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Conexões Humanas e Saúde Mental

Terapia não é mimimi: é coragem de olhar para si

26/11/2025



Fazer terapia, longe de ser sinal de fraqueza ou sensibilidade excessiva, é um processo que exige coragem. Infelizmente, nem todos entendem isso e, por isso, não vêem motivos nem encontram disposição para entrar num processo assim. Com isso, acabam não enfrentando aquelas lembranças que foram guardadas sem terem sido devidamente elaboradas, que um dia tentaram simplesmente esquecer.

Quem, em sua história, não carrega experiências de perdas, rejeições, violências, expectativas frustradas, sustos, choques? Será que essas experiências foram assimiladas adequadamente? Ou simplesmente foram jogadas em algum tipo de esquecimento ou negação, porque a vida precisava seguir? A questão, não muito fácil de aceitar, é que a vida continuou, sim, mas tudo isso continua agindo silenciosamente em nós.

O que foi guardado não deixou de existir, apenas foi guardado de fato. É como tentar esconder uma comida estragada na geladeira: com o tempo, até mesmo lá ela manifesta seus efeitos, cheira mal, libera gases, contamina. Assim também acontece com as experiências dolorosas que não foram devidamente cuidadas. Elas seguem atuando sobre nossas vidas, em nossas escolhas, emoções, relacionamentos, trabalho.

Prova disso é o quanto temos dificuldade de nos direcionar como gostaríamos em certas situações e as inúmeras vezes em que parece que agimos “contra nós mesmas(os)”. Tudo aquilo que está inconsciente em nós vem à tona nos bloqueios, nas repetições, nas reatividades e em vários tipos de fuga — como excessos e compulsividade com comida, álcool, drogas, sexo, compras e até mesmo com atividades que fariam bem, como o exercício físico —, impulsos que não conseguimos controlar.

E sabe aquelas situações em que queremos mudar de trabalho, terminar ou começar um relacionamento, seguir um plano, e algo persistentemente nos impede? Estes podem muito bem ser sinais de que uma parte de nós está atuando em direção oposta à nossa vontade consciente. O que atua aí são os medos, bloqueios e distorções oriundos das dores reprimidas. E este é o campo onde a terapia se torna essencial.

Na terapia, esses conteúdos guardados podem, com cuidado, voltar à superfície. Então ganham nome, forma e, aos poucos, encontram um sentido dentro da nossa história. O processo não é imediato nem confortável, pois implica revisitar dores e reconhecer vulnerabilidades. No entanto, é justamente esse movimento que possibilita transformação e a conquista de mais liberdade perante a vida.

Por exemplo, uma pessoa que, sempre que está prestes a conquistar algo importante, sente medo, não se acha merecedora ou sabota o próprio esforço. O primeiro passo é se dar conta de que as coisas acontecem assim. Depois, é preciso descobrir as origens disso. Pode ser que, em algum momento da vida, ela tenha entendido que se destacar gera inveja, punição ou rejeição — às vezes até das pessoas mais próximas, que deveriam vibrar por suas conquistas. Se esse entendimento permanecer oculto e ativo, continuará interferindo em sua vida, mesmo que a pessoa deseje seguir caminhos diferentes.

Outra situação frequente é a de alguém que, mesmo desejando um relacionamento saudável, repete vínculos em que se sente desvalorizado ou invisível ou acaba sendo rejeitado. Às vezes, há uma história antiga de precisar conquistar atenção ou afeto a qualquer custo, submetendo-se a todo tipo de situação insatisfatória. A ideia de não merecer nada diferente disso permanece ativa e constrói todas as experiências afetivas atuais.

Na terapia, padrões como esses podem ser reconhecidos, compreendidos e, pouco a pouco, transformados, abrindo espaço para formas mais livres de construir a própria vida, nas diferentes áreas — profissional, familiar, afetiva e social.

Buscar terapia, portanto, não é mimimi. É um ato de maturidade: reencontrar aquilo de que um dia tentamos nos livrar, assumir o risco de revisitar dores antigas, conhecer-se mais integralmente — incluindo o que rechaçamos em nossa história — e abrir espaço para que essas experiências encontrem um sentido e um lugar em nós.

Fazer terapia é escolher não se esconder mais. Exige coragem. Mas tudo o que recebe nosso empenho gera frutos valiosos. Nesse caso, pode ser a porta que se abre para viver com mais liberdade e alegria.


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Iana Ferreira

Apaixonada pelos mistérios da psique e do autoconhecimento, com formação em musicoterapia pela Faculdade Paulista de Artes e em psicologia pela Universidade de São Paulo, USP.
"A palavra, escrita ou falada, também é para mim um grande instrumento e paixão – por tudo que revela e que invariavelmente consegue ocultar."

Site: entretexto.com

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