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Cotia nasceu como passagem. E agora?

31/03/2026


Mauricio Orth

A história do município — da rede do Peabiru às disputas sobre ativos ambientais, industriais e culturais — revela uma identidade em construção e um futuro em aberto.


Por conta do Aniversário de 170 anos de Cotia, o Site da Granja conversou com o historiador João Barcellos, um dos principais estudiosos da história do município e da região. Dessa conversa, surge uma leitura que vai além da cronologia tradicional: compreender a história de Cotia ajuda a entender processos centrais da formação do Brasil. 

Barcellos, autor de vasta obra sobre a história paulista, sustenta também que a identidade de Cotia está menos em seus marcos oficiais e mais nos movimentos que a atravessaram ao longo do tempo.

Muito antes de existir como cidade, Cotia já era um ponto de encontro.

Séculos antes da chegada dos portugueses, o território era atravessado por uma rede de trilhas indígenas que ligava o Atlântico ao Pacífico. Conhecido como Caminho do Peabiru, esse sistema não era uma rota única, ele reunia caminhos criados e utilizados por diferentes povos e civilizações, com finalidades comerciais, territoriais e simbólicas. Nesse contexto, a região já ocupava posição estratégica. Seu nome, de origem guarani — Akuti’a — pode ser traduzido como “ponto de encontro”.

Foi sobre essas bases que se apoiou a ocupação colonial. A partir de São Vicente, os portugueses avançaram rumo ao interior, vencendo a escarpa do planalto — a chamada “Serra do Mar” — até alcançar os “Campos de Piratininga”, onde se consolidaria São Paulo. É nesse processo que Cotia se afirma como ponto estratégico, um verdadeiro “hub”, um ponto de distribuição (ou convergência) de diversos caminhos.

Esse avanço não se deu apenas pela geografia. A captura e o uso de mão de obra indígena — prática conhecida como preamento — foram centrais nas expedições bandeirantes e nas estratégias de ocupação associadas às missões religiosas, inserindo a região em circuitos econômicos que sustentaram a expansão colonial.

História oficial X real

Pesquisas indicam que essa formação é mais antiga e complexa do que sugerem as versões oficiais. A partir da sesmaria de 1580 — concessão de terras da Coroa portuguesa para organizar a ocupação — e da atuação de Diogo da Costa Tavares, meio-irmão de Raposo Tavares, Cotia já se afirmava. Responsável pela construção da primeira capela dedicada à Nossa Senhora do Monte Serrat na década de 1630, Diogo já configurava Cotia como núcleo organizado. O povoado reunia condições para se tornar freguesia já em 1676.

Inicialmente localizada no Caiapiá, a capela foi transferida para terras de Estevam Lopes de Camargo, onde a paróquia se consolidou. A cidade, assim, possui dois momentos de origem — como se tivesse nascido mais de uma vez. Oficialmente, Cotia só foi elevada à condição de freguesia em 1723 e, posteriormente, à categoria de vila em 2 de abril de 1856.



Por quê?

Tornar-se freguesia significava assumir controle sobre o território. A partir daí, a vida religiosa, social e administrativa passava a ser organizada localmente, consolidando relações de poder que moldariam a cidade. Mais do que simbólico, era um passo decisivo de institucionalização.

Esse deslocamento de tempo e espaço da capela reflete disputas maiores da dinâmica colonial. Para Barcellos, a mudança da capela espelhava conflitos locais como o de Pires e Camargos. Lidos em uma escala mais ampla, ele foi consequência de tensões provenientes da própria formação ibérica, entre influências portuguesas e castelhanas. Resumindo, essa briga vem da Europa.

Para ele, compreender Cotia exige reconhecer essa complexidade. “Cotia é um microcosmo da história do Brasil”, afirma.

Essa leitura se apoia em três movimentos: povos originários, que estruturam o território; colonização ibero-católica, que reorganiza o espaço; e, já no século 20, a Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), fundada em 1927, que integra o município a cadeias produtivas mais amplas. 


Cooperativa Agrícola de Cotia. Foto: Acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil


Identidade

A noção de passagem não significa ausência de relevância. A posição estratégica da cidade ajuda a explicar seu desenvolvimento. Cotia não foi apenas atravessada: também produziu, abasteceu e se integrou à capital.

Ainda assim, há uma dificuldade de consolidar identidade própria. “Sem identidade, você não é nada”, resume Barcellos. Para ele, a falta de valorização da história local compromete não só a memória: a noção de pertencimento é crucial para um planejamento evolutivo.

Essa questão aparece por exemplo em personagens históricos: Cotia ainda tem outro Diogo. O Diogo Antônio Feijó, "Senador Feijó" ou apenas “Padre Feijó”. Regente do Império, foi uma das principais lideranças na consolidação do Brasil pós-Independência.

Para  Barcellos, quem marcou foi o poeta Manuel Batista Cepelos, pouco conhecido na cidade, mas central para o interesse do historiador. “O grande gancho para eu parar em Cotia foi o Batista Cepelos: li ele em Portugal e vim aqui saber mais”, afirma. O caso evidencia um problema maior: a pouca valorização da própria história. Por conta disso, o Site da Granja resolveu fazer uma matéria só para Cepelos.

O presente

Hoje, diante de ativos ambientais, industriais e culturais e de mudanças políticas recentes, a cidade se vê diante de uma possível inflexão. Mudanças recentes na gestão municipal são vistas como sinal de possível alteração de rota, especialmente em áreas sociais e na articulação com outras esferas de governo.

O futuro

Para Barcellos, caminhos possíveis para uma maior prosperidade passam por educação e cultura — elementos que permitem reconhecer a trajetória e projetar o futuro. A construção de identidade não é apenas simbólica: é condição para o desenvolvimento. Cidades que conhecem sua história tendem a orientar melhor suas decisões, fortalecer vínculos sociais e transformar potencial em projetos realizáveis.

Aos 170 anos, Cotia vive uma disputa de sentidos. Entre a permanência de sua lógica histórica e os sinais de transformação, o que está em jogo é sua capacidade de redefinir o que sempre foi.

Serviço: 

Programação completa | Cotia 170 anos

Data: Quinta - 2 de abril de 2026
Local: Recinto de Eventos em frente à Prefeitura
Endereço: Av. Prof. Manoel José Pedroso, 1347 – Pq. Bahia

09h00 – Hasteamento à bandeira
A partir das 12h00 – Brinquedos infláveis e carreta do Dogão
16h00 – Patrulha Canina
18h00 – Elaine Bragga (artista local)
A partir das 19h00 – Maiara e Maraisa


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