11/08/2026
Mauricio Orth
Em direção ao km 26
Depois da Estação São George, a Linha 22-Marrom segue em direção ao sudoeste e cruza novamente a Rodovia Raposo Tavares. O traçado chega ao encontro das estradas do Embu e Velha de Cotia, onde será implantada a Estação. Lá também estão a estrada do Capuava e a Rua Doutor Ladislau Retti.
Uma estação em outro cenário
O entorno é marcado principalmente por galpões industriais, comércio e serviços. Quase toda a área situada em um raio de 600 metros está classificada como Zona de Indústria, Comércio e Serviço (ZICS). A densidade residencial é baixa: o levantamento identificou apenas 357 domicílios na área de influência direta da estação.
Isso não significa pouca atividade. São 319 estabelecimentos e uma relação de 485,7 empregos para cada 100 habitantes, índice elevado pela presença de indústrias e empresas de serviços próximas à Raposo.
O estudo descreve ainda um território com áreas industriais, loteamentos residenciais abertos e fechados, grandes glebas vazias e núcleos urbanos de diferentes padrões.
Aqui, a Raposo não precisa ser atravessada
No sentido Cotia da Rodovia Raposo Tavares, as poucas vias existentes não justificam uma travessia da Raposo. Os acessos se concentram onde estão as principais vias de chegada, áreas industriais e de serviços e núcleos residenciais.
O terminal da primeira fase
A principal característica da Cotia-km 26 aparece em sua função. Ela será o terminal da primeira fase de implantação da linha, com um novo terminal de ônibus integrado ao metrô. O projeto prevê 208 metros de extensão de baias.
A previsão é de 78.307 passageiros por dia. Desse total, 63,2% dos embarques deverão ocorrer por integração com ônibus. É a terceira maior proporção de embarques integrados por ônibus de toda a Linha 22, atrás apenas do Terminal Cotia e da Estação Santa Maria.
Na primeira fase, a estação funcionará, portanto, como a interligação do metrô para passageiros de ônibus que chegam ou saem de/para diferentes regiões de Cotia.
são previstas ainda 81 vagas de estacionamento, nove vagas de embarque e desembarque rápido e um bicicletário com capacidade para 100 bicicletas, mas não há ciclovia prevista no entorno imediato, devido à limitação do espaço viário.
E quando o metrô chegar ao Terminal Cotia?
A função da Cotia-km 26 deverá mudar quando a segunda fase da Linha 22 for implantada. Com a extensão da linha até o Terminal Cotia, a estação deixará de ser a ponta do sistema. Estudos de demanda divulgados apontam uma redução de aproximadamente 68% em sua movimentação, com parte da integração por ônibus sendo transferida para a nova estação terminal. E qual será o papel dessa estrutura quando o metrô deixar de terminar ali?
Uma estação que pode mudar o entorno
Ao analisar o zoneamento e as características do entorno, o estudo avalia que a localização poderá estimular novos usos comerciais e de serviços de escala regional. Também identifica potencial para edificações verticais destinadas à moradia popular.
A proximidade com a Raposo Tavares, o acesso pelas estradas do Embu e do Capuava e a presença do metrô e do terminal de ônibus são apontados como fatores capazes de aumentar a atratividade da área.
É uma possibilidade que merece atenção justamente agora, enquanto Cotia prepara a revisão de seu Plano Diretor. A estação será implantada em um território ainda pouco ocupado e poderá se tornar uma nova centralidade de transporte, comércio, serviços e moradia.
O desafio será planejar essa transformação para que a cidade aproveite a infraestrutura que chegará ao município, em vez de simplesmente reagir à ocupação que vier depois dela.
Uma estação que ocupa 45 mil metros quadrados
Para construir a estação e o terminal, será necessária uma intervenção de grande porte. A área de desapropriação permanente soma 40.498 m². Outros 5.370 m² serão utilizados temporariamente, totalizando 45.868 m².
Na área principal, onde serão implantados o corpo da estação, o acesso A e o terminal de ônibus, existem galpões, edificações industriais, áreas com incidência de APP e um centro de distribuição de autopeças. Também será desapropriado um terreno de 1.100 m² destinado ao acesso B, atualmente ocupado por um supermercado.
O metrô e a área de preservação
A implantação terá ainda que lidar com uma característica bem importante: parte da área destinada ao conjunto está em Área de Preservação Permanente. São 9.608 m² de APP dentro da área principal de desapropriação.
O Projeto Básico estabelece que edificações e estruturas operacionais não ocuparão essa área. A solução arquitetônica procura manter a permeabilidade visual entre o conjunto construído e a área verde, com passagens e aberturas, além de prever ampliação da cobertura vegetal.
O metrô dentro de uma vala
A estação será construída em vala, aproveitando as características do terreno e a profundidade relativamente reduzida da linha naquele ponto. São somente 25 metros de profundidade até o nível da via, metade das anteriores. O resultado será uma estação fisicamente diferente — outra resposta de engenharia às características do território.
E quem chegará a pé?
Os fluxos de pedestres atualmente se concentram principalmente nas estradas do Embu e Velha de Cotia e o diagnóstico aponta problemas nas calçadas: trechos estreitos, obstáculos e ocupação irregular do espaço destinado aos pedestres. Nas vias mais afastadas, as condições são ainda piores.
A estação chega em um território que terá a infraestrutura para o transporte coletivo redesenhada, mas onde ainda existem desafios básicos para quem chega caminhando ou de bicicleta.
E afinal, qual será o nome?
Ela terá terminal de ônibus, estacionamento, bicicletário, acesso a diferentes regiões de Cotia e uma área de influência que poderá mudar significativamente nos próximos anos. Talvez, quando o metrô chegar, o nome "km 26" já não seja suficiente para explicar o lugar.
Que nome você daria para essa estação? Conte para o Site da Granja.
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