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Cotia quer uma vaga no Congresso Nacional

19/05/2026


Mauricio Orth

Crescimento acelerado, eleitorado fragmentado e diferentes pré-candidaturas expõem o desafio de unificar politicamente a cidade

Cotia nunca teve tantos moradores, tantos eleitores e um cenário tão movimentado de possíveis candidaturas locais ao Congresso Nacional. Ao mesmo tempo, a cidade segue convivendo com uma dificuldade histórica: transformar seu crescimento urbano, econômico e populacional em representação política consolidada em Brasília.

Diversidade

A menos de um ano das eleições de 2026, nomes de perfis bastante distintos começam a disputar esse espaço: a ex-vice-prefeita Ângela Maluf (PSD), o comunicador Eduardo Mascarenhas, o Xaropinho (PDT), o médico e professor José Alfredo Bosi (PSB), além de outros possíveis pré-candidatos ligados à região, como Marcel Muscat e Miguel Chaussê.

Mesmo com crescimento populacional acelerado nas últimas décadas, Cotia ainda busca consolidar representação própria no Congresso Nacional. Historicamente, o eleitorado da cidade se mostrou pulverizado entre candidatos de diferentes regiões e grupos políticos, dificultando a formação de lideranças federais diretamente associadas ao município. Cotia nunca consolidou uma representação federal estável claramente identificada com o município.

Mas o surgimento dessas candidaturas também abre uma discussão mais profunda: por que uma cidade que cresce tanto continua com dificuldade de eleger representantes próprios para a Câmara Federal?

Crescimento acelerado

Os números ajudam a dimensionar a transformação vivida por Cotia nas últimas décadas. Segundo dados do IBGE, entre 2010 e 2022, a população da cidade cresceu cerca de 36% enquanto o número de domicílios aumentou aproximadamente 61%.

No mesmo período, o crescimento populacional da capital paulista foi de apenas 1,8%, enquanto a média do Estado de São Paulo ficou em 7,6%.

O eleitorado também acompanhou esse avanço. Em pouco mais de uma década, Cotia saiu de cerca de 120 mil eleitores para quase 190 mil.

Os números mostram uma cidade em rápida expansão metropolitana, marcada pela multiplicação de condomínios, novos bairros, deslocamento pendular e forte heterogeneidade social.

Ao contrário da antiga imagem de cidade semi-rural ou de lazer de fim de semana, Cotia consolidou-se como território residencial permanente da Região Metropolitana de São Paulo.

Mas esse crescimento urbano não foi acompanhado, necessariamente, pela consolidação de uma identidade política comum.

Cidade dormitório e voto fragmentado

Uma das interpretações para esse fenômeno aparece justamente na fala de um dos pré-candidatos.

Para Eduardo Mascarenhas, o Xaropinho, Cotia passou a assumir características típicas de cidade dormitório. Segundo ele, isso influencia diretamente a forma como o eleitor se relaciona politicamente com a cidade.

“O discurso de tribos e tudo mais faz com que as pessoas se identifiquem com pautas que muitas vezes o candidato não está na sua região. O candidato está lá em outra região, mas se ele se identifica com a pauta do cara, você acaba votando nele por uma questão de tribo mesmo”, disse.

A análise dialoga com o comportamento eleitoral recente do município.

Nas eleições proporcionais, Cotia costuma apresentar votação bastante pulverizada entre candidatos ligados a diferentes correntes ideológicas, figuras midiáticas, influenciadores políticos e lideranças estaduais sem vínculo territorial direto com a cidade.

O fenômeno parece diferente do observado em municípios vizinhos como Osasco e Barueri, que historicamente conseguiram consolidar grupos políticos mais verticalizados e concentrar votações expressivas em candidatos identificados diretamente com o município.

Crescimento sem pertencimento?

A hipótese que começa a surgir a partir dos dados urbanos e eleitorais é que o crescimento acelerado de Cotia pode ter produzido uma cidade cada vez mais populosa — mas também mais fragmentada social e politicamente.

A expansão de condomínios, o aumento do deslocamento diário para outras cidades, a influência das redes sociais e o fortalecimento de identidades políticas digitais parecem reduzir o peso do voto territorial tradicional.

Décadas antes da explosão das redes sociais, a psicóloga social e professora da USP Ecléa Bosi, moradora histórica da Granja Viana, já refletia sobre os impactos do desenraizamento urbano.

“O desenraizamento a que nos obriga a vida moderna é uma condição desagregadora da memória”,

escreveu.

A frase, hoje, parece dialogar diretamente com a dificuldade de cidades metropolitanas como Cotia em consolidar representação política regional estável.

Diferentes leituras para o mesmo problema

As respostas dos pré-candidatos mostram que, embora todos falem em representação regional, cada um interpreta de maneira diferente a dificuldade histórica de Cotia em eleger deputados federais próprios.

