09/06/2026
Profa. Dra. Maria Cecília Castro Gasparian
O Dia dos Namorados costuma celebrar o enamoramento — aquele período de encantamento em que o outro ocupa nossos pensamentos e colore o cotidiano. Mas talvez a maior reflexão que a data nos convida a fazer seja sobre algo que vem depois: o amor.
O enamoramento acontece. O amor se constrói.
Enquanto o primeiro nasce da descoberta e da idealização, o segundo surge quando a realidade aparece e, apesar dela, escolhemos permanecer. Amar é conviver com as imperfeições do outro e com as nossas próprias, construindo presença, confiança e parceria ao longo do tempo.
O Dia dos Namorados também desperta sentimentos diferentes em cada pessoa. Há quem esteja vivendo a alegria de um novo encontro, quem celebre uma longa história construída a dois, quem esteja elaborando uma despedida e quem esteja aprendendo a caminhar sozinho após ter amado profundamente.
A maturidade ensina que estar só não significa estar solitário. O outro não nos completa; ele nos revela, nos transforma e participa da construção de quem somos. Por isso, alguns amores permanecem na memória mesmo quando já não fazem mais parte da nossa vida.
Vivemos, porém, em uma época que valoriza a rapidez. As conexões são instantâneas, mas a profundidade exige tempo. Queremos proximidade, mas tememos vulnerabilidade. Desejamos ser amados, mas nem sempre estamos dispostos a sustentar os desafios que os relacionamentos trazem.
Talvez por isso permanecer tenha se tornado uma arte tão rara. Permanecer não significa apenas continuar junto. Significa sustentar presença, diálogo, cuidado e humanidade quando o encanto inicial dá lugar à realidade.
Nem todo amor veio para durar, mas quase todo amor deixa marcas. E amadurecer afetivamente talvez seja compreender isso sem cinismo, reconhecendo que os encontros — longos ou breves — ajudam a moldar quem nos tornamos.
Neste Dia dos Namorados, mais do que celebrar os casais perfeitos — que provavelmente não existem —, vale celebrar aqueles que continuam acreditando nos encontros humanos. Os que escolhem cuidar, escutar, construir e permanecer.
Porque o amor não vive apenas do encantamento. Ele vive, sobretudo, da escolha diária de permanecer.
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