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Conflito no entorno do Parque das Nascentes entra em nova fase

28/01/2026


Mauricio Orth


Escalada recente do desmatamento, vídeo anônimo, decisões judiciais e divergência entre MP e Prefeitura reposicionam o conflito ambiental e fundiário em Cotia.

O avanço massivo do desmatamento e das ocupações irregulares no entorno do Parque das Nascentes, em Cotia, aponta que esta questão entrou, nos últimos meses, em uma nova fase.

A percepção não vem apenas de imagens aéreas ou relatórios técnicos, mas do aumento expressivo de mensagens enviadas ao Site da Granja, relatando derrubada acelerada de árvores, queimadas e  abertura de vias.

A circulação de um vídeo nas redes sociais — recebido e divulgado pelo Site da Granja na segunda-feira, 26/01 — que convoca milhares de famílias a se instalarem na região, com promessas genéricas de acesso a serviços públicos, acaba por evidenciar o problema. O material busca funcionar como catalisador de um processo já em curso.

Migração das invasões para áreas privadas

Atualmente, a área pública do Parque das Nascentes, com cerca de 164 mil m², vem sendo alvo de vistorias periódicas da Prefeitura de Cotia, obedecendo decisão judicial. Novas construções têm sido removidas e destruídas. A reportagem foi, inclusive, convidada a acompanhar uma dessas ações, prevista para ocorrer no início de fevereiro.

O avanço mais intenso das ocupações, portanto, migrou para áreas privadas vizinhas, nos terrenos conhecidos como Área Mansur e Área Santa Mariana. Somadas à área do parque, essas regiões formam um contínuo territorial que se aproxima de 1 milhão de m², ampliando de forma significativa o impacto ambiental, urbano e social do conflito. Esse deslocamento ajuda a explicar por que, mesmo com maior presença do poder público dentro do parque, o desmatamento voltou a se intensificar na região.

A decisão judicial de novembro e a mudança de cenário

Um marco dessa nova fase é a sentença do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), proferida em 30/10/2025, no âmbito de uma Ação Civil Pública que discute a ocupação do Parque das Nascentes. A decisão rejeitou a remoção imediata das construções existentes e determinou a adoção de medidas como diagnósticos sociais, estudos técnicos e ações graduais de mitigação ambiental. Ressaltando a complexidade social do conflito, a sentença afastou, naquele momento, medidas de desocupação.

Divergência aberta entre Ministério Público e Prefeitura

Após a sentença, o Ministério Público (MP) recorreu, ingressando com pedido de efeito suspensivo. O órgão sustenta que a ocupação irregular se intensificou após 2018 em área ambientalmente protegida e que a legislação impede a regularização fundiária em situações como essa. Para o MP, a ocupação ilegal representa risco de dano ambiental irreversível.

Após o recurso do MP, a Prefeitura apresentou suas contrarrazões ao TJSP, defendendo a manutenção integral da sentença. O Município afirmou que não houve omissão do poder público, alegou ter realizado fiscalizações e demolições pontuais e argumentou que o enfrentamento ao crime organizado é atribuição constitucional do Estado, não da administração municipal.

Atas do TJSP e a visita técnica de setembro: o possível gatilho

Documentos oficiais do TJSP indicam que, ao longo de 2025, o conflito fundiário na região passou a ser tratado como um processo estrutural, com reuniões envolvendo Prefeitura, Ministério Público, Defensoria Pública, Governo do Estado, representantes dos proprietários das áreas e órgãos de segurança.

As atas registram a realização de visitas técnicas ao território, incluindo uma visita institucional ocorrida em setembro de 2025, voltada à verificação da possibilidade de soluções fundiárias e habitacionais fora das áreas ambientalmente protegidas.

Segundo relatos colhidos pela reportagem junto a fontes ligadas à administração municipal, sob condição de anonimato, a sinalização de que haveria uma possível solução em discussão — reforçada pela presença de autoridades no local — acabou sendo interpretada por grupos locais como um aval informal à ocupação, sobretudo nas áreas privadas vizinhas ao parque.

Embora não respaldada por decisão judicial ou administrativa formal, essa interpretação funcionou como um gatilho para novas invasões, coincidindo com o aumento exponencial do desmatamento.

O vídeo das “dez mil famílias”

É nesse contexto que passa a circular o vídeo anônimo que convoca famílias a ocuparem a região, mencionando a possibilidade de acesso a serviços públicos. O material não apresenta oferta explícita de venda de lotes, mas adota linguagem de mobilização coletiva. Ele não explica sozinho a escalada recente, mas confirma um ambiente de estímulo às ocupações irregulares já em curso.

Reação da Prefeitura após o vídeo

Após a divulgação do vídeo pelo Site da Granja, a Prefeitura publicou nota oficial alertando que a área citada é objeto de processo judicial que prevê reintegração de posse e autorização para demolição das construções irregulares.

Na nota, o município reforça que o parcelamento irregular do solo é crime e orienta a população a não adquirir terrenos sem documentação regular, alertando para o risco de prejuízos financeiros.

Um entre vários processos que tratam da área

O processo citado pela Prefeitura é apenas um entre vários que tratam da ocupação na região do Parque das Nascentes e entorno. Além dessa ação de natureza fundiária, há processos de caráter ambiental e criminal que abordam outros aspectos do conflito. O Site da Granja se aprofundou em quatro deles.

Entre esses processos está a Ação Civil Pública ambiental que deu origem à sentença de outubro e ao recurso do Ministério Público, além de um processo criminal conduzido pelo GAECO, que apura a origem do loteamento clandestino, a atuação de organização criminosa e a eventual participação ou facilitação de servidores públicos nos crimes listados nos autos.

Nas contrarrazões apresentadas ao TJSP, a Prefeitura optou por centrar sua defesa na dimensão fundiária e social do conflito, sem mencionar esse processo criminal. Advogados avaliam que essa centralização pode refletir uma escolha estratégica, focando os efeitos imediatos da ocupação, sem enfrentar a discussão sobre suas causas e eventuais responsabilidades criminais.

Relatos de medo e insegurança

Diante da eventual presença do crime organizado na região, o medo levou parte dos moradores vizinhos a pedir anonimato e, em alguns casos, a recusar entrevistas. As poucas pessoas ouvidas relatam um cenário de crescente insegurança ambiental e social. O desmatamento intenso, as queimadas e o aumento da circulação de pessoas desconhecidas passaram a fazer parte da rotina. Além da insegurança, há relatos de desvalorização dos imóveis e angústia diante da possibilidade de mudanças irreversíveis no território.

Narrativas em choque

Enquanto a Prefeitura defende soluções graduais para um problema social considerado consolidado, o Ministério Público sustenta que a origem do conflito está ligada a crimes ambientais e ao parcelamento ilegal do solo, com indícios de atuação organizada. O Judiciário, por sua vez, busca articular soluções institucionais, ao mesmo tempo em que registra preocupação com a expansão descontrolada das ocupações.

O Site da Granja aguarda posicionamento da Prefeitura sobre as perguntas encaminhadas pela reportagem. A matéria será atualizada assim que houver resposta.


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