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Retrospectiva: Cotia sob pressão em 2025

29/12/2025


Mauricio Orth

Entre impasses urbanos, mobilização social e vitórias ambientais, o ano expôs as disputas que atravessam Cotia e a Granja Viana.

O ano de 2025 foi marcado, em Cotia e na Granja Viana, por disputas centrais sobre território, mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida. Decisões judiciais, grandes projetos de infraestrutura, conflitos ambientais e ações do poder público moldaram um cenário de tensões, incertezas e, em alguns casos, conquistas históricas.

A judicialização do Plano Diretor expôs a fragilidade do ordenamento urbano e a insegurança jurídica vivida pelo município. A concessão da Rodovia Raposo Tavares e o projeto “Nova Raposo” mobilizaram moradores, técnicos e instituições, transformando a mobilidade em um debate regional e ambientalmente sensível. Em se falando nisso, a agenda ambiental ganhou protagonismo, tanto pelos conflitos envolvendo obras e grandes empreendimentos quanto por avanços estruturais na preservação do território.

Esta retrospectiva reúne os principais fatos que marcaram 2025, organizados por eixos temáticos, com o objetivo de oferecer uma leitura clara sobre os impasses, riscos e conquistas que atravessaram o ano.

A novela do Plano Diretor

Entre todos os temas, o Plano Diretor sintetizou de forma mais direta o ambiente de instabilidade vivido por Cotia em 2025. Mais do que um debate técnico, a sucessão de decisões judiciais evidenciou a dificuldade do município em estabelecer regras claras para o uso e a ocupação do solo.

A suspensão das leis aprovadas em 2022 e 2024, por decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo a partir de ações do Ministério Público, criou um vácuo normativo com impacto direto sobre moradores, empreendedores e a própria administração pública. Esse cenário de insegurança jurídica acabou servindo de pano de fundo para outros conflitos, especialmente aqueles relacionados à expansão urbana e à pressão crescente sobre áreas ambientais.

Agenda ambiental: conflitos, fiscalização e respostas institucionais

A pauta ambiental ocupou espaço central em 2025, sempre ancorada em casos concretos e impactos diretos sobre o território. O Parque das Nascentes apareceu como símbolo da vulnerabilidade ambiental urbana, alternando momentos de alerta com perspectivas de recuperação.

Na Fazendinha, o embargo de obras por crime ambiental escancarou o conflito recorrente entre interesses imobiliários, fiscalização e decisões judiciais. A posterior liberação das obras revelou as ambiguidades que marcam o licenciamento ambiental em áreas sensíveis.

Esse debate ganhou novos contornos no final do ano com o caso da Prologis, cujo empreendimento logístico no km 26 da Raposo Tavares foi alvo de embargos sucessivos. A Justiça interpretou que suas decisões não estavam sendo atendidas e determinou a paralisação total das obras, apontando falhas no licenciamento e estabelecendo multas em caso de descumprimento. O episódio reforçou críticas sobre a condução de grandes projetos em Cotia e se somou ao caso da Fazendinha como exemplo de um modelo de ocupação que tensiona os limites legais e ambientais da região.

As megaoperações ambientais realizadas pelo Estado sinalizaram endurecimento da fiscalização, com multas expressivas em áreas críticas, como na região da Barragem. Já a proposta de passagem de um oleoduto por Cotia reacendeu alertas sobre a eventual facilidade de se inserir grandes empreendimentos de infraestrutura em um território já pressionado.

Morro Grande: vitória ambiental e patrimonial

Inserida nesse contexto, a pauta do Morro Grande revelou que 2025 também foi um ano de conquistas. A Reserva ganhou densidade como tema ambiental, social e histórico, ao ser tratada não apenas como floresta, mas como território de memória e identidade. Uma demonstração de salto qualitativo: a questão ambiental se tornou socioambiental e a política deixou de ser sustentável para se tornar regenerativa.

Um marco decisivo foi a iniciativa da Prefeitura de Cotia de ingressar com o processo de tombamento da Vila do DAE, reconhecendo seu valor histórico e garantindo proteção legal à ocupação humana inserida na área ambientalmente protegida. O ciclo se completou com a transformação da Reserva em Parque do Morro Grande, consolidando uma dupla conquista do ano: preservação ambiental e proteção patrimonial.

Segurança pública

A segurança pública foi uma das áreas de maior visibilidade da gestão municipal. Operações, prisões de foragidos famosos, combate a crimes específicos e ações relacionadas à perturbação do sossego marcaram o ano.

O projeto Smart Cotia ganhou protagonismo com investimentos em tecnologia, reconhecimento facial e centros de monitoramento. Indicadores oficiais apontaram queda em determinados tipos de crime, ainda que persistam desafios na fiscalização e na convivência urbana.

Gestão 

As entrevistas com secretários municipais ajudaram a compreender prioridades e limites da administração em áreas como habitação, mobilidade, segurança e meio ambiente. O primeiro ano do prefeito Formiga foi acompanhado de trocas de secretários, desafios gigantescos nas áreas básicas (Saúde, Educação, transportes) e reportado a partir de decisões concretas, respostas a crises e compromissos públicos.

Cultura

No campo cultural, a inauguração do Teatro Municipal representou um marco simbólico. Após debates sobre o nome e acompanhamento das obras, o equipamento passou a simbolizar a retomada do investimento em cultura, ainda que permaneça o desafio de se consolidar uma programação contínua.

Disputas e aprendizados

Ao longo de 2025, Cotia viveu um ano de disputas intensas. A instabilidade do Plano Diretor, os conflitos em torno da Nova Raposo e a pressão sobre áreas ambientais evidenciaram um território tensionado e em transformação.

Ao mesmo tempo, avanços como a criação do Parque do Morro Grande e o tombamento da Vila do DAE demonstraram que a preservação ambiental pode caminhar junto com memória, patrimônio e decisões administrativas concretas. Mais do que uma soma de fatos, 2025 se consolidou como um ano de aprendizado coletivo, no qual o debate sobre o futuro da cidade ganhou centralidade — e seguirá exigindo atenção, participação e transparência.


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