Tarifa zero aos domingos em Cotia: o que já foi aprovado e o que ainda falta para começar
27/04/2026
Mauricio Orth
O Site da Granja tem recebido, nas últimas semanas, uma série de relatos de moradores sobre a presença de animais silvestres em áreas urbanas da região.
As mensagens vêm principalmente de bairros como Fazendinha, Parque São Domingos e áreas próximas, como Granja Viana II, Jardim Colibri, Jardim do Rio Cotia e entorno da Estrada do Capuava. Quatis circulando por quintais, animais cruzando ruas e aparições próximas a residências deixaram de ser episódios isolados e passaram a fazer parte do cotidiano de quem vive nessas áreas.
O aumento desses encontros chama a atenção — e levanta uma questão importante:
por que esses animais estão cada vez mais presentes dentro das cidades?
A presença cada vez mais frequente de quatis, gambás, capivaras e outros animais silvestres em áreas urbanas deixou de ser um episódio isolado para se tornar uma tendência na Grande São Paulo. Até na capital, dados da Prefeitura de São Paulo mostram que os chamados para resgate de fauna saltaram de 5,8 mil para 7,3 mil em um ano — um aumento de 26%, impulsionado principalmente por espécies adaptáveis como saruês (gambás) e saguis.
Por que os animais estão nas cidades
O fenômeno tem origem clara: a combinação entre perda de habitat e facilidade de acesso a alimento nas cidades. O avanço urbano e a expansão de empreendimentos têm reduzido e fragmentado o habitat natural, forçando a fauna a buscar novos espaços — muitas vezes dentro das cidades.
Na região da Granja Viana, esse processo ficou evidente com o caso da Fazendinha, na divisa entre Cotia e Carapicuíba. O loteamento da vez prevê a supressão de mais de 47 mil m² de vegetação nativa em um dos últimos grandes remanescentes de Mata Atlântica da região, com cerca de 201 hectares.
O impacto sobre a fauna foi imediato.
Após o início das intervenções e o cercamento da área, moradores passaram a relatar aumento na presença de animais em áreas urbanas — desorientados, em busca de alimento e expostos a riscos como atropelamentos. Na prática, os animais não estão indo para a cidade por escolha — estão sendo empurrados para ela pela perda do seu território.
Ao mesmo tempo, o ambiente urbano oferece condições favoráveis:
- lixo acessível
- ausência de predadores
- oferta constante de alimento
Casos recentes reforçam a tendência
Campinas (2026): macacos-prego invadiram residências
Piracicaba (2026): alerta sobre grupos de quatis em bairros
Interior e entorno da capital: capivaras em vias públicas
Guarulhos (2025): mais de 900 resgates de fauna
Em áreas como a Fazendinha, a supressão de vegetação e o cercamento de fragmentos florestais interrompem o fluxo natural da fauna, resultando em animais desorientados e maior presença em áreas urbanas. Já em Cotia, onde ainda há extensos remanescentes de vegetação, o fenômeno se manifesta de forma mais difusa, com um contato constante entre moradores e animais silvestres.
Esse movimento ajuda a explicar por que a presença desses animais não deve ser tratada como uma “invasão”, mas como um deslocamento forçado.
Ao mesmo tempo, o ambiente urbano não apenas recebe esses animais — ele também favorece sua permanência. A oferta de alimento fácil, seja por lixo exposto ou pela alimentação direta feita por pessoas, cria condições que modificam o comportamento da fauna. Além disso, a oferta constante de alimento reforça um comportamento aprendido: Estudos indicam que em áreas urbanas, a densidade de quatis pode chegar a quase cinco vezes a registrada em ambientes naturais, reflexo direto dessa combinação entre pressão ambiental e disponibilidade de recursos. Estudos indicam ainda que essa dieta inadequada pode provocar alterações metabólicas, como aumento dos níveis de glicose e outros distúrbios fisiológicos, evidenciando impactos negativos à saúde dos animais.
Esse contato frequente também traz implicações para a saúde pública, mas especialistas alertam que o risco precisa ser compreendido com cautela. Quatis podem atuar como reservatórios de agentes infecciosos, porém a transmissão está associada principalmente a situações de interação inadequada, como contato direto, manejo indevido ou exposição a vetores. Mais do que uma ameaça em si, a presença desses animais evidencia o desequilíbrio na relação entre cidade e meio ambiente. Os quatis vivem em grupos que podem chegar a dezenas de indivíduos e, quando se sentem ameaçados, apresentam comportamento defensivo coletivo. Nesses casos, podem reagir com mordidas e arranhões capazes de causar ferimentos, tanto em pessoas quanto em animais domésticos.
Os quatis (Nasua nasua) são mamíferos silvestres típicos da Mata Atlântica e de outros biomas brasileiros, conhecidos pelo focinho alongado e pela cauda listrada, geralmente erguida quando estão em grupo. De comportamento altamente adaptável, são onívoros oportunistas: alimentam-se de frutas, insetos, pequenos animais e ovos — o que facilita sua presença em áreas urbanas próximas à mata.
Vivem em grupos formados por fêmeas e filhotes, que podem reunir dezenas de indivíduos, enquanto os machos adultos tendem a ser solitários. Na natureza, desempenham papel importante no equilíbrio ecológico, atuando como dispersores de sementes e controladores de insetos.
Curiosos e habilidosos, conseguem abrir recipientes, explorar estruturas e revirar lixo em busca de alimento. Apesar da aparência amigável, são animais silvestres e podem reagir de forma defensiva quando ameaçados.
Atenção à lei: Manter animais silvestres em casa é crime. Não toque, não alimente, mantenha distância.
Guia prático: como agir ao encontrar um animal silvestre
Mantenha distância
Não toque e não tente capturar
Não alimente
Afaste crianças e animais domésticos
Se estiver dentro da sua casa ou quintal, chame o resgate, mantenha a calma, isole o ambiente, se possível , evite encurralar o animal
Aguarde o resgate
Emergências e resgate imediato
Polícia Militar Ambiental: 190
GCM – com atuação ambiental: 153
Defesa Civil (Cotia): 199
Corpo de Bombeiros: 193 (quando houver risco imediato, animal ferido ou em local de difícil acesso)
Denúncias e encaminhamento
IBAMA – Linha Verde: 0800 61 8080
tráfico, cativeiro ilegal ou maus-tratos
CETAS / centros de triagem (região):
Barueri – WhatsApp (11) 4689-0314
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