01/10/2026
Mauricio Orth
Foi justamente por causa do Ekko Live Granja Viana 2, na Avenida São Camilo, 733, que o Site da Granja voltou a olhar para a história da Ekko em Cotia.
O Site da Granja teve acesso a documentos e informações relacionados ao caso e buscou esclarecer uma questão sobre a participação da empresa Ipê Realty, responsável por investimentos e estruturação de negócios imobiliários: a Ipê tinha ou não alguma responsabilidade pelo Live 02?
A resposta, segundo a documentação pesquisada e depois confirmada pela empresa e a sentença já proferida pela Justiça, foi negativa. Mas o que os documentos levantados continham era uma história muito maior do que a do condomínio que não saiu do papel.
O Live 02 que (ainda?) não aconteceu
O empreendimento deveria ter 234 unidades. A incorporação foi registrada em julho de 2021 e os contratos com compradores começaram a ser firmados naquele período. O que veio depois foi bem diferente.
A área foi desmatada, mas as obras não avançaram. O empreendimento sofreu embargo do Ibama e problemas relacionados à movimentação de terra provocaram erosão e carreamento de barro, com impactos sobre imóveis vizinhos e curso d’água próximo. A responsável pela incorporação era a São Camilo II, ligada à Ekko Group. E é justamente aí que começa a história da Ipê Realty.
Por que a Ipê apareceu?
A atual Ipê Realty se chamava antigamente Ekko Realty, e foi constituída em abril de 2022. O Live 02 havia sido incorporado e vendido antes disso. A própria documentação identifica a empresa São Camilo II como a SPE (Sociedade de Propósito Específico) responsável pelo Live 02. Mesmo assim, compradores tentaram alcançar também a Ipê em uma ação judicial.
A Justiça rejeitou o pedido de responsabilização. No processo, não foram comprovados os requisitos necessários para transferir à Ipê as obrigações da empresa responsável pelo empreendimento.
No caso do Live 02, portanto, a Ipê não foi responsabilizada judicialmente pelos descumprimentos relacionados ao condomínio.
Mas se a Ipê não tinha relação com o Live 02, por que seu nome apareceu na disputa? A resposta está na própria história da Ekko.
De Ekko Realty a Ipê Realty
A Ipê nasceu de uma parceria entre a Ekko Group e a Fingerprint Participações, empresa ligada a Carlos Eduardo Moraes Scripilliti, integrante de uma família associada aos herdeiros da Votorantim.
A parceria começou em 2022 e tinha como objetivo realizar investimentos conjuntos em determinados empreendimentos imobiliários. A sociedade recebeu inicialmente o nome de Ekko Realty Ltda. Depois, passou a se chamar Ipê Realty.
Duas histórias
A relação entre a Ekko e a Fingeprint, não é descrita da mesma maneira por todos os envolvidos.
De um lado, a documentação apresentada pela Ipê descreve uma joint venture específica, voltada a determinados investimentos. Nessa versão, Ekko e Fingerprint continuavam com negócios próprios e independentes.
De outro, reportagens do Estadão sobre a crise da incorporadora apresentaram uma descrição mais ampla da relação. Segundo o relato do fundador e CEO da Ekko, Diego Dias Silva, as empresas teriam passado por uma integração maior, com SPEs compartilhadas, administração comum, reuniões de conselho e decisões conjuntas.
É uma descrição que dá à parceria uma dimensão bastante ampla.
A documentação societária, entretanto, mostra que a estrutura formal da Ipê nasceu em 2022 e que o vínculo societário entre Ekko e Fingerprint terminou em 2024.
O divórcio de 2024
Em março de 2024, Ekko e Fingerprint encerraram a parceria. A separação também deixou uma divisão clara: os empreendimentos que faziam parte da parceria ficaram sob responsabilidade da Ipê, enquanto projetos que pertenciam exclusivamente à Ekko continuaram fora dela. E o Live 02 estava justamente neste segundo grupo.
O problema era maior que o Live 02: o que esperar da Ekko nos seus oito empreendimentos e mais de mil unidades comercializadas só na Granja Viana?
O caso de Cotia é apenas uma parte da história. Por que a Ekko está nessa situação?
Nessa matéria de fev/2026, o Estadão descreveu uma incorporadora com obras paradas, problemas com compradores e uma relação já rompida com a Ipê.
O Reserva Golf, em Osasco, foi outro capítulo importante da crise: o megaprojeto teve as obras suspensas por decisões judiciais relacionadas a questões ambientais e urbanísticas e marcou o desgaste da relação entre a Ekko e a Ipê Realty.
Em Cotia, enquanto isso, outros empreendimentos da Ekko também passaram a aparecer em reclamações e processos judiciais. É nesse contexto que surge o capítulo mais recente.
O começo do fim?
Em 09 de setembro de 2026, compradores que já haviam recorrido à Justiça em diferentes disputas envolvendo empresas ligadas à Ekko decidiram se unir para apresentar um pedido de falência contra a Ekko Group Construções e Gerenciamento Ltda. e a Granja Km 20 Empreendimento Imobiliário.
O pedido foi distribuído à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A Granja Km 20 é uma SPE ligada ao Ekko Live Granja Viana, na Estrada Municipal Walter Steurer.
Mas isso não significa que a Ekko Group esteja em falência. Por enquanto, existe um pedido que ainda será analisado pela Justiça. O que ele mostra é que a história dos problemas envolvendo a incorporadora, seus empreendimentos e seus compradores ganhou um novo capítulo.
Comprou um imóvel da Ekko?
Para quem comprou um imóvel de alguma empresa ligada à Ekko, o primeiro cuidado é identificar qual empresa ou SPE aparece no contrato. Antes de aceitar qalquer distrato, acordo ou proposta de pagamento, é recomendável buscar orientação jurídica.
Vale reunir:
• contrato de compra e venda e comprovantes de pagamento;
• toda a comunicação mantida com a incorporadora;
• documentos de eventual processo judicial;
• nome e CNPJ da empresa responsável pelo empreendimento;
• informações sobre eventual cumprimento de sentença ou acordo.
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