23/12/2025
O fim do ano costuma ser encarado como tempo de festa,
encontros e confraternização.
Mas ele é mesmo isso — ou apenas isso?
Muitas vezes, essa época traz também sentimentos de outra
natureza: saudades, nostalgia, tristeza difusa, melancolia sem nome. Às vezes,
simplesmente cansaço.
Isso acontece porque o encerramento do ciclo nos coloca
diante de balanços internos inevitáveis: o que vivi, o que desejei e de fato
realizei, quem já não está mais, que expectativas ficaram pelo caminho.
Há também o contraste entre o ritmo externo, acelerado e
cheio de compromissos, e as necessidades internas de pausa. Quando esse
descompasso cresce demais, surgem sinais claros de que algo precisa ser
percebido e cuidado.
E, então, não adianta forçar alegria.
Chegamos ao fim de ano — e não precisamos estar felizes. O
que precisamos é aprender a viver sem empurrar para baixo de camadas festivas
tudo aquilo que não queremos encarar.
Por que não olhar a vida por inteiro: o que deu certo e o
que não deu, alegrias e tristezas, conquistas e decepções, presenças e
ausências...?
Tudo isso são fios de experiências. E com eles criamos o
tecido do nosso ser, aquilo que envolve, sustenta, nos dá sentido e
pertencimento. Reconhecer o que está vivo em nós e permitir que cada coisa
encontre seu lugar, sem julgamentos, é o maior presente que podemos nos dar.
Então, a pergunta mais fecunda para esse período talvez não
seja “como me sentir melhor?”, mas
o que preciso reconhecer em mim e integrar?
Atravessar bem o final do ano definitivamente não é
chegar radiante ao próximo. É algo bem mais simples. Precisamos apenas chegar
mais inteiras(os), mais nós mesmas(os).
E isso, por si só, já é um gesto profundamente
transformador — uma verdadeira travessia, em direção à vida que já é e àquela
que começa a se anunciar nos tempos que estão por vir.
Que este fim de ano possa ser vivido com mais verdade do que
expectativas, mais escuta do que exigências, mais presença do que aparência. E
que possamos seguir adiante com nossa inteireza imperfeita.
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