Ângela Maluf: experiência administrativa e articulação regional

Ex-vice-prefeita de Cotia entre 2021 e 2024, Ângela Maluf recebeu recentemente convite do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para disputar uma vaga de deputada federal. Atualmente, atua no CONISUD, consórcio intermunicipal que reúne cidades da região sudoeste da Grande São Paulo.

Em sua avaliação, o problema passa principalmente pela estrutura do sistema político.

“Os candidatos locais precisam disputar votos com políticos de todo o território estadual ou federal, competindo diretamente com grandes estruturas financeiras e bases eleitorais de cidades muito mais populosas”,

afirmou.

Para ela, a pulverização dos votos também decorre da ausência histórica de candidaturas locais mais competitivas.

“A população acaba dividindo seus votos entre deputados de outras regiões”, disse.

Ao defender sua própria pré-candidatura, Ângela aposta na experiência administrativa e na proximidade com a população.

“Minha trajetória sempre foi construída muito perto das pessoas, ouvindo as famílias, entendendo as dificuldades do dia a dia e buscando amenizar os problemas”, afirmou.

A ex-vice-prefeita também destacou sua experiência na gestão pública e afirmou defender uma política “mais próxima, menos distante da realidade das pessoas”.

Xaropinho: cidade dormitório e pertencimento popular

Já Eduardo Mascarenhas, o Xaropinho, constrói uma leitura mais sociocultural e metropolitana do problema.

Morador de Cotia há cerca de dez anos, ele afirma que a cidade vive uma espécie de desenraizamento político provocado pela própria dinâmica urbana contemporânea.

“Hoje um dos maiores desesperos lá é ir e vir, a gente não consegue ir e vir”,

afirmou ao citar problemas de mobilidade, especialmente na Raposo Tavares.

Com quase três décadas de atuação ao lado do apresentador Ratinho no SBT, Xaropinho tenta se apresentar além da figura televisiva e enfatiza a atuação social e comunitária construída ao longo dos anos.

Ele destaca a atuação religiosa e quase 30 anos de trabalho social em hospitais, presídios, abrigos e projetos comunitários, além da longa trajetória profissional construída ao lado do apresentador Ratinho. “O evangelho exige uma postura proativa de função social”, afirmou. Ele também afirma defender o diálogo e rejeitar a lógica de polarização política.

“Não sou do debate. No diálogo a gente pega uma xícara de café, senta junto e eu estou aberto às suas ideias”, disse.

José Alfredo Bosi: medicina, ambiente e identidade regional

O médico, professor e ativista da saúde pública José Alfredo Bosi oferece uma terceira leitura para o cenário político da região. Com atuação ligada ao SUS, medicina de família e planejamento urbano, ele tenta construir uma candidatura associada à qualidade de vida metropolitana e à preservação ambiental. Sua carreira tem raízes na saúde pública, economia e gestão social.

Filho do crítico literário Alfredo Bosi e da psicóloga social Ecléa Bosi, José Alfredo pertence a uma família historicamente ligada à Granja Viana desde os anos 1970, período em que intelectuais, artistas e movimentos comunitários participaram ativamente dos debates sobre preservação ambiental e crescimento urbano da região.

Para ele, Cotia acabou “diluída politicamente dentro de uma região metropolitana muito grande”.

“O crescimento aconteceu de forma muito rápida, com desafios urbanos importantes, como mobilidade, expansão desordenada e pressão sobre os serviços públicos”, afirmou. Ainda assim, Bosi acredita que existe uma mudança em curso.

“A população de Cotia e da Granja Viana está cada vez mais participativa, mais consciente e mais preocupada com qualidade de vida, sustentabilidade e planejamento urbano”,

disse.

Sua pré-candidatura busca dialogar especialmente com temas ligados: à saúde pública; ao planejamento urbano; à preservação ambiental e à qualidade de vida metropolitana.

“Crescimento econômico precisa caminhar junto com planejamento urbano, preservação ambiental e mobilidade inteligente”, afirmou.

Uma disputa por representação — e também por identidade

As diferentes pré-candidaturas revelam não apenas projetos eleitorais distintos, mas também diferentes formas de compreender o que significa representar Cotia.

Enquanto alguns apostam na experiência administrativa, outros no trabalho social, outros na identidade regional  e outros ainda na comunicação popular.

No fundo, todas as candidaturas parecem disputar algo maior do que uma vaga na Câmara Federal: a própria definição da identidade política de uma cidade em transformação.

Talvez a principal questão deixada pelo cenário de 2026 já não seja apenas quem poderá representar Cotia em Brasília.

Mas se cidades metropolitanas hiperconectadas, fragmentadas socialmente e fortemente influenciadas pelas redes sociais ainda conseguem produzir representação política verdadeiramente enraizada em seu território.


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