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Na Raposo Tavares, motos já representam quase um terço dos acidentes

06/05/2026


Mauricio Orth


No estado, motociclistas respondem por cerca de 43% das mortes no trânsito. Realidade da Raposo expõe crescimento das motos, alto número de acidentes e ausência de infraestrutura específica para motociclistas

Na última segunda-feira (04/05), o governo do Estado de São Paulo lançou um plano para reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030. A meta é evitar cerca de 19 mil mortes nos próximos anos, com foco especial em usuários vulneráveis como motociclistas.

Mas em corredores como a Raposo Tavares, onde o número de motos cresce rapidamente e acidentes têm forte impacto sobre o fluxo da rodovia, a distância entre planejamento e realidade ainda parece grande.

Levantamento com base em dados do Infosiga aponta a Raposo Tavares entre as vias com mais acidentes registrados no estado. Mais do que o volume de ocorrências, chama atenção a gravidade: a rodovia aparece também entre as que concentram maior número de mortes.

O cenário acompanha essa transformação no perfil da mobilidade da região oeste da Grande São Paulo, tão conhecida por aqueles que moram em Cotia. Em meio aos congestionamentos crônicos da Raposo, a motocicleta passou a ocupar papel cada vez mais central nos deslocamentos diários — seja para trabalho, entregas por aplicativo ou tentativa de escapar das longas filas entre Cotia e São Paulo.

As Motos e os acidentes na Raposo

O Site da Granja conversou com a Ecovias Raposo Castello sobre o assunto: 

Segundo a concessionária, os acidentes estão distribuídos ao longo de diferentes trechos da rodovia, sem concentração predominante em um único ponto crítico.

Entre os principais fatores de risco apontados estão a circulação de motos entre faixas — os chamados corredores — e a permanência em pontos cegos durante mudanças de faixa em situações de trânsito intenso.

Ao mesmo tempo, cresce a discussão sobre segurança viária em uma rodovia que mistura características de estrada estadual, avenida urbana e corredor metropolitano de deslocamento intenso.

Na Raposo Tavares, a moto se consolidou como alternativa para escapar dos congestionamentos crônicos da rodovia. Mas a combinação entre alta velocidade, tráfego intenso e ausência de infraestrutura específica também amplia a exposição ao risco.

Entregas por aplicativo e pressão por tempo

O crescimento das motos também acompanha a expansão dos serviços de entrega por aplicativo, que se consolidaram como fonte de renda para milhares de trabalhadores da região metropolitana.

Plataformas operam com sistemas baseados em produtividade. Na prática, quanto maior a quantidade de entregas realizadas em menos tempo, maior tende a ser o potencial de ganho do entregador. Pesquisas apontam que essa dinâmica pode estimular jornadas intensas e maior pressão por rapidez no trânsito.

Em corredores como a Raposo Tavares, essa combinação amplia a complexidade da discussão sobre segurança viária.

Quando um acidente trava a Raposo

A concessionária afirma manter monitoramento operacional 24 horas e equipes dedicadas ao atendimento de ocorrências, com frota composta por ambulâncias, guinchos e motos de inspeção.

Apesar disso, reconhece que acidentes com interdição parcial de faixa podem provocar impactos significativos no fluxo da rodovia, especialmente nos horários de pico.

Segundo a Ecovias Raposo Castello, o tempo de normalização do trânsito varia conforme fatores como localização da ocorrência, número de faixas interditadas e volume de veículos no momento do acidente.

Na prática, em uma rodovia que já opera próxima da saturação em diversos períodos do dia, qualquer interrupção tende a gerar efeito cascata sobre o corredor entre Cotia e São Paulo.

Existe solução específica para motos?

A experiência da chamada “Faixa Azul”, implantada em avenidas da capital paulista, também passou a fazer parte do debate sobre a Raposo Tavares.

Hoje, porém, a aplicação de uma faixa preferencial para motociclistas em rodovias estaduais ainda não é prática consolidada no país.

A Faixa Azul opera atualmente como sinalização experimental autorizada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e seus exemplos existentes estão concentrados em avenidas urbanas e corredores metropolitanos de menor velocidade operacional.

Recentemente, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto prevendo a expansão desse tipo de faixa para capitais, rodovias federais e vias de grande fluxo — discussão que ainda depende de avanço legislativo. Na prática, isso indica que o próprio ordenamento regulatório brasileiro ainda não trata a adoção desse modelo em rodovias de alta velocidade como uma solução consolidada.

Enquanto isso, a motocicleta segue ocupando papel cada vez mais central na mobilidade da região, em uma infraestrutura originalmente desenhada para outro perfil de circulação.

Educação, tecnologia e fiscalização

Além das ações de fiscalização realizadas pela Polícia Militar Rodoviária, a concessionária afirma desenvolver iniciativas educativas voltadas especificamente aos motociclistas.

Entre elas está o programa “Pit Stop Motociclista”, que promove ações com orientações sobre condução segura, manutenção preventiva, uso de equipamentos de proteção e instalação de antenas corta-pipa.

Segundo a Ecovias, cinco ações educativas voltadas a motociclistas estão previstas durante o Maio Amarelo.

Se de fato vingar, o contrato da Nova Raposo prevê motocicletas isentas de pedágio, inclusive no sistema eletrônico de cobrança sem cancelas (free flow), segundo informou a concessionária. A identificação será feita automaticamente pelo sistema, sem necessidade de cadastro adicional dos usuários.

A discussão sobre motos na Raposo Tavares acabou se tornando também uma discussão sobre o futuro da mobilidade metropolitana: uma rodovia cada vez mais congestionada, uma presença crescente de motociclistas e um sistema viário que não apresenta condições a essa nova realidade.


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