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Prefeitura de Cotia
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Por dentro da futura Estação Granja Viana do Metrô

29/07/2026


Mauricio Orth

O Projeto Básico da Linha 22-Marrom revela a primeira estação de metrô de Cotia. Seu planejamento vai muito além das plataformas subterrâneas.

Na reportagem anterior mostramos por que a Granja Viana foi escolhida para receber a primeira estação de metrô de Cotia. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) concluiu que a região é uma importante centralidade urbana, concentrando empregos, comércio, serviços, escolas e milhares de deslocamentos diários 

Onde ficará a futura estação

Quem passa diariamente pelo km 22 da Rodovia Raposo Tavares talvez não imagine que, sob aquele trecho da rodovia, será construída a primeira estação de metrô de Cotia. E por que a estação será construída exatamente naquele ponto? 

O acesso principal ficará na altura da Rua Major Vieira, na pista sentido Capital. Ao redor dele estarão o estacionamento, o bicicletário, as baias de ônibus, áreas de embarque e desembarque rápido e demais estruturas de apoio ao funcionamento da estação. Do outro lado da rodovia, próximo à Estrada da Aldeia e à Estrada Velha de Sorocaba, será implantado o segundo acesso. 


No mapa PIN vermelho - Estação Granja Viana na Rua Major Vieira.
PIN azul - Acesso para Estação Granja Viana  na Estrada Velha de Sorocaba

Por que exatamente esse lugar?

Dentro de um raio aproximado de 600 metros deste ponto foram identificados 1.462 domicílios, 335 estabelecimentos e uma densidade de 201,9 empregos para cada 100 habitantes. Em outras palavras, existem aproximadamente dois postos de trabalho para cada morador residente naquela área. Os deslocamentos confirmam essa centralidade. Todos os dias, o entorno da futura estação atrai 5.513 viagens motorizadas e produz outras 5.457, totalizando mais de 11 mil viagens diárias.

Um passeio pela futura estação

Imagine chegar à estação pela Rua Major Vieira, onde hoje se encontram uma garagem de ônibus e uma concreteira, no sentido capital da rodovia. Ali estará localizado o acesso principal, por onde grande parte dos passageiros ingressará no sistema. Próximo a ele funcionarão áreas destinadas ao embarque e desembarque rápido, estacionamento para 178 veículos e bicicletário com capacidade para 100 bicicletas. Quem vier de ônibus encontrará baias para a parada. O Projeto Básico estima que, quando estiver em operação, a estação possa receber cerca de 19.499 passageiros por dia. 

Quem chegar pela margem oposta da Raposo utilizará o acesso localizado junto à Estrada da Aldeia e à Estrada Velha de Sorocaba.  Entre eles, uma passarela coberta atravessará toda a largura da rodovia. 

Os dois lados da Granja

Hoje, atravessar a Raposo Tavares a pé significa, muitas vezes, percorrer caminhos longos e pouco convidativos.  Desde o início dos estudos, o EIA identificou que ao mesmo tempo que impulsionou o desenvolvimento da região, a rodovia também criou uma barreira física. 

Ligando os dois pontos da estação haverá uma passarela coberta, com aproximadamente 200 metros de extensão, que  passará a ocupar um papel central na estratégia de mobilidade adotada pelo projeto. Ela cria uma nova possibilidade de travessia em um dos trechos que já mantêm intensa relação econômica, mas permanecem separadas pela infraestrutura viária. Ela responde ao principal problema urbano identificado pelo EIA: a fragmentação da Granja Viana provocada pela rodovia.

Quando a engenharia responde ao território – o metrô vertical

Os desafios, porém, não terminam na superfície. Entre o nível da rua e as plataformas da futura estação haverá um desnível de aproximadamente 48,82 metros — altura equivalente a um edifício de cerca de 16 pavimentos.

Em vez de priorizar escadas rolantes, o Projeto Básico prevê inicialmente oito elevadores, cada um com capacidade para transportar 33 passageiros. Eles  reduzirão em um quarto o tempo de deslocamento da superfície até o trem.

Um detalhe chama a atenção

Até aqui, o Projeto Básico pode ser lido como o detalhamento natural de uma estação de metrô: plataformas, acessos, passarela, estacionamento, integração com ônibus e soluções de engenharia adaptadas ao relevo da Granja Viana.

Mas, à medida que a leitura avança, um elemento passa a aparecer repetidamente. O Projeto Nova Raposo. Em diferentes capítulos, o documento informa que diversos componentes da Estação Granja Viana foram desenvolvidos considerando as intervenções previstas por esse projeto.

Uma das passagens é bastante direta ao afirmar que  "O projeto da estação foi desenvolvido partindo do pressuposto da implantação do projeto viário Nova Raposo, já que sua nova configuração irá garantir o acesso à estação." 

A futura passarela foi dimensionada considerando a configuração prevista para a rodovia. Os poços de ventilação e saída de emergência também foram posicionados de forma a não interferir nas áreas reservadas para as futuras obras viárias. O Projeto Básico parte da premissa de que a rodovia passará por uma profunda reconfiguração.

A prioridade entre os dois projetos 

Isso não significa, necessariamente, que Metrô e Nova Raposo constituam uma única obra ou que façam parte de um único projeto. O que se constata é que a infraestrutura metroviária foi concebida de acordo com uma futura reorganização do sistema viário local. O carro vem antes do trem.

O que diz a Política Nacional de Mobilidade Urbana?

Desde 2012, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587) estabelece princípios e diretrizes para orientar o planejamento dos sistemas de transporte nas cidades brasileiras. Em sua leitura, fica evidente a priorização de projetos de transporte coletivo estruturadores do território e indutores do desenvolvimento urbano integrado.

O artigo 6º determina como diretriz a prioridade dos modos de transporte não motorizados e do transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado.

Em outras palavras, a legislação atribui ao transporte coletivo um papel estruturador da ocupação urbana.

O Projeto da Estação Granja Viana revela que o metrô virá depois da reforma da infraestrutura rodoviária em seu entorno. Para você, como essa opção dialoga com as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Mobilidade Urbana?

Mais do que uma estação

o Projeto Básico revela então que a futura Estação Granja Viana não pode ser compreendida apenas como uma obra subterrânea. As soluções de engenharia nasceram de uma leitura detalhada do território realizada durante o Estudo de Impacto Ambiental.  Cada elemento responde a um diagnóstico previamente identificado pelos técnicos.

O metrô não chega para criar uma nova centralidade na Granja Viana. Ele chega para traduzir a realidade territorial existente em decisões de arquitetura, engenharia e, principalmente, mobilidade. 


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