01/12/2025
Mauricio Orth
Quem nunca encontrou um ingresso “mais barato”, uma casa de temporada com fotos de revista ou aquela oferta irresistível numa loja virtual recém-descoberta? Pois é justamente aí que mora o perigo. A explosão das compras online, dos pagamentos instantâneos e da vida digital abriu espaço para uma verdadeira indústria de sites falsos — páginas que imitam lojas, serviços e até plataformas de ingressos, mas cujo objetivo é um só: fazer o consumidor pagar por algo que não existe.
Os golpes digitais vêm crescendo em escala alarmante no Brasil: segundo publicação do Senado Federal, um levantamento divulgado em 2024 indica que 24% da população (pessoas acima de 16 anos) já foram vítimas de algum golpe digital nos últimos 12 meses. Isso representa algo como mais de 40,85 milhões de pessoas. Já o Serasa Experian publicou relatório recente apontando que, em 2024, 51% dos brasileiros foram vítimas de fraude — e mais da metade dessas pessoas (54,2%) sofreram perda financeira.
Em 2025, o país registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre, uma a cada 2,3 segundos(!). Apesar dos números impressionantes, o problema é ainda maior, já que a subnotificação é alta e muitos casos não entram nas estatísticas oficiais, mas o cenário deixa claro que golpes envolvendo sites falsos, locações e compras online fazem parte de um movimento amplo e crescente de vulnerabilidade digital no país. E o pior: quem cai muitas vezes só percebe depois.
A armadilha perfeita: bonita, convincente e com pressa
Os criminosos descobriram a fórmula: criar sites com visual profissional, colocar anúncios nas redes sociais, oferecer “últimas unidades”, dar descontos impossíveis e aceitar somente Pix. É o suficiente para fisgar quem está buscando uma oportunidade.
Os golpes se multiplicam em três áreas especialmente vulneráveis:
• Ingressos de shows e eventos
• Locação de imóveis de temporada
• Serviços e produtos com “promoções de última hora”
E aqui entram histórias que poderiam acontecer com qualquer pessoa.
Quando o show não acontece — pelo menos para a vítima
Um site de ingressos muito parecido com uma plataforma famosa enganou centenas de fãs de uma banda internacional: nome quase igual, preços atraentes e pagamento só por Pix. Após a compra, o QR Code enviado era falso — e ninguém conseguia entrar no show. Pouco depois, o site simplesmente desapareceu.
O paraíso da praia que nunca existiu
Um casal de São Paulo alugou online uma casa de temporada na Riviera de São Lourenço: fotos lindas, calendário atualizado e preço tentador. Pagaram metade via Pix, mas, ao checar o endereço dias antes da viagem, descobriram que o imóvel não existia. O site usava fotos reais de anúncios antigos e o “proprietário” sumiu.
Por que isso está crescendo tanto?
Porque é fácil, barato e rápido montar um site falso hoje. E as pessoas estão comprando mais online do que nunca. Outro motivo é a sensação de urgência. Golpistas fazem ofertas com desconto, ameaçam “últimas unidades” e criam um ambiente emocional que reduz a atenção. A engenharia social — o famoso “jeitinho psicológico” do golpe — está cada vez mais sofisticada.
E tem mais: com o Pix, o dinheiro some imediatamente. Golpistas preferem esse método porque não oferece possibilidade de estorno. Para completar, sites falsos desaparecem em questão de dias, sendo substituídos por outros.
Como se proteger
A boa notícia: dá pra evitar a maioria dos golpes com alguns cuidados simples.
Ferramentas como o Site Confiável, por exemplo, avaliam reputação, idade do domínio, histórico e sinais de risco — basta colar a URL lá antes de comprar.
Mas além disso:
Verifique CNPJ, endereço e canais de atendimento.
Pesquise reclamações em sites de consumidores.
Compare preços com outras plataformas.
Confira a URL com atenção — golpes costumam usar endereços parecidos.
Desconfie de urgências e descontos fora da realidade.
Dê preferência ao cartão de crédito, que permite contestar cobranças.
Não envie Pix para pessoas físicas em compras e serviços.
Regra geral: se parece bom demais para ser verdade… provavelmente não é.
O que isso tudo revela
A quantidade de golpes mostra que a fraude online se tornou um problema de escala nacional. Hoje, golpistas operam como verdadeiras empresas — com marketing, anúncios, script de atendimento e até suporte falso. Mas, com informação e atenção, dá para evitar a maioria dessas armadilhas.
A Internet facilita muitas coisas — inclusive cair em roubadas.
A diferença entre uma compra segura e um prejuízo está, muitas vezes, em pausar alguns segundos e verificar.
Não teve como evitar? Segue aqui o passo a passo de como registrar um BO por golpe online em São Paulo
Acesse o site oficial da Delegacia Eletrônica:
No menu inicial, clique em “Comunicar Ocorrência”.
Escolha a categoria “Estelionato”, “Golpe pela internet” ou a opção mais próxima do tipo de fraude sofrida.
Preencha o formulário com seus dados pessoais e um relato claro do que aconteceu.
Anexe comprovantes, como:
- prints da conversa,
- página do site falso,
- comprovante de pagamento (Pix ou boleto),
- e-mails ou mensagens trocadas.
Revise as informações e clique em “Enviar”.
Você receberá um número de protocolo e, depois, o BO completo por e-mail.
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