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Quarto Caminho

07/10/2021

Sem tempo para morrer (da Série “Contos do Despertar”)



Minha vida era uma verdadeira loucura, vivia com meu marido, minha filhinha de cinco anos e meus pais em um pequeno apartamento. E trabalhava como corretora em uma imobiliária, de segunda a domingo. Não descansava nem quando estava dormindo! Passava os dias correndo de um lado para o outro, sempre nervosa, preocupada, infeliz, carente de tudo.

Certo dia estava presa no trânsito, muito irritada porque tinha de pegar minha menina na creche e chegaria atrasada, quando, subitamente, do nada, uma bala perdida me atingiu, perfurando meu corpo logo abaixo do coração. Perdi os sentidos e quando dei por mim estava no hospital sendo levada às pressas para uma cirurgia de emergência. 

Tive certeza de que estava morrendo e, no auge do desespero, antes da anestesia, lembro-me de ter implorado: “Não me deixem morrer, pelo amor de Deus, tenho uma criança para cuidar! Não posso ir embora agora, não chegou minha hora, salvem a minha vida!”

Quando acordei dois dias depois na UTI, a primeira pessoa que vi foi um médico simpático, segurando minha mão e me chamando pelo nome. Ele me contou que a cirurgia correra muito bem e que eu estava fora de perigo, mas precisaria ficar no hospital me recuperando por vários dias até ter condições de receber alta. Impossível descrever o alívio imenso que senti naquele momento; chorei silenciosamente de alegria e gratidão.

Tempos depois, quando estava trocando os curativos, ouvi meu marido falando com o médico no corredor: “Doutor, quando ela vai ter alta? Está fazendo muita falta, a casa está uma bagunça, minha vida virou de ponta-cabeça, tenho que cuidar de tudo, estou tendo prejuízo nos meus negócios!” 

Quando ouvi essas palavras tive, pela primeira vez, uma visão clara do absurdo que era a minha vida. Em nenhum momento, aquele homem que eu ainda amava me dissera uma palavra de conforto e de carinho. Ele estava tão perdido no seu mundo quanto eu estivera no meu até o dia do acidente. Senti uma enorme compaixão por nós dois.

Os dias que passei naquele hospital foram uma benção, pois tive tempo de descansar, refletir e tomar as decisões que mudariam o meu destino. Quando voltei para casa eu era outra pessoa, havia acordado de um pesadelo e me sentia deliciosamente livre. 

Para encurtar a história, separei-me do meu marido de forma pacífica, larguei o emprego e aluguei um velho sobrado em uma rua tranquila, com um quintal cheio de plantas e luz. Na frente da casa montei uma doceria com uma amiga, realizando um sonho antigo. Agora faço aquilo de que gosto e ganho bem. 

É tão bom acordar todas as manhãs com um sorriso no rosto, tomar o café sem pressa, olhar para o céu, sentir a luz e o calor do sol no corpo, e agradecer por cada dia. Meus pais estão felizes e me ajudam de todas as maneiras. E minha menina está desabrochando como uma linda flor. E há mais uma novidade. Lembram-se do médico simpático e carinhoso que conheci no hospital? Estamos namorando. 

Consegui organizar com amor e inteligência a minha vida e de minha família. Mas agora sei que tudo passa, não há como segurar o tempo, só podemos viver o momento presente. E cada momento é único e perfeito. Mesmo aqueles que parecem o fim do mundo.

Carmem Carvalho e Marian Bleier


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