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Prefeitura de Cotia
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Transporte público de Cotia entra em nova fase. Usuários ainda cobram mais ônibus

02/07/2026


Mauricio Orth


Prefeitura aposta em subsídios, Tarifa Zero e modernização dos pontos, mas passageiros afirmam que o principal problema continua sendo a oferta de ônibus.

Quando inaugurou o primeiro Ponto Humanizado de Cotia, em 20/06, a Prefeitura não apresentou apenas um novo abrigo de ônibus. Ela reforçou um conjunto de mudanças para redesenhar a política de transporte coletivo no município.

Nos últimos meses, tivemos a Tarifa Zero aos domingos, um modelo de subsídio para manter a passagem em R$ 5,30, nova tarifa de remuneração para o sistema, anúncio de modernização gradual dos pontos de ônibus e nova licitação do transporte coletivo em 2027.

Ao mesmo tempo, milhares de usuários continuam relatando problemas que persistem no dia a dia: demora nas linhas, redução da oferta de viagens e ônibus lotados.

Um novo ponto... e uma nova proposta

Instalado na Avenida Professor José Barreto, no Centro, o Ponto Humanizado teve, durante a inauguração, a afirmação do prefeito Welington Formiga de que aquele ato representa apenas o início de um processo de modernização da mobilidade urbana.

Segundo ele, o município possui atualmente cerca de 314 pontos de ônibus, que deverão passar por melhorias graduais.  Outro anúncio feito durante o evento foi a realização de uma nova licitação do transporte coletivo prevista para o próximo ano.

"Nós sabemos que tem pouco ônibus"

Apesar da inauguração, um dos momentos que mais chamou atenção foi quando o próprio prefeito reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos usuários.

Durante seu discurso, afirmou que a cidade enfrenta redução na oferta de ônibus e atribuiu parte do problema ao aumento do preço do diesel, provocado pelo conflito no Oriente Médio.

A declaração motivou questionamentos do Site da Granja sobre como essa relação funciona na prática.

Em resposta, a Prefeitura informou que, em março deste ano, a concessionária responsável pelo transporte coletivo comunicou oficialmente dificuldades no abastecimento regular da frota. A empresa atribuiu a situação ao cenário internacional de combustíveis, que teria provocado instabilidade na cadeia de distribuição do diesel.

Diante desse quadro, foi autorizada uma reprogramação temporária da operação de algumas linhas, acompanhada por fiscalização da Secretaria Municipal de Planejamento, Transportes e Mobilidade.

A Prefeitura informou ainda que notificará a concessionária para apresentar medidas visando ao retorno gradual da operação às condições anteriores.

Até o fechamento desta reportagem, entretanto, não havia informado um cronograma para esse retorno.

Como funciona o novo modelo tarifário

Uma das mudanças que mais gerou dúvidas entre usuários foi a publicação do Decreto Municipal nº 9.616/2026.

O decreto manteve a tarifa pública em R$ 5,30 para passageiros comuns e R$ 2,65 para estudantes, mas fixou em R$ 7,50 a chamada tarifa de remuneração, que representa o valor considerado para custear a operação do sistema.

Na prática, quando o passageiro comum paga R$ 5,30, a Prefeitura complementa R$ 2,20 por viagem para remunerar a concessionária. No caso dos estudantes, adiciona  R$ 1,10 por embarque.

O modelo, entretanto, não se aplica da mesma forma ao vale-transporte.

Desde 1º de julho, os créditos adquiridos pelos empregadores passaram a considerar a tarifa operacional de R$ 7,50, conforme estabelece o decreto. O empregador passa a pagar  R$ 7,50 pela passagem, mas o trabalhador continua pagando apenas R$ 5,30.

Segundo nota divulgada pela Prefeitura nesta semana, essa alteração não modifica o valor pago pelo trabalhador devido ao limite legal de desconto no salário, permanecendo a diferença sob responsabilidade do empregador. Ou seja, nesse caso, quem paga a diferença é a empresa.

O reajuste chega nas empresas

Enquanto a Prefeitura destaca que o trabalhador continua pagando a mesma tarifa e mantém preservados os limites previstos na legislação do vale-transporte, representantes do setor produtivo começam a questionar o aumento do custo do benefício para as empresas instaladas em Cotia.

O Site da Granja procurou integrantes da administração municipal para comentar os possíveis impactos econômicos da medida sobre os empregadores e a geração de empregos. Até o fechamento desta edição, não havia recebido retorno.

Tarifa Zero continua

Outro eixo da política de mobilidade é a Tarifa Zero Inclusiva aos domingos. O programa permanece em vigor em todas as linhas municipais.

A administração ainda não informou qual é o impacto financeiro mensal do subsídio ao transporte coletivo nem quanto custa especificamente a operação da gratuidade aos domingos. Esses esclarecimentos também foram solicitados pela reportagem.

Um sistema em transformação

As mudanças ocorrem em um momento em que o próprio modelo de concessão do transporte coletivo passa por revisões.

Desde 2022, a concessionária Viação Raposo Tavares mantém uma ação judicial contra o Município de Cotia na qual pede a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão firmado em 2014. O processo segue em tramitação na 1ª Vara Cível de Cotia e ainda não há decisão definitiva.

A Prefeitura, no entanto, não relacionou oficialmente essa discussão judicial às medidas adotadas neste ano.

Entre a infraestrutura e a operação

Se por um lado o novo Ponto Humanizado recebeu elogios pela infraestrutura e pelos recursos de acessibilidade, por outro a principal reivindicação dos usuários continua.

Nas redes sociais e em entrevistas concedidas durante a inauguração, os comentários foram recorrentes: a melhoria dos pontos é bem-vinda, mas a população espera, sobretudo, maior oferta de ônibus, cumprimento dos horários e redução do tempo de espera.

A modernização da infraestrutura pode representar um novo capítulo para o transporte coletivo em Cotia. Mas, para quem depende diariamente do sistema, a qualidade da viagem ainda continua sendo medida, principalmente, pelo tempo que o ônibus leva para chegar.


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