24/07/2026
A psicóloga britânica Dame Uta Frith, uma das maiores especialistas do mundo no tema, acredita que pessoas com autismo nível 1 poderão, no futuro, receber uma classificação própria.
Uma das pesquisadoras que mais contribuíram para a compreensão moderna do autismo hoje defende que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode precisar de uma nova divisão.
A psicóloga britânica Dame Uta Frith, referência mundial no estudo do autismo, afirma que o espectro passou a reunir pessoas com perfis e necessidades tão diferentes que talvez seja necessário criar subgrupos — ou até uma classificação específica para o atual autismo nível 1.
Em entrevista ao The Times, Frith explicou que o mesmo diagnóstico hoje inclui pessoas que levam uma vida totalmente independente, como o empresário Elon Musk e a ativista Greta Thunberg, e também pessoas que não desenvolvem linguagem funcional e necessitam de apoio permanente durante toda a vida.
Segundo a pesquisadora, muitas pessoas passaram a se identificar como autistas apenas por apresentarem algumas características isoladas, como dificuldade para fazer amigos, preferência por ficar sozinhas, interesses muito específicos ou dificuldade em compreender o que outras pessoas estão pensando.
Na avaliação de Frith, essas características, por si só, não significam necessariamente autismo. Ela acredita que, em alguns casos, traços de personalidade altamente funcionais passaram a ser tratados como um diagnóstico clínico, quando poderiam representar apenas diferentes formas de ser.
A pesquisadora também alerta que o crescimento dos diagnósticos de pessoas com menor necessidade de apoio acabou reduzindo a visibilidade das famílias que convivem com o chamado autismo profundo, cujos pacientes dependem de cuidados intensivos ao longo de toda a vida.
Essa preocupação também é compartilhada por muitos pais e cuidadores. Eles defendem que reunir, sob o mesmo diagnóstico, pessoas totalmente independentes e outras que precisam de suporte permanente dificulta a compreensão das necessidades de cada grupo e pode comprometer a oferta de políticas públicas e serviços especializados.
Nos últimos meses, Frith voltou ao tema e reafirmou sua convicção de que é preciso criar subgrupos dentro do espectro autista para compreender melhor as diferentes formas de autismo e oferecer diagnósticos e atendimentos mais adequados para cada perfil.
Por enquanto, nenhuma mudança foi adotada. O autismo continua sendo classificado como um único espectro, dividido em três níveis de necessidade de suporte. O que cresce é o debate entre pesquisadores sobre a necessidade de revisar essa classificação diante dos avanços no conhecimento sobre o transtorno.
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