02/09/2026
Mauricio Orth
Depois de deixar a futura Estação Sabiá, seguimos em direção ao centro de Cotia. Na região do km 32 da Rodovia Raposo Tavares, a Linha 22 chega ao Portão. A futura estação será implantada no lado sentido capital, entre a Raposo, a Estrada Velha da Estação e a Rua Beija-Flor, com um segundo acesso no lado sentido Cotia.
Se você acha que "pedágio" é coisa moderna, veja essa: No século 19, a estrada que ligava São Paulo ao sul da província e ao norte do Paraná passando pela região. Tropeiros, lavradores e agricultores que utilizavam o caminho eram submetidos à chamada 'taxa de barreira', cobrada em pontos específicos onde existiam porteiras. Uma dessas acabou se tornando referência para a região e o nome ficou: Portão.
O caminho virou rodovia e o território foi transformado completamente. Agora, uma nova infraestrutura de transporte pretende mudar novamente como as pessoas passam por ali.
Uma porta para dois eixos
A localização do Portão foi escolhida, entre outros fatores, porque usuários provenientes de Itapevi e região de Castello Branco, que transitam via ônibus intermunicipais pela Estrada da Roselândia (Rodovia Coronel Nelson Tranchesi), poderão se beneficiar da estação para ter acesso ao metrô.
Assim como a Estação Cotia-km 26 poderá assumir uma função estratégica para quem se interliga pelo eixo do Embu, o Portão poderá assumir a mesma função em relação a Itapevi.
O terminal que muda a lógica dos ônibus
Essa função fica ainda mais evidente porque o projeto prevê um novo terminal de ônibus integrado ao corpo principal da estação. O terminal deverá funcionar como ponto de reconfiguração das linhas municipais e metropolitanas. Viagens que hoje atravessam ou terminam em Cotia passam a ter o Portão como ponto de conexão com o Metrô.
Uma estação de dois lados
A estação foi desenhada com uma característica que já conhecemos bem: a Raposo Tavares divide territórios com ocupações bastante diferentes.
O corpo principal da estação fica entre a rodovia e a Rua Beija-Flor, sentido capital. Do outro lado, sentido Cotia, um segundo acesso, ligado ao principal por uma passarela coberta.
O Acesso B terá três entradas: pela Rua Esmeralda, Rua Primo Batistone e Rua Safira, implantadas em diferentes cotas. A acompanha solução o relevo acidentado desse trecho e cria uma praça inclinada.
Ônibus, carros, bicicletas e pedestres
A Portão terá 118 vagas de estacionamento de longa permanência, 17 vagas para embarque e desembarque rápido e bicicleta com 10 vagas.
Não há, porém, ciclofaixa no entorno da estação. Para os pedestres, estão previstas a ampliação das calçadas e a requalificação da acessibilidade.
Uma estação junto a uma centralidade que já existe
Nas proximidades fica na Av. Professor Manoel José Pedroso, identificado pelo próprio EIA/RIMA como uma centralidade urbana em ligações. O entorno também concentra um número expressivo de estudantes. Segundo o EIA/RIMA, são 17 unidades educacionais na área da futura estação, reunindo 16.544 alunos e 1.220 docentes.
Entre as instituições destacadas pelo estudo estão a ETEC Cotia, o Colégio Desafio Finpec e o Colégio Talento, localizados nos dois lados da Raposo Tavares. Só essas três instituições reúnem 6.175 alunos.
Isso acrescenta outro tipo de fluxo à estação. No Portão, a conexão entre os dois lados da Raposo não será apenas uma questão de transporte: envolve também milhares de estudantes que já circulam diariamente por esse território.
Uma estação sobre a várzea
O corpo principal da estação será implantado em uma área de várzea do Córrego das Pedras, dentro da área de influência de sua Área de Preservação Permanente.
Dos 25.407,81 m² previstos para desapropriação do acesso principal, 4.455,25 m² disponíveis à APP.
A presença do córrego também é reconhecida no desenho da estação. Para viabilizar o novo terminal, será necessário criar um acesso a partir da Rua Beija-Flor, transpondo a área de APP. Por estar em uma área de várzea, o terminal e seus acessos precisam respeitar a cota considerada segura para inundação.
É mais um desafio que o projeto terá de resolver: transporte, urbanização, topografia e preservação ambiental no mesmo espaço.
Nova Raposo e Linha 22 no mesmo território: o Carro na frente dos trens
A região também está inserida nos projetos da Nova Raposo, que incluem a duplicação da Estrada de Roselândia, conectando Cotia a Itapevi e à Rodovia Castelo Branco.
Os dois projetos terão de conviver no território. O próprio EIA/RIMA aponta a proximidade entre as disciplinas. Por um lado, uma infraestrutura de transporte coletivo de alta capacidade que transferirá parte das viagens para o Metrô e reorganizará o sistema de ônibus. De outro, uma grande intervenção rodoviária que através de 05 pórticos de pedágio free flow, prevê a construção de vias marginais ao longo de quase todo o trecho entre Cotia e São Paulo, que demandarão grandes desapropriações e supressão parcial em importantes regiões remanescentes de regiões.
Com a priorização da linha metroviária, o projeto rodoviário exigiria uma dimensão menor na desapropriação e na supressão de crescimento, entre outros benefícios como a redução das emissões veiculares, por exemplo.
Ao priorizar a Nova Raposo, o governo estadual desperdiça uma rara oportunidade de articular dois grandes empreendimentos de infraestrutura para ampliar benefícios e reduzir impactos socioambientais.
Uma porta para o futuro de Cotia.
O Portão nasceu de uma porteira. O caminho virou rodovia. O território se transformou e ganhou centralidade própria.
Agora, a futura estação poderá acrescentar uma nova camada a essa história: um terminal de ônibus integrado ao Metrô, conectado aos dois lados da Raposo e capaz de receber passageiros de Cotia, Itapevi e outras localidades.
São 24,4 mil passageiros previstos diariamente — um movimento grande o suficiente para mudar não apenas a estação, mas aquilo que acontece ao redor dela. E talvez esteja aí a melhor maneira de entender o Portão:
De um lugar de passagem, o que o Metrô pode fazer é transformá-lo em conexão.
© SITE DA GRANJA. TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 INFO@GRANJAVIANA.COM.BR