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Aumento nas tarifas intermunicipais agrava custo da mobilidade em Cotia

05/01/2026


Mauricio Orth


Cidade depende de linhas intermunicipais até para deslocamentos internos e ainda pode sofrer novos reajustes com a chegada dos pedágios nas Rodovias Raposo Tavares, Bunjiro Nakao, Roselândia e no futuro trecho Cotia–Embu.

A partir de 6 de janeiro, entra em vigor o reajuste das tarifas do transporte intermunicipal metropolitano em todo o Estado de São Paulo. O aumento, autorizado pela ARTESP, afeta linhas operadas sob gestão da EMTU e incide diretamente sobre a rotina de moradores da Região Metropolitana.

Em Cotia, porém, o impacto é mais profundo. A cidade depende estruturalmente de linhas intermunicipais não apenas para deslocamentos regionais, mas também para trajetos inteiramente internos, entre bairros e distritos do próprio município.

Na prática, moradores que se deslocam diariamente entre regiões como Caucaia do Alto, Jardim Japão, Granja Viana, Portão e o Centro acabam pagando tarifas definidas em âmbito estadual para percursos locais. Trata-se de uma distorção histórica do sistema de mobilidade, que penaliza sobretudo quem depende do transporte público para trabalhar, estudar ou acessar serviços básicos.

Uma cidade que circula com tarifa intermunicipal

O crescimento urbano fragmentado de Cotia — marcado por bairros afastados, rodovias estruturantes e grandes vazios territoriais — consolidou um modelo em que as linhas intermunicipais se tornaram um dos principais eixos da circulação cotidiana.

Assim, por depender de decisões tomadas fora do município. a mobilidade local se torna mais cara. Cada reajuste estadual repercute diretamente na vida cotidiana de quem mora em Cotia, mesmo quando ele não cruza limites administrativos. Embora Cotia possua linhas de ônibus municipais (operadas pela Viação Raposo Tavares, que faz parte do Grupo VIDA), o sistema enfrenta desafios como a escassez de ônibus em horários específicos, especialmente aos fins de semana em bairros mais afastados, o que aumenta a dependência das rotas intermunicipais para deslocamentos mais longos ou para fora da cidade.

Reajuste atual e pressão futura

O aumento em vigor segue critérios contratuais conhecidos, como atualização de custos operacionais e manutenção da frota. O problema é que ele não ocorre isoladamente.

Projetos de concessão rodoviária em curso na região preveem a implantação de novos pedágios eletrônicos (free flow) em eixos fundamentais para Cotia. Além da Rodovia Raposo Tavares, estão incluídas a Bunjiro Nakao, a Estrada da Roselândia e o futuro trecho entre Cotia e Embu das Artes.

Do ponto de vista regulatório, o efeito é claro: custos de pedágio são incorporados às planilhas das empresas e repassados às tarifas, podendo gerar novos reajustes, inclusive fora do calendário anual.

Um alerta de Mogi das Cruzes

O que hoje se projeta para Cotia já ocorreu recentemente em Mogi das Cruzes. Em dezembro de 2025, a implantação do sistema de pedágio eletrônico (free flow) na Rodovia Pedro Eroles resultou em aumentos específicos nas tarifas de ônibus intermunicipais, com acréscimos que variaram entre R$ 0,12 e R$ 0,28 por passageiro, aplicados linha a linha e fora do calendário anual de reajustes. Agora, em janeiro de 2026, as mesmas linhas voltaram a sofrer novo aumento, desta vez dentro do reajuste tarifário regular autorizado pela ARTESP. Na prática, quem depende do transporte público em Mogi enfrentou dois aumentos em menos de dois meses, um precedente concreto do que pode ocorrer em Cotia com a combinação entre reajustes anuais e a introdução de novos pedágios.

Um problema estrutural

O reajuste das tarifas não é apenas um episódio pontual. Ele evidencia um problema estrutural: Cotia funciona com tarifa intermunicipal, sem dispor de alternativas capazes de reduzir essa dependência.

Enquanto não houver fortalecimento do transporte municipal e investimentos estruturantes, cada novo reajuste e cada novo pedágio tendem a ampliar o custo de viver e circular na cidade. A imagem que acompanha esta matéria ilustra esse impacto. O desafio permanece: como garantir mobilidade acessível em uma cidade que depende de um sistema pensado para interligar municípios — e não para otimizar sua circulação internamente?


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