TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 | Quem Somos | Anuncie Já | Fale Conosco              
sitedagranja
| Newsletter

ASSINE NOSSA
NEWSLETTER

Receba nosso informativo semanal


Aceito os termos do site.


| Anuncie | Notificações
Voltar

Sabiá: a pequena grande estação do Metrô em Cotia

25/08/2026


Mauricio Orth


Com previsão de 17,5 mil passageiros/dia, futura estação será compacta e poderá provocar um novo modelo de crescimento, com mudanças importantes em uma região que reúne áreas residenciais, comércio, escolas  e indústrias. 

Depois de deixar a Estação Parque Alexandra, a Linha 22-Marrom retoma o eixo da Rodovia Raposo Tavares e chega à futura Estação Sabiá.  A implantação ocupará cerca de 10,5 mil m², em uma área entre a Raposo Tavares e a Estrada do Capuava, do lado do sentido Capital. O território ao redor é bastante diverso: há bairros residenciais, comércio, escolas, áreas industriais e uma rede de transporte que já movimenta milhares de pessoas.

Uma estação pequena para bastante gente

A previsão de 17,5 mil passageiros/dia chama atenção quando comparada à dimensão física da estação. O entorno imediato, em um raio de 600 metros, tem 974 domicílios e 244 estabelecimentos, com densidade relativamente baixa de 24,6 habitantes por hectare, que registra 2.579 viagens motorizadas atraídas e 2.584 produzidas diariamente.

Os números representam uma diferença reveladora: a movimentação prevista para a estação é muito maior que a quantidade de viagens motorizadas atualmente geradas ou atraídas pelo seu entorno imediato.

Quem chega pelas ruas do bairro

Mais de 20 linhas passam pela Raposo Tavares em cada sentido, mas, para entender a relação da Sabiá com os bairros próximos, um dado parece mais significativo: seis linhas circulam pelo sistema viário local, cinco delas municipais.

A maioria passa pelo trecho inicial da Estrada do Capuava e pela Rua Pinhal e o EIA/RIMA não apresenta um terminal de ônibus associado à estação. Como essas linhas locais serão reorganizadas para alimentar uma estação que deverá receber 17,5 mil passageiros diariamente?

Dois territórios separados pela Raposo Tavares

No sentido capital da  Rodovia, na altura do Km 31, predominam áreas residenciais, com bairros como Jardim Sabiá, Jardim dos Ipês e Jardim Eliane, além de escolas, comércio e serviços.

No sentido interior aparecem grandes áreas industriais e empresariais. A futura estação manterá conectados esses dois ambientes. Já existe uma passarela nesse trecho, que será demolida. A nova travessia demandará a desapropriação parcial de 703,33 m² no sentido interior para receber  15 vagas de embarque/desembarque. 

A vida do pedestre

O estudo indica que praticamente todo o entorno de 600 metros da estação está dentro de uma caminhada de até dez minutos a partir dos acessos previstos. Mas distância não é tudo.

Chegar bem é outra história

Hoje o diagnóstico aponta ruas estreitas e descontínuas, escadarias e condições precárias de acesso à passarela existente. Em alguns pontos, há calçadas deficientes e iluminação insuficiente. A estação, portanto, chega a uma região em que a distância até o Metrô pode ser razoável, mas o caminho até ele ainda precisa melhorar.

Bicicletas sem ciclovia, carros sem estacionamento

Além das 15 vagas para carros, a Sabiá terá 100 vagas para bicicletas. Não haverá estacionamento de longa permanência nem ciclovias no entorno imediato, justificando a decisão pelas chamadas “restrições geométricas”.

Esse desenho aponta para uma estação fortemente dependente do transporte coletivo, da caminhada, da bicicleta e dos deslocamentos rápidos de automóvel. Mas como estimular o acesso por bicicleta se existe bicicletário, mas não há conexão cicloviária prevista até ele?

Adensar ou espalhar?

Talvez esteja aqui uma das informações mais importantes do estudo. A área da estação está hoje inserida em Zona Predominantemente Residencial (ZPR). E o EIA/RIMA avalia que a presença do Metrô poderá estimular edificações verticalizadas.

A região já possui ocupação residencial de média e baixa renda, comércio local, escolas e equipamentos públicos. A Estrada do Capuava e a Rua Capão Bonito poderão captar parte dessa nova demanda.

Eis um bom assunto para o planejamento urbano de Cotia. A cidade está revisando seu Plano Diretor. E a Sabiá aparece como um exemplo bastante concreto de uma questão que o município terá de enfrentar: onde faz sentido adensar? 

Em São Paulo, o Plano Diretor de 2014 adotou justamente a ideia de concentrar maior adensamento próximo aos eixos de transporte coletivo de massa, evitando que o crescimento acontecesse de maneira indiscriminada em áreas sem infraestrutura. Cotia poderia se espelhar no modelo paulistano, em uma versão evoluída.

Por que Sabiá?

O nome da futura estação vem do Jardim Sabiá. E aqui aparece outra particularidade de Cotia. Como a cidade não teve (e ainda não tem!)  historicamente uma divisão oficial de bairros, muitos dos nomes usados para as diferentes regiões do município nasceram de loteamentos criados por imobiliárias e construtoras. O Jardim Sabiá não foge dessa história. Documentos imobiliários relacionam a formação do loteamento à Kanakao Melhoramentos e Construções, antiga empresa que atuou na comercialização de terrenos na região. 

O nome ganharia uma história muito particular. Em 1990, uma moradora do Jardim Sabiá foi a primeira pessoa conhecida a contrair a doença que posteriormente seria identificada como uma nova febre hemorrágica. O vírus recebeu o nome de Sabiá, em referência ao bairro onde provavelmente ocorreu a infecção. Assim, um nome surgido na ocupação imobiliária de Cotia acabou chegando à literatura médica mundial.

Adensar onde há transporte ou continuar espalhando a cidade?

A Sabiá terá uma área relativamente pequena diante de outras estações da Linha 22, mas a transformação que poderá provocar no território é bem maior que seus 10,5 mil metros quadrados.

Ela chega a uma região residencial que já possui comércio, escolas e transporte coletivo. Ao mesmo tempo, está diante de grandes áreas industriais e poderá estimular novos empreendimentos habitacionais.

O debate aqui  é sobre onde a cidade vai colocar mais gente. Uma estratégia de adensamento próxima ao transporte coletivo pode significar menos pressão para a expansão horizontal sobre áreas verdes e mais gente vivendo perto de uma infraestrutura capaz de reduzir a dependência do automóvel. O debate não deveria ser simplesmente entre “prédios” e “casas”.

É justamente aí que a Sabiá deixa de ser apenas uma estação no mapa. Ela pode se tornar um exemplo de como Cotia pretende crescer quando o transporte de alta capacidade finalmente chegar à cidade. Talvez o melhor lugar para Cotia crescer seja justamente onde o Metrô vai chegar.


Notícias Relacionadas:


 
TENHA NOSSAS NOTÍCIAS DIRETO NO WHATSAPP, CLIQUE AQUI.

Pesquisar




X



























© SITE DA GRANJA. TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 INFO@GRANJAVIANA.COM.BR