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Construindo e ampliando reflexões sobre ecologia

17/03/2026


A ecologia profunda questiona e condena fronteiras entres os seres humanos e a natureza, posto que elas são uma criação humana (e, portanto, invenção cultural, convenção), que se contrapõe à visão holística de que o todo e suas partes não são simples soma, mas, sim, relações entre esses elementos.

Esse conceito de “Deep Ecology” foi desenvolvido na década de 1970 por Arne Naess, pensador norueguês, incluindo-nos (os humanos) no estudo sobre vida e relações na Terra, sem nenhuma distinção. Dessa forma, saímos do antropocentrismo para o ecocentrismo, o que pressupõe que todo ser vivo tem valor em si, mesmo que não tenha valor de mercado...

Além disso, nós humanos, fazemos parte da natureza (não somos separados dela ou superiores a ela), devendo, portanto, proteger toda a vida da Terra como protegemos a nossa própria, ou a de nossa família.

Há mais de cinquenta anos, no século XX, mesmo com os movimentos revolucionários do final dos anos 1960, ainda não havia uma abordagem diferente e questionadora daquela que se praticava entre a interação humana e o mundo natural. Portanto, o ineditismo das ideias de Naess construiu princípios norteadores dessa corrente de pensamento. Vamos a alguns deles:

   A-   O bem-estar e o florescimento das vidas humana e não humana na Terra são igualmente valiosos.
B-   A riqueza e a diversidade das formas de vida materializam esse valor e são valores em si mesmos.
C-   Os seres humanos não têm direito de reduzir essa riqueza e diversidade, a menos que seja para cumprir necessidades vitais.
D-   A presente interferência humana no mundo não humano é exclusiva e deterioradora.
E-    A mudança ecológica necessária passa por valorizar a qualidade de vida – haverá uma profunda consciência da diferença entre grande e grandioso.


A ecologia profunda abriu vários outros caminhos que enveredaram, necessariamente, por reciclagem, redução de consumo, aposta em elementos naturais (luz, ventilação, pausa/eliminação de eletrônicos), ampliação da consciência do meio ambiente... Aquilo tudo que o sociólogo espanhol Manuel Castells define como “reflorestamento do Eu”.

 

Terê Fogaça de Almeida,

Fundadora da Escola Ágora




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