16/09/2026
Após dias de chuva intensa, Cotia amanheceu nesta quarta-feira (16) sem precipitações significativas. A redução dos acumulados fez o município deixar de figurar entre as cidades com índices relevantes de chuva no último relatório do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Apesar da trégua, a Defesa Civil mantém o monitoramento das áreas consideradas mais vulneráveis, já que o solo permanece encharcado.
Segundo o levantamento divulgado pela Defesa Civil, o acumulado de chuva em Cotia nas últimas 48 horas caiu de 90 mm, registrado na manhã de terça-feira (15), para 18 mm nesta quarta-feira (16). Nas últimas 24 horas, foram contabilizados apenas 5 mm.
O CGE informou que Cotia não foi incluída na relação de acumulados significativos das últimas 72 horas devido à ausência de novos índices relevantes de chuva.
A redução dos volumes diminui os riscos imediatos de alagamentos e enchentes, mas não elimina os efeitos provocados pela sequência de precipitações. Com o solo saturado, áreas de encosta e terrenos próximos a rios e córregos continuam exigindo atenção.
A engenheira ambiental Ana Paula Botelho, da Secretaria do Meio Ambiente de Cotia, explica que o solo possui pequenos espaços que, em condições normais, são ocupados por ar. Com a chuva, esses espaços passam a ser preenchidos por água.
Quando o solo atinge o ponto de saturação, deixa de conseguir absorver novos volumes. A água passa então a escoar pela superfície, aumentando a possibilidade de erosão e instabilidade do terreno.
“O solo vai recebendo a água até atingir sua saturação máxima. A partir daí, não há mais infiltração e a água começa a escoar por cima. É nesse momento que acende o sinal de alerta, porque o solo fica mais suscetível a desmoronamentos”, explica a engenheira.
O risco também pode ser maior nas margens de rios e córregos. Com o terreno saturado, essas áreas podem perder estabilidade e sofrer deslizamentos.
Um dos sinais que podem ser observados pelos moradores é a permanência de água sobre terrenos que normalmente absorvem a chuva. Poças que continuam no local mesmo após o fim da precipitação podem indicar que o solo está com grande quantidade de água.
O período necessário para que o solo volte às condições normais varia conforme fatores como composição, quantidade de chuva e capacidade de drenagem.
Solos mais argilosos tendem a reter água por mais tempo, enquanto terrenos arenosos geralmente apresentam drenagem mais rápida. Por isso, os efeitos de uma sequência de chuvas intensas podem permanecer mesmo depois que a precipitação diminui.
É uma das razões pelas quais a Defesa Civil continua acompanhando as áreas mais suscetíveis a ocorrências, mesmo com a redução dos volumes registrados nesta quarta-feira.
A população também pode contribuir para reduzir problemas relacionados às chuvas. Entre as recomendações estão não jogar lixo em ruas, rios e córregos, dar a destinação adequada a móveis, entulho e outros resíduos e evitar a obstrução de bueiros e sistemas de drenagem.
A preservação de árvores, áreas verdes e da vegetação próxima aos cursos d’água também ajuda na proteção do solo. Situações de risco devem ser comunicadas aos órgãos municipais.
Além da sequência recente de chuvas, os dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que setembro de 2026 já apresenta um volume muito acima do registrado nos anos anteriores.
Nos primeiros 14 dias do mês, o acumulado médio dos pluviômetros considerados válidos para o levantamento chegou a 204 mm.
Entre 2016 e 2025, a média dos meses completos de setembro em Cotia foi de 52,9 mm. Dessa forma, o volume registrado até 14 de setembro de 2026 equivale a 3,86 vezes a média da última década, ou cerca de 286% acima desse valor.
O maior acumulado médio de setembro entre os dez anos anteriores havia sido registrado em 2022, com 136,4 mm.
Mesmo comparando os primeiros 14 dias de 2026 com meses completos dos anos anteriores, os 204 mm registrados neste mês já superam em aproximadamente 49,5% o volume de setembro de 2022.
Cotia possui sete pluviômetros automáticos cadastrados na rede do Cemaden, distribuídos por diferentes regiões do município. A rede inclui equipamentos em localidades como Monte Catine, Caucaia do Alto, Jardim Adelina, Santa Isabel, Rio Cotia, Parque Miguel Mirizola e Morro Grande.
A distribuição dos equipamentos é importante porque a chuva pode apresentar grandes diferenças entre regiões próximas. Um ponto do município pode receber um volume elevado enquanto outro registra uma quantidade menor no mesmo período.
Na análise histórica, porém, nem todos os equipamentos apresentaram dados completos em todos os meses. Houve períodos com interrupções de transmissão, início ou encerramento dos registros e dados considerados incompatíveis com as demais estações.
Por isso, a quantidade de pluviômetros utilizada na comparação varia de acordo com cada ano. Em 2016, 2017, 2018, 2020 e 2022, foram considerados seis equipamentos. Em 2019, 2021 e 2023, cinco; em 2024, quatro; e em 2025, três.
Para o período de 1º a 14 de setembro de 2026, três pluviômetros apresentaram registros contínuos durante todo o intervalo analisado.
| Ano | Acumulado médio | Pluviômetros utilizados |
|---|---|---|
| 2016 | 23,7 mm | 6 |
| 2017 | 31,2 mm | 6 |
| 2018 | 77,0 mm | 6 |
| 2019 | 68,9 mm | 5 |
| 2020 | 17,1 mm | 6 |
| 2021 | 20,5 mm | 5 |
| 2022 | 136,4 mm | 6 |
| 2023 | 64,1 mm | 5 |
| 2024 | 33,3 mm | 4 |
| 2025 | 56,3 mm | 3 |
| 2026, até 14/9 | 204,0 mm | 3 |
Média dos meses de setembro entre 2016 e 2025: 52,9 mm.
© SITE DA GRANJA. TELEFONE E WHATSAPP 9 8266 8541 INFO@GRANJAVIANA.COM.BR