança que ainda precisará ser confrontado com as medidas efetivamente adotadas e seus resultados.
São Paulo reforça o novo desenho
Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador já no primeiro turno, com 62,8% dos votos válidos. Fernando Haddad (PT) ficou em segundo, com 36,2%.
Para o Senado, São Paulo elegeu Guilherme Derrite (PP), com 30,59%, e André do Prado (PL), com 29,28%.
Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou 19 das 70 cadeiras destinadas a São Paulo. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 11; Podemos, PSD, Republicanos e Federação PSOL-Rede elegeram seis cada.
Uma representação regional que ultrapassa os limites municipais
Cotia não está isolada politicamente. Osasco, Barueri, Cajamar, Itapevi, Taboão da Serra, Carapicuíba, Embu das Artes, Vargem Grande Paulista e outras cidades possuem relações econômicas, viárias e sociais cada vez mais integradas.
A nova composição da Alesp coloca nessa área uma série de deputados com bases eleitorais próximas.
Rogério Lins, de Osasco, foi eleito com 229.928 votos; Danilo Joan, de Cajamar, teve 182.839; Bruna Furlan, de Barueri, 157.381; Emidio, de Osasco, 108.275; Analice Fernandes, 88.784; Ely Santos, 82.559; e Camila Godoi também conquistou uma cadeira. Rogério Franco, de Cotia, completa esse grupo.
Os números oficiais do TRE-SP mostram outros parlamentares eleitos com bases na região. O resultado permite identificar uma concentração de representantes politicamente vinculados a municípios do Oeste e do Sudoeste da Grande São Paulo.
Para Cotia, isso pode ser relevante porque muitos dos problemas que chegam à agenda estadual não terminam na divisa do município.
Mobilidade, transporte, saneamento, saúde, infraestrutura, meio ambiente e desenvolvimento econômico dependem de decisões que frequentemente envolvem mais de uma cidade.
Cotia volta a ter um deputado estadual
Depois de um longo período sem um deputado estadual diretamente identificado com o município, Cotia volta a ter representação própria na Assembleia Legislativa.
Rogério Franco (PL) foi eleito com 89.156 votos e ficou em 57º lugar entre os 94 eleitos. Entre os 27 deputados eleitos pelo partido, ficou em 17º. Para se ter uma ideia da importância do quociente eleitoral, Renato Battista (Missão) teve 333 votos a mais e ficou de fora.
Dos 18 nomes apresentados pelo Site da Granja, um chega à cadeira
O resultado foi direto: Rogério Franco foi o único dos 18 a conquistar uma cadeira.
Dos que não foram
Dos 18 nomes apresentados pelo Site da Granja, ficaram de fora na disputa para a Assembleia, Alessandra Alves, Cida Aires, Edinho Souza, Edson Silva, Johny Santos, Juliana Machado, Paulo Tomat e Vavá Oliveira.
Na corrida pela Câmara dos Deputados, não foram eleitos Alfredo Bosi, Ângela Maluf, Beto Rodovalho, Bispo Raí de Oliveira, Estela Brugnera, Eduardo Xaropinho, Fernando Confiança, Pedro Almeida e Pastora Sandra Ferreira.
O que muda para Cotia?
A eleição, por si só, não garante recursos, obras ou mudanças de políticas públicas.
Há agora um deputado estadual diretamente identificado com a cidade e, ao mesmo tempo, um conjunto de parlamentares eleitos em municípios próximos. Isso amplia os canais possíveis de articulação política, mas também aumenta a responsabilidade de acompanhar o que efetivamente será feito.
A nova representação precisará ser medida, daqui para frente, por sua atuação parlamentar, e especialmente pela capacidade de articulação regional.
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