TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 | Quem Somos | Anuncie Já | Fale Conosco              
sitedagranja
| Newsletter

ASSINE NOSSA
NEWSLETTER

Receba nosso informativo semanal


Aceito os termos do site.


| Anuncie | Notificações
Voltar

Cotia e a Crise hídrica em São Paulo: clima mudou. investimento caiu

20/01/2026


Mauricio Orth


Em um cenário de extremos climáticos e menos investimento público, a segurança hídrica passa por um ponto-chave: a água começa na floresta — e Cotia é prova disso.

Toda vez que ouvimos falar em crise hídrica, a reação costuma ser imediata: apreensão. A imagem que vem à cabeça é a da torneira secando, rodízio, a água faltando para as tarefas mais básicas do dia a dia.

Esse medo é compreensível — e real. Mas, hoje, a crise hídrica vai além da simples falta de chuva ou do risco imediato de desabastecimento. Ela envolve mudanças profundas no clima e como o poder público planeja e investe nesse setor.

Por conta dessas transformações, o Site da Granja propõe um novo olhar sobre o tema. Se o mundo mudou, o regime de chuvas mudou e as cidades cresceram, a forma de lidar com a água também precisa mudar.

É a partir dessa nova visão que esta reportagem analisa a crise hídrica em São Paulo, os cortes recentes em investimentos públicos e os impactos diretos para a Região Metropolitana — com atenção especial a Cotia, onde esses efeitos já fazem parte da rotina de uma parcela de sua população.

Por que chover forte não resolve a crise

Durante muito tempo, era sabido que bastava um verão chuvoso para garantir água ao longo do ano. Esse raciocínio não funciona mais. Hoje, as chuvas estão mais fortes e concentradas e acontecem com menos frequência. Em vez de chover aos poucos por vários dias, chove muito em poucas horas e depois o tempo seca por semanas. Ver chuva em abundância por alguns dias não significa segurança hídrica ao longo do ano.

Segurança hídrica vai além da torneira

E segurança hídrica não significa apenas evitar falta d’água. Ela envolve garantir quantidade e qualidade, proteger mananciais, reduzir enchentes e planejar o uso da água em períodos de escassez. Trata se de lidar tanto com a falta quanto com o excesso de água.

Menos investimento quando o risco aumenta

Apesar do cenário crítico, o orçamento do Estado de São Paulo para ações de segurança hídrica sofreu um corte de cerca de 35% em 2026. O valor caiu de aproximadamente R$ 2,1 bilhões para R$ 1,37 bilhão, mesmo com crescimento do orçamento geral do Estado. Isso indica uma redução de prioridade, e não falta de recursos. Os cortes atingiram áreas estratégicas:

São obras de reforço no abastecimento que não serão feitas,  proteções de mananciais desconsideradas, menos sistemas de drenagem implantados e menor combate a enchentes. Tudo isso ocorre quando os níveis dos reservatórios estão muito próximos aos registrados na crise de 2014 a 2016.

Perspectivas: investir melhor para produzir mais água

E não é só isso. Diante desse “novo normal”, não basta investir mais: é preciso investir melhor. Além do “feijão com arroz” da gestão hídrica, como manutenção de sistemas e obras tradicionais, o poder público deveria apostar em pesquisa e inovação. Um exemplo é a recarga artificial de aquíferos, que consiste em infiltrar no solo água da chuva ou efluentes tratados de forma controlada. O subsolo funciona como uma grande caixa-d’água natural, protegida da evaporação. Esse tipo de solução poderia  aumentar a produtividade da reposição de água, aproveitando melhor cada período chuvoso e reduzindo perdas.

isso poderia reduzir a dependência exclusiva de represas, bem como transformar chuvas intensas em oportunidade. Além disso, aliviaria sistemas de drenagem e poderia integrar saneamento, meio ambiente e abastecimento de outra forma.

A questão em Cotia 

O município depende do sistema metropolitano, está próximo de áreas de mananciais e pode sofrer tanto com a escassez quanto com alagamentos. Quando o Estado reduz investimentos, os impactos aparecem primeiro em cidades da periferia metropolitana, que têm menos autonomia e menor capacidade de resposta. Mas Cotia também traz uma lição.

Árvores: onde a água começa

Quando se fala em crise hídrica, o debate costuma girar em torno de represas, rios e estações de tratamento.  Há no entanto um elemento decisivo que antecede tudo isso: as árvores. Em sistemas geradores de água, preservar e plantar árvores é a ação mais eficiente que existe. As árvores atuam de várias formas ao mesmo tempo. Suas raízes estruturam o solo, aumentam a porosidade e permitem que a água da chuva infiltre em vez de escorrer rapidamente pela superfície. Esse processo é essencial para a recarga dos lençóis freáticos e para manter rios e córregos com vazão constante mesmo em períodos de estiagem.

Outro papel é a evapotranspiração. Árvores de grande porte podem transpirar mais de mil litros de água por dia, devolvendo umidade à atmosfera. Esse vapor contribui para a formação dos chamados “rios voadores”, que influenciam o regime de chuvas no Sudeste e em outras regiões do país. Ou seja, a floresta não apenas recebe melhor a água: ela ajuda a produzir chuva.

A árvore protege o solo contra erosão, evita o assoreamento de rios e age como um filtro natural, melhorando a qualidade da água e reduzindo a quantidade de sedimentos que chegam aos mananciais. Em eventos de chuva intensa, a serapilheira — folhas e matéria orgânica acumuladas no chão — funciona como uma esponja, absorvendo e liberando a água aos poucos, ajudando a reduzir enchentes.

A presença de árvores ao redor de nascentes é igualmente crucial. Elas garantem sombra, estabilidade do solo e proteção contra impactos extremos, evitando que essas fontes sequem ou sejam degradadas.

Cotia como exemplo positivo

Nesse ponto, Cotia se destaca: O Sistema Produtor Alto Cotia só funciona porque cerca de um terço de seu território é coberto por Mata Atlântica preservada. É o Parque Estadual do Morro Grande. Esse maciço florestal garante infiltração, proteção de nascentes e qualidade da água captada, reduzindo custos de tratamento e aumentando a segurança do sistema.

Em um cenário de mudanças climáticas, esse patrimônio ambiental deixa de ser apenas uma simples paisagem, e passa a ser infraestrutura hídrica estratégica. E se você acha que água é um produto, a floresta funciona como uma verdadeira fábrica hídrica, regulando quantidade, qualidade e regularidade da água. Isso no subsolo, na superfície e na atmosfera.

Chove diferente. O risco aumentou. O investimento diminuiu.

A crise hídrica em São Paulo não é apenas climática. Ela resulta da combinação entre um novo regime de chuvas, modelos antigos de gestão e redução de investimentos públicos. Para Cotia, entender esse cenário é essencial e aqui, em mão dupla: tanto para se consumir como para se prover.


Notícias Relacionadas:


 
TENHA NOSSAS NOTÍCIAS DIRETO NO WHATSAPP, CLIQUE AQUI.

Pesquisar




X

































© SITE DA GRANJA. TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 INFO@GRANJAVIANA.COM.BR