21/01/2026
Na Granja Viana, conhecida por suas muitas árvores, jardins, áreas verdes e contato intenso com a natureza, o alerta precisa ser redobrado — especialmente nos meses mais quentes do ano. O que para muitos parece apenas um ambiente agradável para brincar e passear pode esconder um risco silencioso: o contato com lagartas, insetos que podem provocar acidentes sérios, principalmente em crianças.
O contato com as cerdas pontiagudas desses insetos faz com que o veneno seja injetado na pele, podendo causar reações intensas e, em alguns casos, quadros graves.
Com a chegada do calor, parques, quintais, trilhas, áreas de mata e jardins residenciais se tornam espaços de lazer para muitas famílias da região. No entanto, entre troncos de árvores e folhas aparentemente inofensivas, as lagartas costumam se proliferar, aumentando o risco de acidentes, sobretudo entre crianças, que passam mais tempo ao ar livre e tendem a tocar plantas e galhos durante as brincadeiras.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 26 mil acidentes com lagartas entre 2019 e 2023, sendo que uma em cada cinco vítimas tinha até 9 anos. Diante desse cenário, o Hospital Pequeno Príncipe, maior e mais completo hospital pediátrico do país, reforça orientações importantes sobre os riscos, como identificar os acidentes e o que fazer em caso de contato.
“Crianças apresentam maior risco porque têm maior carga de toxicidade em relação ao peso corporal, um sistema imunológico mais sensível e maior chance de sangramento grave. Além disso, muitas vezes têm dificuldade de relatar os sintomas de forma precoce”, explica a dermatologista pediátrica Flavia Prevedello, do Hospital Pequeno Príncipe.
Em cerca de 70% dos casos de erucismo — reação causada pelo contato da pele com as cerdas das lagartas —, mãos e braços são as regiões mais afetadas. Os sintomas costumam surgir logo após o contato:
dor intensa
ardência ou sensação de queimação
vermelhidão e inchaço
lesões semelhantes à urticária
Na maioria dos casos, a evolução é favorável e sem complicações. No entanto, algumas espécies representam risco grave à saúde.
Os acidentes envolvem lagartas no estágio larval dos lepidópteros, principalmente de duas famílias:
Lagartas “cabeludas” (Família Megalopygidae): possuem pelos longos e sedosos que escondem cerdas urticantes.
Lagartas “espinhudas” (Família Saturniidae): apresentam espinhos ramificados, semelhantes a pequenos pinheiros, e incluem o gênero Lonomia, o mais perigoso.
As lagartas do gênero Lonomia são as que apresentam maior relevância para a saúde pública. O veneno presente em suas cerdas pode provocar alterações graves na coagulação do sangue, causando hemorragias, manchas roxas pelo corpo, sangramento na gengiva e presença de sangue na urina. Em casos mais severos, pode haver insuficiência renal aguda e risco de morte, se não houver atendimento rápido.
O soro antilonômico é o único tratamento capaz de neutralizar os efeitos moderados e graves do veneno da Lonomia. O medicamento é oferecido gratuitamente pelo SUS desde 1996 e é produzido exclusivamente no Brasil pelo Instituto Butantan. “Há uma piora progressiva nas primeiras seis a 12 horas após o contato com a Lonomia”, alerta a especialista.
Ao identificar o contato, siga as orientações:
remova cuidadosamente as cerdas com fita adesiva
lave o local com água e sabão
aplique compressa fria para aliviar a dor
administre analgésico comum, se necessário
procure imediatamente uma unidade de pronto atendimento
fotografe a lagarta ou descreva ao máximo suas características (cor, tamanho, formato)
A especialista alerta sobre o que não deve ser feito:
não esfregar o local, não aplicar álcool, vinagre ou outras substâncias, não fazer torniquete, não sugar a área, não realizar incisões e não administrar anti-inflamatórios ou aspirina, devido ao risco de sangramento, especialmente em casos suspeitos de Lonomia.
Em caso de emergência, acione o SAMU (192).
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) também oferece orientação especializada pelo telefone 0800 644 6774.
O aumento dos casos está associado a fatores como desequilíbrio ambiental, desmatamento e queimadas, que fazem com que esses animais se aproximem das áreas urbanas. Em uma região como a Granja Viana, altamente arborizada, a prevenção é fundamental:
observe troncos, folhas e galhos antes de tocá-los
nunca toque em lagartas, mesmo mortas, pois o veneno permanece nas cerdas
utilize luvas ao manusear plantas e jardinagem
evite áreas com surtos de lagartas
redobre a atenção em parques, quintais, áreas de mata, trilhas e jardins residenciais
A convivência com a natureza é um dos grandes valores da Granja Viana, mas ela exige informação, atenção e cuidado, especialmente quando o assunto é a saúde das crianças.
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