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Cotia adere a sistema federal de monitoramento por satélite para combater irregularidades ambientais e urbanas

19/10/2026


Plataforma do Ministério da Justiça e Segurança Pública, coordenada pela Polícia Federal, utiliza inteligência artificial para identificar desmatamentos, loteamentos clandestinos e alterações no uso do solo

A Prefeitura de Cotia aderiu à plataforma Brasil M.A.I.S. (Meio Ambiente Integrado e Seguro), iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, coordenada pela Polícia Federal, que utiliza imagens de satélite e inteligência artificial para monitorar alterações no território brasileiro.

A ferramenta permite identificar possíveis irregularidades ambientais e urbanas, como desmatamentos, abertura de vias sem autorização, queimadas e movimentações de terra. No município, uma das prioridades é o combate aos loteamentos clandestinos, especialmente nas áreas próximas à Reserva Florestal do Morro Grande.

Segundo a Secretaria de Habitação, Cotia enfrenta um histórico de parcelamento irregular do solo, com processos judiciais relacionados ao tema. O secretário da pasta, Airton Amaral, afirmou que a fiscalização convencional exige equipes em campo e comparações frequentes de imagens para identificar intervenções irregulares.

Antes mesmo da adesão formal ao sistema, a Polícia Federal havia comunicado à Prefeitura a existência de 27 áreas no município com indícios de supressão vegetal ou outras irregularidades. Os alertas contribuíram para a decisão de integrar Cotia à plataforma.

Com a adesão, o território municipal foi delimitado no sistema, que passa a emitir alertas automáticos quando identifica alterações entre imagens de satélite. Segundo as informações divulgadas pela Prefeitura, o intervalo entre as imagens é, em média, de 24 a 48 horas.

Fiscalização integrada

A plataforma também auxilia o trabalho do Grupo de Repressão ao Parcelamento Clandestino, criado pela Prefeitura para organizar as ações relacionadas às demandas do Ministério Público e do Judiciário.

O grupo reúne representantes de diferentes secretarias municipais, entre elas Habitação, Meio Ambiente, Segurança, Comunicação e Desenvolvimento Social. A proposta é compartilhar informações, mapear áreas críticas e coordenar medidas de fiscalização.

De acordo com Airton Amaral, o uso de ferramentas de geoprocessamento também contribui para a análise de processos judiciais, ao permitir a apresentação de mapas, imagens e dados sobre a dimensão das áreas afetadas.

Entorno do Morro Grande está entre as prioridades

O entorno da Reserva Florestal do Morro Grande está entre as regiões que recebem atenção especial no monitoramento, devido à importância ambiental da área. A identificação de desmatamentos e abertura irregular de vias permite direcionar as equipes de fiscalização para os locais com indícios de intervenção.

Outra região citada pela Secretaria de Habitação é o Parque das Nascentes, onde há disputas judiciais envolvendo ocupações irregulares em áreas públicas e particulares.

Segundo o secretário, a identificação antecipada das alterações pode contribuir para evitar a consolidação de ocupações irregulares e reduzir os impactos ambientais e urbanísticos. Ele também destacou que parte das pessoas que adquirem terrenos nessas condições pode agir de boa-fé, sem conhecer as irregularidades existentes.

Como funciona o Brasil M.A.I.S.

A plataforma Brasil M.A.I.S. é uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, coordenada pela Polícia Federal, que utiliza imagens de satélite de alta resolução e recursos de inteligência artificial para acompanhar mudanças na cobertura vegetal e no uso do solo.

Entre as funcionalidades estão a emissão de alertas automáticos sobre possíveis irregularidades, a análise espacial de áreas monitoradas e o compartilhamento de informações entre instituições públicas por meio da RedeMAIS.

O sistema pode ser utilizado por órgãos de segurança, Ministérios Públicos, Tribunais de Contas e outras instituições públicas que aderirem à iniciativa.

Entre os objetivos estão ampliar a capacidade de fiscalização, agilizar a identificação de possíveis crimes ambientais e facilitar a atuação conjunta entre órgãos municipais, estaduais e federais.



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