TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 | Quem Somos | Anuncie Já | Fale Conosco              
sitedagranja
| Newsletter

ASSINE NOSSA
NEWSLETTER

Receba nosso informativo semanal


Aceito os termos do site.


| Anuncie | Notificações
Voltar

Praças da Granja Viana: espaços de convivência ou apenas paisagem?

11/06/2026


Mauricio Orth

Uma reclamação sobre a comunicação visual em uma praça da Granja Viana levou o Site da Granja a uma questão mais ampla: qual é o papel dos espaços públicos em uma região marcada por condomínios, centros comerciais e vida privada?

O que começou com uma reclamação sobre a comunicação visual presente em uma praça da Granja Viana levou o Site da Granja a revisitar uma entrevista histórica de Roberto Pompéia. Gravada em 2008, ela parece ter sido feita ontem. Nela, o saudoso arquiteto e urbanista já questionava a falta de praças de convivência, a expansão dos condomínios fechados e o progressivo afastamento dos moradores da vida comunitária.


A reclamação recebida pela reportagem fala da presença de elementos de comunicação visual em uma área pública adotada por meio do Programa Adote uma Praça Pública. Ao iniciar a apuração, porém, surgiu uma pergunta: afinal, qual é a função das praças na Granja Viana?

O que diz a legislação

A legislação municipal prevê a adoção de áreas públicas por pessoas físicas, empresas e entidades.

Criado pela Lei Municipal nº 1.890/2015, o Programa Adote uma Praça Pública busca incentivar a participação da sociedade civil na conservação e utilização dos espaços públicos, prevendo inclusive atividades culturais, esportivas e de lazer.

Já a chamada Lei Cidade Limpa de Cotia (Lei nº 2.072/2019) estabelece como regra geral a proibição de anúncios em praças, parques e demais logradouros públicos. A mesma norma, entretanto, abre exceção para mensagens de cooperação entre o Poder Público e a iniciativa privada, situação que se aplica aos espaços adotados. Do ponto de vista legal, portanto, a discussão não parece se resumir à existência de placas de identificação.

A questão que emerge é outra: o que faz uma praça cumprir sua função social?


Uma entrevista que envelheceu bem

Foi justamente essa reflexão que Roberto Pompéia trouxe ao Site da Granja há quase duas décadas. Ao falar sobre a transformação da Granja Viana, ele apontava para uma cultura crescente de isolamento associada à proliferação dos condomínios fechados.

"Algumas pessoas que vieram morar aqui importaram um viés de que o bacana é viver isolado, não é só viver na Granja, mas viver isoladamente."

Para ele, o problema não era apenas urbanístico. Era também cultural.

"Nós fomos, aos poucos, nos fechando para os vizinhos, nos fechando para a rua, nos fechando para a comunidade."

O que é uma praça?

Uma das observações mais provocativas da entrevista continua atual:

"Qualquer pedaço de terra que sobra foi chamado de praça."

Mais do que uma crítica ao desenho urbano, a frase parece apontar para a ausência de planejamento voltado à convivência. Historicamente, uma boa praça não é aquilo que sobra da cidade. Ela faz parte da própria ideia de cidade.

Foi nesse sentido que Pompéia recorreu ao conceito do arraial:

Festa junina

"No fundo, a gente precisa resgatar esse conceito, que é o conceito original do arraial."

A referência não é casual. O arraial era o lugar onde a comunidade se encontrava para festas, celebrações e convivência cotidiana. A observação ganha força justamente em junho, mês das festas juninas.

Onde os moradores da Granja Viana se encontram hoje?

Grande parte da vida social da região acontece em escolas, clubes, restaurantes, centros comerciais, academias e condomínios. São espaços importantes, mas predominantemente privados ou associados ao consumo.

As praças agora são de alimentação

Há uma curiosa ironia urbana nisso. Alguns dos espaços de convivência mais movimentados da vida contemporânea continuam carregando o mesmo nome: as praças de alimentação dos centros comerciais.

A comparação ajuda a compreender uma transformação mais profunda da vida urbana. Não faltam lugares para encontrar pessoas. Mas quantos deles são efetivamente públicos?

Quando o espaço público ganha vida

Se existe um exemplo local de ocupação bem-sucedida do espaço público, ele talvez esteja no Parque Teresa Maia.

Desde 2010, a EcoFeira Granja Viana reúne regularmente produtores locais, artesãos, moradores e visitantes em torno de alimentos orgânicos, economia criativa, sustentabilidade e atividades culturais.

A experiência demonstra que a ocupação comunitária continua despertando interesse quando existe programação capaz de atrair pessoas.

Mais do que manutenção

O próprio Programa Adote uma Praça Pública não fala apenas em manutenção de áreas verdes. A legislação prevê também atividades culturais, esportivas e de lazer, reconhecendo que o espaço público cumpre uma função que vai além do paisagismo. 

Um convite à comunidade

Praças são espaços onde crianças podem brincar, vizinhos podem conversar, grupos podem se reunir, artistas podem se apresentar e eventos podem acontecer.

Nenhuma revitalização, por melhor que seja, substitui a presença das pessoas.

Há 18 anos, Roberto Pompéia defendia o resgate do conceito de arraial: o espaço onde a comunidade se reúne, convive e celebra. Em pleno mês de junho, sua reflexão permanece atual.

Afinal, mais importante do que discutir quantas placas existem em uma praça talvez seja perguntar quantas pessoas a utilizam.


Notícias Relacionadas:


 
TENHA NOSSAS NOTÍCIAS DIRETO NO WHATSAPP, CLIQUE AQUI.

Pesquisar




X





























© SITE DA GRANJA. TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 INFO@GRANJAVIANA.COM.BR