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Saúde em Cotia: nova gestão nas UPAs e dúvidas nas UBSs

09/04/2026


Mauricio Orth


Prefeito anuncia mudanças nas unidades 24h; UBSs e policlínicas ainda aguardam novo chamamento

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta 09/04, o prefeito de Cotia afirmou que a saúde do município passa por uma “nova fase”, com a entrada de uma organização social para gestão das unidades de pronto atendimento.

“Já entrou uma nova empresa que está cuidando desses quatro instrumentos”,

declarou Welington Formiga.

Na mesma fala, percebe-se que a mudança não abrange toda a rede:

“Breve teremos um chamamento […] para as 27 UBS, Policlínica, Clínica da Mulher e os CAPS.” 

A declaração confirma que a reorganização da saúde em Cotia ainda está em andamento — e que parte relevante do sistema permanece fora do novo contrato.

Contrato de R$ 102 milhões e concentração de recursos

A Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) assumiu a UPA Atalaia, os prontos atendimentos de Caucaia do Alto, Parque São George e o Infantil. O contrato firmado tem valor de R$ 102.460.493,04. Sua vigência é anual, com possibilidade de renovações sucessivas até o limite de 60 meses.

Considerando um orçamento municipal da saúde em torno de R$ 252 milhões, o contrato das unidades 24h representa cerca de 40% do total. Ainda que a distribuição de recursos varie conforme o modelo adotado por cada município, o percentual indica uma concentração relevante de investimentos em uma parcela específica da rede.

AHBB: habilitação formal e histórico do setor

O contrato de gestão transfere à organização social a responsabilidade pela operação integral dessas unidades. A AHBB participou regularmente do chamamento público e foi considerada apta dentro dos critérios legais.

Trata-se de uma organização social com atuação em municípios do interior paulista. Como ocorre com entidades desse porte, há registros de disputas administrativas e ações judiciais relacionadas a contratos públicos — cenário comum no setor, marcado por alta complexidade operacional e dependência de repasses. Sua entrada, portanto, ocorre dentro da legalidade formal e sob o desafio de entregar resultados em um sistema já pressionado.

Prefeito anuncia melhorias — com ênfase na limpeza

Na mesma publicação, o prefeito destacou mudanças já implementadas nas unidades:

- regularização de insumos, redução do tempo de exames de urgência, melhorias estruturais, instalação de equipamentos e fornecimento de refeições para pacientes e acompanhantes.

Entre os pontos enfatizados, a limpeza foi destacada de forma direta, em contraste com relatos recentes que apontavam dificuldades nesse aspecto.

Refeições e o limite das unidades 24h

A oferta de alimentação foi anunciada como uma das melhorias recentes. Vale lembrar que serviços de pronto atendimento são concebidos para permanências curtas — em geral de até 24 horas — com foco na estabilização e encaminhamento dos pacientes. Por esse motivo, a disponibilização de refeições não costuma ser um elemento estruturante desse tipo de atendimento. 

Rede ampla, gestão parcial

Cotia possui uma rede com mais de 30 equipamentos públicos de saúde, incluindo UBSs, policlínicas, centros especializados, CAPS e serviços de apoio. O contrato com a AHBB cobre apenas quatro dessas unidades — todas voltadas à urgência. A maior parte da rede, portanto, segue fora do novo modelo.

UBSs ainda sem definição clara

Enquanto o anunciado  novo chamamento não é realizado, permanecem dúvidas sobre a gestão da atenção básica.

Informações obtidas pela reportagem indicam que estruturas e profissionais vinculados ao modelo anterior seguem atuando em unidades básicas. A situação ainda carece de confirmação documental sobre a existência — ou não — de contratos vigentes. Nesse sentido, a reportagem encaminhou questionamentos à Prefeitura de Cotia solicitando esclarecimentos sobre a situação contratual das unidades que não estão incluídas no novo modelo, incluindo UBSs, policlínicas e centros especializados. Até o fechamento desta edição, não havia retorno.

Contratação direta e quadro de servidores

Paralelamente, o município publicou a convocação de cinquenta profissionais da saúde aprovados em concurso público, indicando reforço da estrutura própria. O prefeito mencionou um contingente de cerca de 800 servidores na área, sinalizando também futuras medidas de valorização desses profissionais.

Modelo presente em outras cidades

A coexistência entre gestão direta e organizações sociais  é comum. Municípios como São Paulo, Osasco e Barueri também adotam estruturas semelhantes. O desafio, nesses casos, está na coordenação entre os diferentes níveis de atendimento e na clareza das responsabilidades.

Crise estrutural permanece

A reorganização anunciada ocorre em um contexto de crise que se arrasta há anos e que se intensificou recentemente. A troca da organização social nas unidades 24h representa uma mudança relevante, mas não resolve, por si só, os problemas estruturais da rede.

Cenário em aberto

Com parte significativa da rede ainda fora de novas políticas, a saúde de Cotia enfrenta desafios estruturais. Afirmações de que pessoas ligadas à gestão anterior seguem em operação levantam questionamentos sobre a formalização contratual e a regularidade do serviço.

Mais do que a troca de gestão nas unidades de urgência, o momento atual expõe um sistema ainda em reorganização — e cuja principal porta de entrada, a saúde básica, permanece sob indefinição.


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