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Manifestação de moradores do Imperiópolis em Cotia questiona reintegração de posse

16/07/2026


Grupo caminhou até o Fórum de Cotia e protocolou documento pedindo que a Justiça analise argumentos apresentados pelo Instituto Imperiópolis

Moradores da ocupação Imperiópolis realizaram uma manifestação na tarde desta terça-feira (14), em Cotia, em defesa das famílias atingidas pela ação de reintegração de posse referente ao processo nº 1007883-10.2023.8.26.0152, que envolve a área conhecida como Santa Mariana.

A mobilização reuniu homens, mulheres e crianças da comunidade. O grupo se concentrou nas proximidades do Atacadão e seguiu em caminhada até o Fórum de Cotia, onde protocolou um requerimento dirigido ao juiz, solicitando que sejam analisados argumentos apresentados pelo Instituto Imperiópolis, associação civil que representa moradores da ocupação. A decisão do juiz ignorava o despacho feito pelo Governo Federal e mantinha a reintegração em curso.


Durante o percurso, houve impacto no trânsito da região. A manifestação, pacífica, contou com acompanhamento da Polícia Militar e de agentes de trânsito.

Chegando ao Fórum, o Instituto Imperiópolis protocolou um requerimento na 3ª Vara Cível da Comarca de Cotia, solicitando que a Justiça analise questões que, na avaliação da entidade, devem ser apreciadas antes do prosseguimento da ação.

O Instituto questiona a legitimidade da empresa autora da ação. Segundo a entidade, documentos levantados pela defesa indicariam que parte da área objeto da disputa teria sido negociada em 1991, razão pela qual sustenta que a empresa não teria legitimidade para figurar como autora do processo.

O requerimento também questiona a delimitação da área e os critérios utilizados para identificar quais imóveis estariam sujeitos ao eventual cumprimento da decisão judicial. Segundo o Instituto, levantamentos realizados em momentos distintos apontaram inicialmente 27 moradias e, posteriormente, 39 imóveis passíveis de serem atingidos pela medida, diferença que, na avaliação da entidade, gera insegurança entre as famílias residentes.

Durante a manifestação, o vereador Dr. Silvio Cabral acompanhou a mobilização e dirigiu-se aos participantes.

Por que o nome Imperiópolis?

Embora a manifestação desta terça-feira tenha sido motivada pela ação de reintegração de posse da área Santa Mariana, a comunidade passou a utilizar a denominação Imperiópolis para identificar um território mais amplo, formado pelas áreas Santa Mariana, Mansur e Parque das Nascentes.

Como mostrou o Site da Granja em reportagem publicada no último dia 7 de julho, essa identidade territorial vem sendo adotada pelos moradores e por suas lideranças comunitárias, passando a constar em documentos oficiais relacionados à mediação do conflito fundiário conduzida pelo Governo Federal.

Apesar da identidade territorial construída pelos moradores, cada uma das três áreas continua possuindo processos judiciais próprios, que seguem sendo analisados separadamente pelo Poder Judiciário.

Ao longo dos últimos anos, o conflito passou a reunir discussões relacionadas ao direito à moradia, propriedade privada, regularização fundiária, preservação ambiental e segurança jurídica. A complexidade do caso aumentou à medida que diferentes instituições — entre elas Ministério Público, Defensoria Pública, Governo Federal, Prefeitura de Cotia e Poder Judiciário — passaram a atuar simultaneamente sobre aspectos distintos do mesmo conflito fundiário.

Na semana passada, o juiz responsável pelo caso manteve a continuidade do processo de reintegração de posse da área Santa Mariana, ao rejeitar embargos apresentados pela Defensoria Pública e o ofício do Governo Federal. A decisão, entretanto, ainda é objeto de recursos.


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