14/09/2026
Mauricio Orth
As chuvas intensas que atingiram Cotia e outras cidades da Região Metropolitana de São Paulo nos últimos dias alteraram a rotina da população e colocaram novamente em evidência os desafios de uma cidade que cresceu rapidamente.
Entre os dias 10 e 13 de setembro, o município registrou alagamentos, deslizamentos, obstruções de vias e imóveis atingidos. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, Cotia acumulou aproximadamente 151 milímetros de chuva em 48 horas. Em outro balanço, o município informou um acumulado de cerca de 166 milímetros em 72 horas.
O prefeito Welington Formiga afirmou que aproximadamente 100 casas foram atingidas e que cerca de 62 famílias enfrentavam uma situação difícil. Entre as regiões mencionadas estão Rio Cotia, Jardim Petrópolis, Caputera, Caucaia do Alto, Água Espraiada, Brotas, Purunduva, Jardim Sandra, São Miguel e Parque Mirante da Mata.
A Defesa Civil de Cotia registrou mais de 50 ocorrências relacionadas às chuvas. Equipes em campo vistoriavam áreas vulneráveis. A Secretaria de Obras também foi mobilizada para desobstruções e intervenções emergenciais, enquanto a Secretaria de Desenvolvimento Social ofereceu alimentos, colchões e cobertores às famílias atingidas.
Chuvas alteraram a rotina da cidade
As aulas da rede municipal foram suspensas preventivamente na sexta-feira, 11, e novamente na manhã de segunda-feira, 14, devido aos alertas de tempestades, ventos fortes e granizo, além dos riscos de deslocamento e dos impactos nas unidades escolares.
A comemoração à padroeira Nossa Senhora do Monte Serrat também foi afetada. A Romaria de Cotia a Pirapora do Bom Jesus, Festa do Pastel, Show de Prêmios e apresentação musical previstos foram canceladas.
O que Cotia já vinha fazendo para se preparar?
A atual gestão afirma ter ampliado as ações de prevenção e preparação para eventos climáticos extremos.
Nos últimos meses, a Prefeitura anunciou o mapeamento de áreas de risco, a elaboração de um Plano Municipal de Redução de Risco, a criação de um Comitê de Governança Climática e o reforço do monitoramento realizado pela Defesa Civil, além de ter criado um grupo voltado ao enfrentamento de invasões, loteamentos clandestinos e ocupações irregulares.
Mapeamento de áreas de risco
Em junho, a prefeitura anunciava a elaboração do Plano Municipal de Redução de Risco, com o objetivo de identificar áreas vulneráveis e orientar futuras ações de prevenção. Não se sabe quantas áreas já foram mapeadas, quantas famílias vivem nesses pontos e quais medidas concretas foram adotadas a partir dos levantamentos.
Comitê de Governança Climática
Essa outra iniciativa tem como proposta integrar diferentes secretarias no planejamento de ações relacionadas à prevenção, ao monitoramento e à resposta a eventos extremos.
Além da Defesa Civil, as secretarias de Obras, Meio Ambiente, Habitação, Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Planejamento Urbano também precisam atuar de maneira articulada. O desafio agora é transformar essa integração em ações permanentes, com protocolos, metas e acompanhamento dos resultados.
Desassoreamento de córregos
Welington Formiga afirmou que a Prefeitura já havia realizado o desassoreamento de 30 córregos urbanos. A prevenção também depende da manutenção de galerias pluviais, da preservação de áreas permeáveis e de várzea, da recuperação de margens e do controle da ocupação do solo.
Alertas e educação climática
A Defesa Civil municipal vem divulgando alertas meteorológicos e orientações à população antes da chegada de tempestades. Também realizou ações de educação climática em escolas e participou de atividades relacionadas à resiliência climática.
Defesa Civil registra dezenas de ocorrências
A Lei Orçamentária Anual de 2026 prevê R$ 4,16 milhões para a Defesa Civil. No entanto, a preparação climática envolve outras secretarias e ações, como drenagem, manutenção de córregos, contenção de encostas, fiscalização territorial e atendimento social.
O que vem por aí?
As chuvas de setembro ocorrem em um cenário de atenção para os próximos meses.
Em atualização publicada em 10 de setembro, o Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia informou que as projeções da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) apontam para a intensificação do El Niño até o final de 2026. A probabilidade de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027 supera 90%. Há ainda uma probabilidade de 75% de que o fenômeno seja o mais intenso desde 1950, considerando o trimestre outubro, novembro e dezembro de 2026.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de circulação atmosférica, temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.
Isso não significa, porém, que seja possível prever a data de uma próxima tempestade em Cotia ou afirmar que todos os episódios de chuva intensa serão provocados pelo fenômeno.
Setembro já está entre os mais chuvosos na capital
O próprio Inmet indicou, para setembro, tendência de chuvas acima da média histórica em praticamente toda a Região Sudeste. Na cidade de são Paulo, a estação do Mirante de Santana havia registrado, até as 9h de 12 de setembro, aproximadamente 198,2 milímetros de chuva. O volume já era suficiente para colocar este mês como o quarto setembro mais chuvoso da série histórica daquela estação, iniciada em 1943 — e isso ainda nos primeiros 12 dias do mês.
Uma cidade em transformação
Cotia cresceu muito nas últimas décadas. Esse processo aumenta a pressão sobre a infraestrutura urbana, a drenagem, os serviços públicos e as áreas ambientalmente sensíveis.
Na próxima reportagem, o Site da Granja vai investigar justamente essa questão: as condições de segurança e regularidade de condomínios e loteamentos do município, o histórico de construtoras envolvidas em empreendimentos polêmicos e os cuidados que moradores e compradores devem tomar antes de escolher onde morar.
Diante de um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, a pergunta não é apenas quando vai chover novamente, mas também:
Cotia está crescendo de maneira segura e preparada para essa nova realidade climática?
Serviço
Em situações de risco, a orientação é não se colocar em perigo e buscar ajuda imediatamente.
Fique atento aos alertas oficiais e, se possível, evite áreas de risco durante o período de chuvas.
© SITE DA GRANJA. TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 INFO@GRANJAVIANA.COM.BR