M. Campello
Currículo
Obras |
Fui
um menino cheio de sonhos... Minha família reunida traçou-me o caminho
da medicina, mas quis o destino que eu visse Pancetti pintando no
Forte Mont Serrat em Salvador. Algo se transformou em mim quando o
vi misturando tintas, mesclando o universo das cores do meu sonho
de criança. Ví o vermelho e o branco se transformarem na mágica de
uma rosa eterna. Nesse momento não quis mais ser médico.
Nessa época encontrei
um grande amigo, de nome Carlos Bastos. Ele acreditou em mim, incentivou
o meu trabalho e daí surgiram dezesseis telas para minha primeira
exposição.
Explodia minha alma,
meu caminho se abria, meu mundo se iluminava: Rio de Janeiro, São
Paulo. A luta para sobreviver, a dor de ver um mundo triste e dividido,
me fizeram sonhar com um outro mundo onde os homens se dariam as
mãos cantando uma canção de paz. Este mundo está aí nos meus quadros.
Que eles sirvam ao menos, para os que vêm vindo, tentando se descobrir,
tentando achar a rosa colorida da vida, sem nunca deixar desbotar
o sonho puro, cristalino, virgem, da criança que passou um dia por
um Forte da Bahia e acreditou em si mesma.
Que estas telas reconduzam
as pessoas aos seus primeiros sonhos e as ajude a se darem as mãos.
Eu ofereço a todos
meu humilde encanto de menino que vive ainda e sonha com a rosa
maior.
Mario
Campello
As flores, os pássaros,
a lua, cavalos mitológicos, um mundo onírico, a imaginação, a sensibilidade,
a busca contínua e persistente do paraíso onde a vida possa ser
vivida, onde a beleza e a alegria sejam virtudes maiores e a felicidade
um bem compatível com o ser humano, eis a pintura de Mario Campello,
um moço baiano, um artista de rara consciência.
Acompanho há vários
anos a caminhada de Campello; recordo seus começos, as primeiras
influências, as liberações iniciais em busca de sua verdade, de
sua fisionomia própria, original. Num trabalho árduo e densamente
elaborado, ele chegou à alta qualidade de uma pintura lírica e límpida,
feita de mistério e de sonho, de absurda realidade, de infância
reconquistada. Tremulam as bandeiras de Mario Campello, pavões,
cisnes e cajus, numa festa harmoniosa de cores, a poesia em estado
de graça.
Jorge
Amado
Salvador - BA - 1983
...Como é bom saber
que existe Mario Campello. A sua pintura é o último reduto da pureza
e do vislumbre paradisíaco existente entre os terráquios. Ele é
um pintor capaz de captar todos os mais delicados eflúvios que um
dia percorreram este planeta, na época distante da maldade. Campello
é o último representante, do lado divino, é o herdeiro da bondade
na Terra. É por isso que a sua pintura é feita de tantas flores,
esferas azuis e rosas, borboletas e o colorido suave de quem mistura
na sua palheta as tintas do arco-íris. E, agora, quando acusarem
a arte moderna de corromper os bons costumes, nós já teremos uma
resposta palpitante e elegante: "O senhor acha isto meu prezado
e Grande Irmão, porque ainda não teve a felicidade de entrar em
contato com a pintura de Mario Campello".
Jacob
Klintowitz
O Estado de São Paulo, 4/12/79
Mario Campello, exercita
uma pintura de temática ingênua, num registro da mais apurada elaboração.
Premiado em Veneza como ilustrador de um livro de poemas, sua pintura
é um carimbo da mais preciosa fantasia, numa cintilação de cor que
delineia os temas folclóricos, dentro de espaços reclamados de graça
e alegria.
Um artista iluminado
pelo trabalho e pela poesia.
Walmir
Ayala
Jornal do Brasil - RJ - 5/7/71
Mario Campello - o
ingênuo geométrico
Como definir a pintura de Mario Campello, baiano morando em São
Paulo? Impõe-se a primeira resposta: excelente.
E depois vêm as questões de estilo, técnica, conteúdo, proposta
e solução. À primeira vista, já se dá um conflito: ingênuo e erudito.
Prefiro a síntese: geométrico e espontaneamente lírico. Mario Campello
pinta sempre um mundo paradisíaco, uma paisagem não poluída, uma
espécie de mensagem dirigida aos loucos e aos puros. Há uma sugestão
de ambientes adênicos, com vegetação luxuriosa, luas, pássaros e
animais em festa. Mas nada ele deixa ao acaso, pois é um maníaco
da precisão geométrica, das formas puras, da descrição fanaticamente
minuciosa - em técnica pontilhista - de seres e coisas. Parece que
à frente do seu cavalete, após soltar sua imaginação lírica e ínsita,
Mario Campello lança mão do compasso, da régua e dos números para
conter sua emoção. Ou então traduzí-la ponto a ponto, cor a cor,
verso a verso - como se para ele o mundo fosse uma entidade fantástica
e cartesiana. Mario Campello prepara uma mostra em São Paulo, que
será um momento importante da reflexão sobre a possível relação
entre a arte ingênua e a erudita, tendo como resultado um Happy-end
plástico.
Flávio
de Aquino
Manchete - RJ - 27/10/79
Dois grandes pintores
ingênuos brasileiros, já nos limites da arte erudita, conseguem
geometrizar suas paisagens integrando a visão e organizando admiravelmente
a composição das telas. O elemento cromático, tendo por base a cor
viva mas harmonizada, o detalhe minucioso, a ciência de compor em
formas geométricas aliadas a um lirismo requintado, tem seu valor
máximo em Mario Campello.
Flávio
de Aquino
Manchete - RJ - 21/10/72
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