Carlos Alberto Fajardo




Carlos A. Fajardo
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Foto: Rachel de Almeida Magalhães

São Paulo, SP, 1941.
De 1963 a 1969 frequenta o curso de Arquitetura na Universidade Mackenzie. Ainda nos anos 60 é aluno de Wesley Duke Lee. Com Maciej Babinski e Regina Silveira estuda, respectivamente, gravura em metal e litogravura. Em 1966, participa do Grupo Rex, e posteriormente, funda a Escola Brasil com Baravelli, Frederico Nasser e José Resende. Nos anos 70, é monitor da cadeira de Desenho e Observação da Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. Na década de 80 desenvolve várias atividades artísticas, entre as mais significativas figuram a atuação como conferencista no curso de pós-graduação da ECA/USP, o curso de Desenho ministrado na Universidade Federal de Fortaleza, a participação nos vários festivais de artes ocorridos em Porto Alegre , na Universidade Federal de Minas Gerais e na do Espírito Santo. Em 1987, recebe a bolsa Ivan Serpa, da Funarte, e, em 1989, a bolsa Vitae. Participa da Bienal de São Paulo, entre 1967 e 1987; da Jovem Arte Contemporânea, MAC/USP, 1967; Bienal de Veneza, 1978 e 1993; Panorama da Arte Brasileira no MASP/SP, Price Waterhouse, 1995. Desde 1996 leciona na Faculdade de Artes Plásticas da ECA/USP.


"Desprezando totalmente a pergunta pela sua origem, os objetos de Fajardo situam sua gênese no excesso de sua presença. O que está por trás desses fenômenos é rigorosamente a mesma coisa que se apresenta tão de imediato a nós. E no entanto, em meio a essa solidez impassível, deslizam impulsos não contabilizados que se desgarram totalmente dos materiais que lhes geram - um estranhamento entre o estímulo e sua fonte. De novo a matéria é um empecilho para o desenvolvimento das sensações, mais que a sua fonte. Alheias ao meio que as envolve, as sensações vêem às voltas com uma lassidão radical que provoca uma verdadeira abstração dos sentidos."
Rodrigo Naves

 

"Carlos Fajardo: o rigor do seu trabalho é enriquecido pela ambigüidade de sua sensibilidade que transita entre o masculino e o feminino. Ao lado da racionalidade que orienta a construção de sua peças, há sempre a presença de elementos e materiais que vêm tensionar o esforço construtivo: a passagem do tempo apreendida pela esfera de glicerina (que também ocupa um espaço virtual pelo perfume que exala), pelo longo rolo de argila que se parte no processo da sua exibição, ou pela superfície do ferro corroída pela água. Essa mesma sensibilidade também se apresenta no contraste eloqüente entre a pedra e o lute; ou entre o batom e o granito; no velamento das formas pelo tecido ou pela malha de alumínio; ou na utilização de elementos orgânicos como na esfera de cipó. Mais que afirmar a tradição da Modernidade, seu trabalho deixa aberta a possibilidade de deslocamentos constantes para outros territórios."
Ivo Mesquita

"A obra de Fajardo tematiza, essencialmente, essa ‘incompletude constituinte’, posicionando-se a meio termo entre a pintura e a escultura, de onde estrategicamente pode dissolver o ponto de vista privilegiado, trabalhar com suportes variados, sem uma fisionomia muito fixa na tradição, e assim operar todas as situações nas quais se constitui o olhar na história da arte.
Serão, pois, as superfícies - lugar por excelência da extensão e da homogeneidade, mas também da incompletude - que estarão sempre na mira do trabalho do artista, permanentemente reclamando contornos e limites, a presença de uma idéia possível de tonalidade e portanto de sentido. E se é reiterada a afirmação de uma atitude construtiva em toda a sua obra, não é que ele pretenda, classicamente, marcar a vigência de uma razão abstrata e universal, o que de algum modo garantiria a restauração de uma totalidade ideal. Ao contrário, cada trabalho deve produzir-se a partir de uma idéia genética de totalidade, iniciada e enfeixada nele mesmo, e por isso cada um exige consideração específica, de sorte que o procedimento vê-se continuamente exposto a uma situação de risco, em frente das condições singulares que envolvem o surgimento do novo trabalho. O princípio totalizador, organizador de sentido, não é portanto uma instância dada a priori, mas algo que deve ser testado e conquistado na produção de trabalho a trabalho."
Sônia Salzstein