05/08/2026
Mauricio Orth
O Projeto Básico da Linha 22-Marrom mostra como a segunda estação de Cotia foi planejada para conectar o Parque São George ao Jardim Passárgada. Três acessos, uma travessia pública sob a Raposo e soluções de engenharia revelam como o território definiu o projeto.
Ao longo da Raposo Tavares, a linha 22 - Marrom do metrô atravessará grandes desníveis, áreas residenciais, equipamentos públicos, centros comerciais e grandes glebas. Conforme as características de cada trecho, o projeto vai “costurando” a rodovia, adotando passarelas ou túneis antes das catracas, permitindo que essas travessias também sejam utilizadas pela população do entorno.
Na reportagem anterior, mostramos por que a Granja Viana foi escolhida para receber a primeira estação da Linha 22-Marrom em Cotia. Agora, seguindo o traçado da linha em direção ao centro de Cotia, o Projeto Básico apresenta uma realidade diferente.
Em direção à Cotia
Depois de deixar a futura Estação Granja Viana, a Linha 22-Marrom cruza novamente a Rodovia Raposo Tavares. A futura estação será implantada nas proximidades do km 25 da Rodovia.
O corpo principal ficará no lado do Parque São George, no sentido Capital–Cotia, onde estarão concentrados dois dos três acessos previstos pelo Projeto Básico.
Na margem oposta, no sentido Cotia–Capital, um terceiro acesso conectará a estação ao Jardim Passárgada, região onde se concentram importantes equipamentos urbanos, como o Parque CEMUCAM, o SESI Cotia, escolas, comércio e serviços.
Dois lados, duas vocações
Embora separados pela Raposo Tavares, o Parque São George e o Jardim Passárgada apresentam características bastante distintas.
Enquanto no Parque São George predominam áreas residenciais e o comércio voltado ao cotidiano dos moradores, temos no Jardim Passárgada alguns dos principais equipamentos de educação, lazer, saúde e serviços da região.
Os números explicam essa escolha
No raio aproximado de 600 metros da futura estação foram identificados 1.341 domicílios, 672 estabelecimentos e 15.134 postos de trabalho — a maior concentração de empregos entre todas as estações previstas no trecho de Cotia da Linha 22-Marrom.
O levantamento também contabilizou 7.217 alunos matriculados nas instituições de ensino existentes na área de influência da estação, entre elas o SESI, o Colégio Rio Branco, o Objetivo, o Adventista e diversas unidades de educação infantil.
Os dados descrevem um território onde moradia, educação, comércio, serviços e empregos convivem em um mesmo espaço urbano.
Três acessos para dois territórios
A distribuição dos acessos traduz essa diversidade territorial. Dois dos três acessos ficarão implantados no lado do Parque São George, onde estará localizado o corpo principal da estação. O terceiro atenderá o Jardim Passárgada e será ligado aos demais por uma travessia subterrânea implantada antes da linha de bloqueios/catracas.
A solução distribui os passageiros entre os acessos e cria uma nova ligação segura e acessível para todos entre os dois lados da Raposo Tavares.
Projetada para ampliar sua área de influência
A distribuição dos três acessos não atende apenas aos dois lados da Raposo. O próprio Projeto Básico informa que um deles foi implantado mais distante do corpo principal para ampliar a área de influência da estação.
O relevo também condicionou o projeto, acompanhando o desnível existente entre as vias locais. Em vez de adaptar o terreno à estação, o projeto adaptou a estação ao terreno. Assim, o hall de bloqueios/catracas foi implantado no nível do mezanino para permitir que o túnel de ligação permanecesse em área não paga. Dessa forma, a travessia poderá ser utilizada como passagem pública e segura entre os três acessos e os dois lados da rodovia, mesmo por quem não pretende utilizar o metrô.
Ônibus, bicicletas — mas sem estacionamento
A mesma lógica aparece nas estruturas previstas para a chegada à estação.
O projeto inclui pontos e baias para ônibus, áreas de embarque e desembarque rápido e um bicicletário com capacidade para 100 bicicletas. Também estão previstas conexões cicloviárias pelas vias do entorno, entre elas a Avenida Denne e a Rua Mazel.
A Estação São George não contará com estacionamento para automóveis. Para os carros, estão previstas apenas quatro vagas destinadas ao embarque /desembarque.
A opção reforça o perfil da estação, voltada principalmente aos deslocamentos a pé, por ônibus, bicicleta ou embarque rápido.
Uma estação profunda
Assim como ocorre na Granja Viana, a Estação São George será construída em grande profundidade.
Entre a superfície e as plataformas haverá aproximadamente 50 metros de desnível. O Projeto Básico prevê plataformas escavadas pelo método NATM, um poço central e cinco elevadores de alta capacidade para vencer esse percurso.
Na Região
O Projeto Básico prevê ainda a implantação da Subestação Mesopotâmia, responsável pelo fornecimento de energia para esse trecho da Linha 22-Marrom.
Ela ocupará uma área de aproximadamente 4.360 m², distribuída por sete lotes, entre as ruas Belo Horizonte, Karan, Mazel e a avenida Marginal, ao lado da futura estação. A área é atualmente ocupada por imóveis de comércio, serviços e uso misto.
A estação e a Nova Raposo
Embora a Estação São George dependa menos de novas conexões viárias do que a Granja Viana, o Projeto Básico mantém a mesma premissa adotada para todo o trecho de Cotia: a infraestrutura metroviária foi concebida considerando a futura configuração da Raposo Tavares.
Essa integração aparece em diferentes pontos do documento, desde a localização das estruturas até a reserva das áreas necessárias para futuras intervenções previstas na rodovia.
Uma estação entre dois territórios
Na Granja, a estação integra uma centralidade. Na São George, integra uma diversidade.
No Parque São George predominam as áreas residenciais e o comércio de bairro. No Jardim Passárgada concentram-se escolas, equipamentos de lazer, serviços, comércio. As soluções de engenharia refletem essa diversidade.
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