23/12/2025
(da Série “Contos do Despertar”)
Os habitantes dos reinos infernais
estavam em polvorosa! Um Rei enviado do Alto para trazer a Luz Divina ao mundo
estava para nascer. Seus líderes se reuniram para planejar o ataque e vencer a guerra,
antes que fosse tarde demais. Convocaram, então, seus principais aliados para a
batalha, os três casais de bruxos mais poderosos da escuridão: o egoísmo e a ignorância,
o orgulho e a vaidade, o ódio e a violência.
E terríveis feiticeiras foram chamadas para preparar suas poções venenosas e produzir armas mortais, invisíveis para o olhar humano. No auge da loucura, elas bradavam: “Maldita Luz, sempre tentando nos destruir!”
Seus espiões conseguiram convencer o governador da região onde ocorreria o nascimento, homem cruel e sanguinário, a agir sem dó nem piedade, para preservar sua autoridade ameaçada. E assim foi feito, milhares de meninos inocentes foram sacrificados. Os bruxos, entretanto, sabiam que o alvo não fora atingido. De repente a grande oportunidade surgiu, com a chegada de Três Reis Magos vindos do longínquo Oriente guiados por uma misteriosa Estrela que conhecia o caminho.
Os casais de bruxos passaram a segui-los dia e noite, disfarçados para não serem identificados. Ora como cavernas escuras e frias, ora como pântanos malcheirosos, ora como aves de rapina, morcegos, hienas, chacais, escorpiões e serpentes.
Eles esperavam encontrar um palácio de ouro e pedras preciosas e ficaram muito surpresos quando avistaram uma pequena cabana que resplandecia como o sol da meia-noite. Quando olharam pela janela quase enlouqueceram: um bebê luminoso de beleza indescritível sorria deitado em uma manjedoura que lhe servia de berço. “Como é possível o Rei dos Céus estar nu, deitado no lugar onde animais se alimentam, como o mais miserável dos mendigos?”
Viram, então, a Mãe
ajoelhada, uma linda mulher e o Pai, sentado no chão, um homem forte de olhar
sereno, ambos contemplando, em puro êxtase, a Criança que acabara de nascer.
Perto deles, em completo silêncio, um burrico e algumas vacas finalmente
descansavam de anos de trabalhos muito duros. De um lado da cabana, um grupo de
pastores, homens e mulheres, em silenciosa contemplação. Do outro lado, os reis
magos aguardavam o melhor momento para entregar seus valiosos presentes. Acima
da cabana, anjos e arcanjos, querubins e serafins, uma orquestra inteira
tocando e cantando músicas das Altas Esferas.
Diante da harmonia impecável
do perfeito Amor, os bruxos sentiram seus corpos doentes se curarem, enquanto
uma brisa suave limpava suas mentes dos pensamentos de destruição e um
misterioso e doce calor derretia seus corações de gelo. A presença do Menino Divino
transformou para sempre aquelas criaturas tenebrosas e os bruxos, que tinham a
missão de matá-lo, tornaram-se seus maiores guardiões e passaram a protegê-lo
de todo mal e toda iniquidade, e nunca mais voltaram ao lugar de onde vieram,
porque é impossível não amar o verdadeiro Amor.
Carmem Carvalho e Marian
Bleier
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